Porque queria encurtar a vida para tanto mais poder prolongá-la, entrei em combate e da filosofia restaram reminescências cálidas e um olhar tristemente embevecido diante do que um dia poderá vir e ser...
domingo, dezembro 31, 2006
domingo, novembro 12, 2006
Cupido às avessas
Sempre fora certa mistura de correção e fantasia. Via-se lá, em outro lugar, entregando-se... O pudor não lhe permitia continuar aqueles tais pensamentos.
A poltrona do avião. Deixara-se levar por uma tal angústia que, sem um mínimo de auto-crítica, decidiu. Bobagem... Agora ou jamais. Parecia-lhe, de repente, que seus dias estavam para acabar. Não porque estivesse com ânsia de morrer, passasse por algum transtorno que a levasse a vislumbrar um fim permanente. Como se o fim não fosse permanente.
E ele... tão incrível, tão cabível em seus desejos. Só um número de telefone, só o nome da cidade onde morava.
Prometia-se: "Só desta vez!" Ria-se por inteira, mas era um riso para dentro, sua alma pululava de emoção. Não se repetiria jamais aquele não-sei-quê de desejo sem sabor, nem metáfora que pudesse tornar palpável, ainda que apenas poeticamente, a sua expectativa. Sabia-o tão... tão... Faltavam-lhe os adjetivos concretos e, objetiva que era, não se permitia inventar um vocabulário emprestado dos romances água-com-açúcar que lera na adolescência. Esboçou um riso-discreto, deboche de si mesma. Quem saberia dizer o que é um romance água com açúcar? Bobagem!Preferia não se distrair tanto. Só queria vê-lo, torná-lo certa lembrança que causa saudade pelo que tinha sido, não pelo que poderia ser.
A aterrissagem acelerou ainda mais seus nervos, arrepiou-se num misto de medo e ternura.
O táxi... "Para onde?" Nem imaginava. Falou da praça principal da cidade. Ele tinha comentado algo. Esses detalhes surgiam em vaga lembrança. Enquanto percorriam a cidade, não conseguia fixar seu pensamento em nada. Esvaziara-se por completo. Provavelmente o motorista a percebia absorta, em si mesma ou para além de si mesma. O homem aproveitou-se. Rodou, rodou...
Pagou o táxi mecanicamante.
Somente quando pisou a praça, a consciência de estar em lugar nenhum a fez de novo estremecer - um medo real.
O número. Discou-o rapidamente. Foram longos minutos de espera, embora tenha, quase que imediatamente, sido atendida. Pensou em dizer que estava na cidade, na praça. Envergonhou-se, gaguejou. Do outro lado, ouviu um pedido de calma. Foi como bálsamo. Então, de uma só vez, e com uma clareza que a surpreendeu, disse tudo. Silêncio. Pediu desculpas, disse que não era nenhuma louca, que ele não se preocupasse. Iria imediatamente procurar um lugar para dormir. Dia seguinte já estaria voltando para casa. A voz dele, hesitante, perguntou onde ela estava. Explicou. Logo viria, Ela precisava esperar só um minuto. "Vou buscar a ..." Interrompeu-se de súbito. Ela, tomada de um estado pleno que nunca tinha antes vivido, concordou.
Sentou-se num banco da praça. Já ia escurecendo. De novo, veio-lhe a sensação de que seus dias... Afastou a sensação, mais uma idéia incômoda. Falou consigo mesma que era medo.
De repente, seu telefone... A voz dele e ela foi inundada por uma explosão cósmica... mar de estrelas. Então, onde estava ela? Ele já havia chegado. Melhor que se apressasse. Era muito perigoso aquele lugar, estava escuro.
Sentiu-se ferver diante da possibilidade de encontrá-lo, tocá-lo, vê-lo. Doía-lhe o peito, seu sangue parecia jorrar e pareceu-lhe ouvir ensurdecedor estrondo. Sem desligar o telefone, com voz trêmula, explicou a ele. Sob a árvore mais frondosa... Ela e suas malas. "Ah, sim. Já vejo você."
Olhou ao redor, procurando-o. Quando o viu, a noite inundou-lhe a vista. Estava cega. E tonta... Fraquejaram suas pernas. Seu coração batia de manso, tão mansinho que teve a sensação de morrer. Caiu nos braços dele. Abriu os olhos. E exalou seu último suspiro.
Dia seguinte, ele segurava, consternado, a página do jornal. Na manchete: "BALA PERDIDA faz mais uma vítima."
A poltrona do avião. Deixara-se levar por uma tal angústia que, sem um mínimo de auto-crítica, decidiu. Bobagem... Agora ou jamais. Parecia-lhe, de repente, que seus dias estavam para acabar. Não porque estivesse com ânsia de morrer, passasse por algum transtorno que a levasse a vislumbrar um fim permanente. Como se o fim não fosse permanente.
E ele... tão incrível, tão cabível em seus desejos. Só um número de telefone, só o nome da cidade onde morava.
Prometia-se: "Só desta vez!" Ria-se por inteira, mas era um riso para dentro, sua alma pululava de emoção. Não se repetiria jamais aquele não-sei-quê de desejo sem sabor, nem metáfora que pudesse tornar palpável, ainda que apenas poeticamente, a sua expectativa. Sabia-o tão... tão... Faltavam-lhe os adjetivos concretos e, objetiva que era, não se permitia inventar um vocabulário emprestado dos romances água-com-açúcar que lera na adolescência. Esboçou um riso-discreto, deboche de si mesma. Quem saberia dizer o que é um romance água com açúcar? Bobagem!Preferia não se distrair tanto. Só queria vê-lo, torná-lo certa lembrança que causa saudade pelo que tinha sido, não pelo que poderia ser.
A aterrissagem acelerou ainda mais seus nervos, arrepiou-se num misto de medo e ternura.
O táxi... "Para onde?" Nem imaginava. Falou da praça principal da cidade. Ele tinha comentado algo. Esses detalhes surgiam em vaga lembrança. Enquanto percorriam a cidade, não conseguia fixar seu pensamento em nada. Esvaziara-se por completo. Provavelmente o motorista a percebia absorta, em si mesma ou para além de si mesma. O homem aproveitou-se. Rodou, rodou...
Pagou o táxi mecanicamante.
Somente quando pisou a praça, a consciência de estar em lugar nenhum a fez de novo estremecer - um medo real.
O número. Discou-o rapidamente. Foram longos minutos de espera, embora tenha, quase que imediatamente, sido atendida. Pensou em dizer que estava na cidade, na praça. Envergonhou-se, gaguejou. Do outro lado, ouviu um pedido de calma. Foi como bálsamo. Então, de uma só vez, e com uma clareza que a surpreendeu, disse tudo. Silêncio. Pediu desculpas, disse que não era nenhuma louca, que ele não se preocupasse. Iria imediatamente procurar um lugar para dormir. Dia seguinte já estaria voltando para casa. A voz dele, hesitante, perguntou onde ela estava. Explicou. Logo viria, Ela precisava esperar só um minuto. "Vou buscar a ..." Interrompeu-se de súbito. Ela, tomada de um estado pleno que nunca tinha antes vivido, concordou.
Sentou-se num banco da praça. Já ia escurecendo. De novo, veio-lhe a sensação de que seus dias... Afastou a sensação, mais uma idéia incômoda. Falou consigo mesma que era medo.
De repente, seu telefone... A voz dele e ela foi inundada por uma explosão cósmica... mar de estrelas. Então, onde estava ela? Ele já havia chegado. Melhor que se apressasse. Era muito perigoso aquele lugar, estava escuro.
Sentiu-se ferver diante da possibilidade de encontrá-lo, tocá-lo, vê-lo. Doía-lhe o peito, seu sangue parecia jorrar e pareceu-lhe ouvir ensurdecedor estrondo. Sem desligar o telefone, com voz trêmula, explicou a ele. Sob a árvore mais frondosa... Ela e suas malas. "Ah, sim. Já vejo você."
Olhou ao redor, procurando-o. Quando o viu, a noite inundou-lhe a vista. Estava cega. E tonta... Fraquejaram suas pernas. Seu coração batia de manso, tão mansinho que teve a sensação de morrer. Caiu nos braços dele. Abriu os olhos. E exalou seu último suspiro.
Dia seguinte, ele segurava, consternado, a página do jornal. Na manchete: "BALA PERDIDA faz mais uma vítima."
terça-feira, setembro 26, 2006
Happy end
O meu amor e eu
nascemos um para o outro
agora só falta quem nos apresente
Meu futuro amor passeia — literalmente — nos
nascemos um para o outro
agora só falta quem nos apresente
Cacaso
Estilos trocados
Meu futuro amor passeia — literalmente — nos
píncaros daquela nuvem.
Mas na hora de levar o tombo adivinha quem cai.
Cacaso
Acho que se ele chegasse neste exato e inadiável momento, queria ouvir e perguntaria: "Do you wanna dance?"
rs
sábado, setembro 16, 2006
Dando um tempo...
Flor-parto da Lua,
sorriso puro da criança de rua
pétala-parto da luz néon.
Doce inocência
Irônica existência
Tantas e tão uma
Juro que não tive tempo
Antes queria, mas
Cíclico, o relógio contra. Então,
Inspiração motivou solidão...
sorriso puro da criança de rua
pétala-parto da luz néon.
Doce inocência
Irônica existência
Tantas e tão uma
Juro que não tive tempo
Antes queria, mas
Cíclico, o relógio contra. Então,
Inspiração motivou solidão...
e uns versos para ti.
sexta-feira, setembro 08, 2006
Eu queria ter escrito naquele dia...
o tempo e sua inexorabilidade...
três dias... três anos...
o amor não se rende a ele,
redefine-o mediante sua doce e imortal melodia.
sobre o "Clã das Adagas Voadoras"
sábado, setembro 02, 2006
Princesa - OFF time
...
apresso
o passo
pasto
teu campo
de verdes
belas
idéias
camélias...
de velhas e novas
bromélias.
eu, pétala daninha,
sonho que em mim tuas raízes,
em noites de tempestades,
tornam-me flor.
sábado, agosto 26, 2006
Instiga-me
a um salto,
a um verso,
a um abismo...
a uma música;
a tua voz.
a uma trilha
seguir
qualquer entrelinha doce
um encontro
simbiose
você
eu
tantos outros
instiga-me a cegá-lo
raptá-lo em noite cálida
sob o peso de meu desejo sem nexo
instiga-me a não querer mais que o dia
e queda em seus braços
tua, morreria
instiga-me a não ver-te
pura transformação que é sempre mesma
e tão outra.
instiga-me a não adivinhá-lo
nos meus sonhos,
instiga-me a não confundi-lo
na multidão
aquele jeito tão seu
eu ainda o trago aqui
instiga-me a não esperança
e ilusões
finda-te dentro de mim,
vai-te e torna-te saudade
instiga-me a não percebê-lo
belo retrato em branco e preto
bela tolice de um sonho de mulher-menina
que nunca fez nada
a não ser suplicar em rimas pobres e românticas
piegas e de mal gosto
instiga-me...
a um verso,
a um abismo...
a uma música;
a tua voz.
a uma trilha
seguir
qualquer entrelinha doce
um encontro
simbiose
você
eu
tantos outros
instiga-me a cegá-lo
raptá-lo em noite cálida
sob o peso de meu desejo sem nexo
instiga-me a não querer mais que o dia
e queda em seus braços
tua, morreria
instiga-me a não ver-te
pura transformação que é sempre mesma
e tão outra.
instiga-me a não adivinhá-lo
nos meus sonhos,
instiga-me a não confundi-lo
na multidão
aquele jeito tão seu
eu ainda o trago aqui
instiga-me a não esperança
e ilusões
finda-te dentro de mim,
vai-te e torna-te saudade
instiga-me a não percebê-lo
belo retrato em branco e preto
bela tolice de um sonho de mulher-menina
que nunca fez nada
a não ser suplicar em rimas pobres e românticas
piegas e de mal gosto
instiga-me...
quarta-feira, agosto 23, 2006
Decidir
Sempre me disseram que estava nas minhas mãos. No entanto, eu adiei mais um pouco, por medo ou covardia, por insegurança ou por querer que desse certo? Não sei. Eu fico quieta no meu canto, eu às vezes rio, muitas vezes choro. Queria uma casa... na cidade, onde há uma montanha. Queria não ter que sair, assim, como quem vai com uma grande mágoa no coração. Também queria que aquelas palavras não tivessem sido ditas. Deixar um emprego não é uma coisa fácil. Já tenho outro. Parece tudo tão tranqüilo para mim, apesar de as estatísticas mostrarem números horrendos, eu pude dizer, e sem medo de errar: "Chega! Não!" Isto tudo mais me dói do que conforta, mais me usa do que me chama a participar, mais me quer convencer do que me aceitar. Estou entristecida, porém não magoada. Eu queria só ter conseguido me fazer ouvir. Mas penso que eu não deva me preocupar. Foi um ano... Puxa, fiz amigos, aprendi o brilho e o fracasso de ser prof.
quarta-feira, agosto 16, 2006
Like a bridge over troubled water...
a paixão pelas idéias é uma condição típica dos seres superiores
onde estão eles? onde?
agulhas, alfinetes no palheiro...
impossível vislumbrá-los!
oh, como procuram
a perfeição
critério condizente, naturalmente
com as suas potencialidades superlativas.
seres deste mundo
eles, este mundo
sim, este que é perfeito
o meu mundo é aquele em que não se dobram os joelhos;
vive-se apenas: nenhum lusco-fusco,
nenhum superior universo de criações, originalidades digitais
redentoras.
no fim, todos
frágil condição de
pó.
não que eu desacredite de minha permanência para além...
mas sou fatuidade,
eco
ou
redundância ainda em seu superego ferido,
afrouxado pela não aceitação?
por que? não lhe disseram SIM,
mestre!
reverência...
você realmente é fenômeno
e eu
como diz a música: "descobri que viver cansa, mesmo..."
mas eu o admiro rs
não por masoquismo ou por inclinação sádica.
eu sou "normal", comum, equivocada, correta e radical em minhas escolhas
e acredito que o destino, talvez por compaixão, me presenteie
com a feliz coincidência de vez ou outra encontrar a projeção real do sonho de diálogo
é boba mesmo a palavra
no entanto, chegadas ou partidas não me atingem
o que mais me estranha
solidão e ironia
por escolha.
onde estão eles? onde?
agulhas, alfinetes no palheiro...
impossível vislumbrá-los!
oh, como procuram
a perfeição
critério condizente, naturalmente
com as suas potencialidades superlativas.
seres deste mundo
eles, este mundo
sim, este que é perfeito
o meu mundo é aquele em que não se dobram os joelhos;
vive-se apenas: nenhum lusco-fusco,
nenhum superior universo de criações, originalidades digitais
redentoras.
no fim, todos
frágil condição de
pó.
não que eu desacredite de minha permanência para além...
mas sou fatuidade,
eco
ou
redundância ainda em seu superego ferido,
afrouxado pela não aceitação?
por que? não lhe disseram SIM,
mestre!
reverência...
você realmente é fenômeno
e eu
como diz a música: "descobri que viver cansa, mesmo..."
mas eu o admiro rs
não por masoquismo ou por inclinação sádica.
eu sou "normal", comum, equivocada, correta e radical em minhas escolhas
e acredito que o destino, talvez por compaixão, me presenteie
com a feliz coincidência de vez ou outra encontrar a projeção real do sonho de diálogo
é boba mesmo a palavra
no entanto, chegadas ou partidas não me atingem
o que mais me estranha
solidão e ironia
por escolha.
domingo, agosto 13, 2006
B o m b a
boba a palavra
torpe
a palavra
oba, a palavra!
pena, a parva
pena, o corvo
melhor,
urubu,
pena...
uma pomba
paz,
a palavra depois da bomba,
não homens-bomba;
a vida, uma bomba
e a palavra é bombástica!!! buuummmm buuuuuuu!!!!!!!!!
sulfúricos, danosos
impetus
no ístimo-íntimo
bombam ataques
pela paz.
palavras
Pax!
você não quis ouvi-las, lê-las...
você busca redimensioná-las;
fazê-las criação;
quero-as perda, fragmentos, regeneração,
afásicas, nonsense, displiscentes e vãs.
não turvas, garotos, coroas, amantes, sonhos de vaidade de um ego que se pensa não ego.
reconheço-me sem conhecer-me;
paciente terminal me envolvo no dia
de gás carbônico e sonhos materialistas.
não fui eu que fiz tudo isso. não sou eu que mudarei tudo isso, porém sei que faço
e não cobro subserviência nem atalhos.
perdoe-me por trair a mim mesma
e por não alcançar o nirvana na fumaça de seu engenho científico,
movido a exatidão criativa...
em reverência...
EU
nós desatados em vós, neles fio de ariadne...
queria encontrá-lo em Amsterdã. rs
Louis Lui, but
no Brasil, aqui, l u i s...
torpe
a palavra
oba, a palavra!
pena, a parva
pena, o corvo
melhor,
urubu,
pena...
uma pomba
paz,
a palavra depois da bomba,
não homens-bomba;
a vida, uma bomba
e a palavra é bombástica!!! buuummmm buuuuuuu!!!!!!!!!
sulfúricos, danosos
impetus
no ístimo-íntimo
bombam ataques
pela paz.
palavras
Pax!
você não quis ouvi-las, lê-las...
você busca redimensioná-las;
fazê-las criação;
quero-as perda, fragmentos, regeneração,
afásicas, nonsense, displiscentes e vãs.
não turvas, garotos, coroas, amantes, sonhos de vaidade de um ego que se pensa não ego.
reconheço-me sem conhecer-me;
paciente terminal me envolvo no dia
de gás carbônico e sonhos materialistas.
não fui eu que fiz tudo isso. não sou eu que mudarei tudo isso, porém sei que faço
e não cobro subserviência nem atalhos.
perdoe-me por trair a mim mesma
e por não alcançar o nirvana na fumaça de seu engenho científico,
movido a exatidão criativa...
em reverência...
EU
nós desatados em vós, neles fio de ariadne...
queria encontrá-lo em Amsterdã. rs
Louis Lui, but
no Brasil, aqui, l u i s...
quinta-feira, agosto 10, 2006
Don't you forget about me?
Diplomático é aquele que usa bomba em lugar de palavras. Só assim chega aos grandes líderes e neles desperta o furor, a reação em nome da paz. Reação por meio do cerceamento da liberdade e contra os que usam bombas, a favor da paz, da ordem, a favor da paz e da ordem... a favor dos interesses do mundo, que são a paz e a ordem. Quem vende armas? Não Eua rs. Eles lutam contra o horror e a favor da... Triste sina a dos heróis das palavras. Subverterão condutas depois, muito tempo depois e serão ícones para figurarem entre...
Entre. Seja bem-vindo. Bem, diplomatas são os que lançam bombas.
Too late
Eu sei que é só uma história insossa, vã mesmo. Eu sei, gritar não adianta. Também calada não me vejo. Eu sei...
Será sempre assim.
E vou chorar,
sorrir também.
E espreitar pela minha cortina essa luz de lua.
Vou sonhar
e acordar,
não vai passar,
não
vão
passar
e vãos se instalarão no espaço
em que não mais cabe um não.
Estrabismo é também coisa de gente, gente... Sim, gente. rs
Acho que tenho isto como certo porque sempre
eu morri mais um dia.
É sempre assim
minha morte:
arte vagabunda, mote à pilhéria, à pena.
Minha morte tão cheia de pretensões
nada convincentes...
no love, no life, no meaning, no sight!
no claque!
rs Eu sempre morri mais um dia.
Sob essa luz de lua fria.
Será sempre assim.
E vou chorar,
sorrir também.
E espreitar pela minha cortina essa luz de lua.
Vou sonhar
e acordar,
não vai passar,
não
vão
passar
e vãos se instalarão no espaço
em que não mais cabe um não.
Estrabismo é também coisa de gente, gente... Sim, gente. rs
Acho que tenho isto como certo porque sempre
eu morri mais um dia.
É sempre assim
minha morte:
arte vagabunda, mote à pilhéria, à pena.
Minha morte tão cheia de pretensões
nada convincentes...
no love, no life, no meaning, no sight!
no claque!
rs Eu sempre morri mais um dia.
Sob essa luz de lua fria.
terça-feira, agosto 08, 2006
Saudade - fuga programada...
Todos ou todas, algum dia, escreveram, assim, como que para ninguém ler, mas no íntimo gostariam de que alguém lesse. Talvez rogassem a leitura daquelas escritas chorosas, aquelas pieguices, aqueles arroubos a la "românticos da segunda geração" por parte exatamente daqueles ou daquelas que as motivaram.
Eu mesma... Loucamente rs, vocês sabem... entreguei a ele esses deslizes, inventivas desavisadas, e ele os elogiou. Um dia, ingênua ou capciosamente, perguntou-me se eu achava que tudo que se espraia verbalmente em emoção deve, necessariamente, ter a ver com a realidade dos sentimentos e das sensações. Disse-lhe sisudamente que não. No fundo, queria lhe dizer que sim. rs Não, não, não... Estou no passado: nem futuro, nem presente. rs Gosto de remotas lembranças. Sou covarde: a dor há pouco vivida não me é fácil suportar.
Essencial
Meu corpo é um templo
portas abertas, convite
às tuas mãos postas,
olhar em prece.
Meu corpo é um templo,
Fé-esperança
de um desejo-lança
Meu corpo...
Um templo
onde teu corpo
joelhos em súplica
levanta vôo nas asas-liberdade,
algemas da ilusão.
Teu corpo um gesto,
Um gesto de prece.
Evocação-crença
do meu corpo-templo
Sacro...Sacrílego!
Puxa!!!!!!!! Once upon a time: novembro, 2000.
Eu mesma... Loucamente rs, vocês sabem... entreguei a ele esses deslizes, inventivas desavisadas, e ele os elogiou. Um dia, ingênua ou capciosamente, perguntou-me se eu achava que tudo que se espraia verbalmente em emoção deve, necessariamente, ter a ver com a realidade dos sentimentos e das sensações. Disse-lhe sisudamente que não. No fundo, queria lhe dizer que sim. rs Não, não, não... Estou no passado: nem futuro, nem presente. rs Gosto de remotas lembranças. Sou covarde: a dor há pouco vivida não me é fácil suportar.
Essencial
Meu corpo é um templo
portas abertas, convite
às tuas mãos postas,
olhar em prece.
Meu corpo é um templo,
Fé-esperança
de um desejo-lança
Meu corpo...
Um templo
onde teu corpo
joelhos em súplica
levanta vôo nas asas-liberdade,
algemas da ilusão.
Teu corpo um gesto,
Um gesto de prece.
Evocação-crença
do meu corpo-templo
Sacro...Sacrílego!
Puxa!!!!!!!! Once upon a time: novembro, 2000.
sábado, agosto 05, 2006
Cantada (depois de ter você)
Tem umas coisas que nem precisam ser vividas para se tornarem significativas. É, talvez seja por isto que as músicas, independente de que corrente venham, a que rótulos pertençam, fazem parte de nosso dia-a-dia. Sei lá, tenho ouvido pouco, e a forma que acho mais incrível é quando ligo o rádio e aquela música...Nossa! Um século de vida lá atrás, e de repente tudo volta, mesmo que jamais tenha sido vivido, o frame, paisagem amalgamada, faz acelerar o coração, fechar os olhos ou parar, sentar, olhar... distante.
A letra a seguir é um desses momentos. Eu julgava sentir assim, como se não houvesse outros motivos, somente aquele ter. Porém, a vida se desfaz, se refaz, muda mesmo! E a gente fica com essas lembranças, essas saudades, gotas de esperança cristalizadas pelo tempo, e continua a acordar toda manhã, em busca de... Tantas coisas. E esquecemos, como uma forma de economizar, para que, quando a alma precisar, haja estoque para alimentá-la nessas sutiliezas de se ouvir de repente...
aquela música... Sim, aquela...
Depois de ter você...
Pra que querer saber
Que horas são
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve uma canção
Como essa...Depois de ter você
Poetas para que
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas
Para que servem as ruas?
Depois de ter você...
Depois de ter você...
Adriana Calcanhoto.
quinta-feira, agosto 03, 2006
quarta-feira, agosto 02, 2006
Consumo
transpessoal
nova-velha da psica...
análise
poesia, antes do prazer virtual , pianostecla
sexy-murmúrios-transa,
era gozo...
coisa estranha.
tudo na tela fala comigo.
nada na vida sentido e nãos,
nem scarpins, sonhos orgásticos,
nem Sartre, nem vodka.
emails são bálsamos também, curam ou ferem: mortais
condenam
seu convite, ilusão...
um labirinto
de sensações.
sei que é só uma forma autêntica, programada
elogios despertam - pele em flor
não irei
já sei o que vai acontecer
você
agridoce escândalo
disfarça
minhas colegas
pouco se me dá
desloco o papo
trejeito profano
olho
santa condenada à forca
proibido
o que quero
segunda-feira, julho 31, 2006
Justificativa
instigare
istigare
do latim
incentivar a fazer
estimular a realizar algo rs
uma homenagem
talvez.
chuva fina, frio
mínima de 10º.
istigare
do latim
incentivar a fazer
estimular a realizar algo rs
uma homenagem
talvez.
chuva fina, frio
mínima de 10º.
Inverno
no dia em que fui mais feliz
eu vi
um avião
se espelhar no
seu olhar
até sumir
de lá pra cá não sei
caminho ao longo do canal
faço longas cartas pra ninguém...
na voz de Adriana Calcanhoto
sexta-feira, julho 14, 2006
terça-feira, julho 04, 2006
segunda-feira, julho 03, 2006
FROZEN
Madonna - Frozen
by Madonna
You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be
You’re frozen when your heart’s not open
You’re so consumed with how much you get
You waste your time with hate and regret
You’re broken when your heart’s not open
CHORUS:
Mmm-mm-mm... If I could melt your heart
Mmm-mm-mm... We’d never be apart
Mmm-mm-mm... Give yourself to me
Mmm-mm-mm... You hold the key
Now there’s no point in placing the blame
And you should know I suffer the same
If I lose you, my heart would be broken
Love is a bird, she needs to fly
Let all the hurt inside of you die
You’re frozen when your heart’s not open
CHORUS
You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be
You’re frozen when your heart’s not open
Eu sei que não voltam... o tempo você
by Madonna
You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be
You’re frozen when your heart’s not open
You’re so consumed with how much you get
You waste your time with hate and regret
You’re broken when your heart’s not open
CHORUS:
Mmm-mm-mm... If I could melt your heart
Mmm-mm-mm... We’d never be apart
Mmm-mm-mm... Give yourself to me
Mmm-mm-mm... You hold the key
Now there’s no point in placing the blame
And you should know I suffer the same
If I lose you, my heart would be broken
Love is a bird, she needs to fly
Let all the hurt inside of you die
You’re frozen when your heart’s not open
CHORUS
You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be
You’re frozen when your heart’s not open
Eu sei que não voltam... o tempo você
Puxa, no dia em que fui mais feliz. rs Saudades.
Quem de mim sabe?
As dores ou o riso-verdade? O que de ti sabes?
Sabor de saber o que a ti nem foi dado perceber, vislumbrar.
Quê?! ... de mim sabes...
NADA!
E nadando, vais projetando tua soberba retórica em um falso altruísmo. Esqueça!
Nunca soube de ti, nem quero. Fiques aí a regurgitar tuas defesas pretensamente insanas, radicalidades vazias. Vivo tão somente. Pretensão foste tu quem criaste em relação a tudo que aqui está. Fado estranho esse que me atribuíste. Pesado demais. Pré-juízos? Tsc Tsc...
NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
GO OUT! Você não deve vir aqui. Tua energia é coisa solitária, presença insólita, infelicidade...
Você não é...
P r o v o c a ç ã o
Caça às letras. Reallity show de mau gosto. Psiu, a vida é só apreciação do belo. Não, não sou trânsfuga, sou só e simplesmente, tortamente eu. Era só uma apreciação-apropriação fascinada. Irritante esse caminho onde cobras serperteiam e medusas petrificam um ser que nem ao menos existe. Bobagem a crença de que tudo se perdeu. As coisas se refazem. Os seres se desfazem. rs Ah, humana ilusão de verdades. Sorry, man. Eu não retorno. Jamais fui, sou ou serei.
Estou na simples condição de liberdade do olhar. Factual é não deliberar juízos. Que drama-comédia-desconcerto. Nunca foi entre você e eu, nem será. Perca tempo não vomitando angustiadas ironias doutas.
Penso sorrir. Não existimos outro para um.
Estou na simples condição de liberdade do olhar. Factual é não deliberar juízos. Que drama-comédia-desconcerto. Nunca foi entre você e eu, nem será. Perca tempo não vomitando angustiadas ironias doutas.
Penso sorrir. Não existimos outro para um.
quarta-feira, junho 28, 2006
A morte
hoje, para mim, ela não foi poesia e me comove...
não havia chuva fina, não havia também sua voz, sotaque carioca, já um pouco conquistado pelo "e" fechado de PG; algumas l´grimas me surgiram impossíveis de serem contidas.
Ela se foi. Coisa estranha, triste...
não ia a sua casa, nem chegamos a tomar um café juntas, mas conversávamos na rua em frente a nossas casas, no ônibus.
Ela se foi como vela ao vento. era uma pessoa disposta, não se abatia pelo coração doentio que a consumia em dores.
Adeus!
inexorável destino esse nosso.
só uma certeza: seremos um dia lembrança e saudade a preencher um vazio que deixamos nos espaços que nunca tomamos por inteiro, mas que eram nossos.
Descanse em paz! há um lugar tranqüilo...
sei que há...
não havia chuva fina, não havia também sua voz, sotaque carioca, já um pouco conquistado pelo "e" fechado de PG; algumas l´grimas me surgiram impossíveis de serem contidas.
Ela se foi. Coisa estranha, triste...
não ia a sua casa, nem chegamos a tomar um café juntas, mas conversávamos na rua em frente a nossas casas, no ônibus.
Ela se foi como vela ao vento. era uma pessoa disposta, não se abatia pelo coração doentio que a consumia em dores.
Adeus!
inexorável destino esse nosso.
só uma certeza: seremos um dia lembrança e saudade a preencher um vazio que deixamos nos espaços que nunca tomamos por inteiro, mas que eram nossos.
Descanse em paz! há um lugar tranqüilo...
sei que há...
sexta-feira, junho 23, 2006
a teoria da evolução
morrer é ter certeza de que a felicidade é pássaro-livre
que visitou o olhar e amou seu brilho,
fascinou certa existência solitária e deu-se todo ao sabor aéreo
das correntezas das palavras
nem de ouro nem de prata...
peremptória errata!
que visitou o olhar e amou seu brilho,
fascinou certa existência solitária e deu-se todo ao sabor aéreo
das correntezas das palavras
nem de ouro nem de prata...
peremptória errata!
dois
...
navego por aqui
não nego...
perdia!
as mãos:
ambas me comovem,
me fazem delírio
e ternura;
meticulosas tecem, em compaixão,
distâncias fluidas que me reportam
a ti;
e outras, aqui muito perto, estas mãos me contam
gemidos e dor-prazer que pensei viriam de ti.
covardia a minha distar-me enquanto próxima estive;
que coragem de ti, distante e sem voltar, ainda, envolves certos sonhos
que acalentam inexperiências estelares em mim.
não, sim, talvez...
não!
e o teclado incansável acusa-me em definhamento,
pois que tua palavra-ausente reverberou processos-solidão
e há um século de ti,
menina-mulher.
MULHER!
a maior tempestade fustigou a esperança
porém, não retirou a certeza de um dia eu ter sido real e virtualmente mais feliz.
Saudades...
navego por aqui
não nego...
perdia!
as mãos:
ambas me comovem,
me fazem delírio
e ternura;
meticulosas tecem, em compaixão,
distâncias fluidas que me reportam
a ti;
e outras, aqui muito perto, estas mãos me contam
gemidos e dor-prazer que pensei viriam de ti.
covardia a minha distar-me enquanto próxima estive;
que coragem de ti, distante e sem voltar, ainda, envolves certos sonhos
que acalentam inexperiências estelares em mim.
não, sim, talvez...
não!
e o teclado incansável acusa-me em definhamento,
pois que tua palavra-ausente reverberou processos-solidão
e há um século de ti,
menina-mulher.
MULHER!
a maior tempestade fustigou a esperança
porém, não retirou a certeza de um dia eu ter sido real e virtualmente mais feliz.
Saudades...
segunda-feira, junho 12, 2006
Bem...
O cara lá navegou e pode dizer que a Terra era redonda. Aí perdemos o medo daquela coisa de tartaruga que nos carregava. O sal dos mares de Portugal? Lágrimas à hora da despedida. "Quem quiser passar pela dor..." A coisa foi tal que deu arte-poesia-maestria na palavra eterna e revisitada, mesmo por irônica provocação meditativa, distante...
Sim, é preciso...para que a humildade supere essa concepção de humildade e se faça falha, humana e bonita. Sei lá, a vida não bateu nunca duas vezes à minha porta. Então, a quem a imortalidade habita, meus aplausos. Sou pó de estrela e a elas retornarei, um dia...
Navegando...
Sim, é preciso...para que a humildade supere essa concepção de humildade e se faça falha, humana e bonita. Sei lá, a vida não bateu nunca duas vezes à minha porta. Então, a quem a imortalidade habita, meus aplausos. Sou pó de estrela e a elas retornarei, um dia...
Navegando...
domingo, junho 11, 2006
PARA AQUÉM DO RITMO, UM POUCO DE VAGAREZA...
A presente resenha é fruto da leitura comparativa entre os textos “Pedagogia dos Caracóis”, de Rubem Alves e ”Velocidade Máxima”, de Martha Medeiros.
Diante da compreensão de que a vida contemporânea somente pode ser plenamente vivida se os seres humanos estiverem num ritmo de aceleração constante, Rubem Alves, em seu artigo “A Pedagogia dos Caracóis”, contrapõe-se à incorporação, pelo sistema de ensino e pelo discurso dos professores, desse ritmo ao processo do ensinar-aprender e vice-versa, que reproduz, no espaço da escola ou da sala de aula, o cotidiano discursivo do “mais produzir”, “mais reagir”, “mais estar”, “mais conquistar”, “mais se localizar à frente” e “sempre em frente”, numa constante repetição de “olhe o tempo”.
O autor reflete, numa postura conscientemente humana, peculiar à sua escrita, sobre o quanto a aceleração, no discurso pedagógico, minimiza ou aniquila o processo de construção de relações de comunicação, por meio das quais professor e aluno, em cumplicidade, “enamoram-se” do saber e sua (re)construção, descobrindo, dessa maneira, o mundo em sua beleza que não pergunta, tampouco responde, todavia recria-se apaixonada, paulatina e humanamente, em sua estrutura própria, sem grandes afetações criadas por uma realidade útil e fruto de nosso trabalho, que não pode ser desconsiderada ingenuamente e que, no entanto, não pode ser determinante do ritmo humano. Não há regras e pressupostos limitadores no enlevo de aprender-ensinar. Há expectativas e desejos a serem valorizados.
Nesse sentido, o mundo da velocidade supersônica é mote, também, às reflexões de Martha Medeiros, em seu artigo “Velocidade Máxima”. O título não é mera coincidência. A referência ao filme leva o leitor a recriar na mente o tempo reafirmado, a todo instante, como o fio condutor das relações de sobrevivência nos dias de hoje. Assim, competente é o indivíduo que dobra suas ações-reflexões, superando os limites de tempo. É preciso arriscar-se e a tomada de decisões vale pela competência do indivíduo em efetivá-las no mínimo de tempo e máximo de acerto.
Para além da apelação ao tempo, que impõe um viver no ritmo acelerado e cada vez mais potente das máquinas, os autores alertam para a percepção de que o ser humano está na UTI das relações interpessoais e consigo mesmo. Afinal, a quem se busca satisfazer? Ao ritmo veloz ditado pelo consciente coletivo do mundo seduzido pela tecnologia ou aos nossos próprios desejos de (re)criar o mundo, visando a uma melhora de nossa qualidade de vida? Não é à toa que dados estatísticos mostram, cada vez mais, um ser humano debilitado física e emocionalmente. No entanto, não há como evitar essa vertigem cronológica.
Então, é preciso, como medida de valoração à criatividade, à vida mesma, a retomada do ritmo ancestral da humanidade, contraponto à artificialidade vertiginosa da vida urbana, pois à proporção que se entende que, mesmo estando, virtualmente, em todos os lugares, a todo instante, SER mais é irrefutavelmente benéfico, pois movimentar o olhar na direção de pequenos fatos, ingênuos até, pode e vivifica muito mais a capacidade criadora de melhor e mais utilmente sobreviver, já que no pôr-do-sol, no ritmo do beija-flor (acelerado, porém belo porque é de sua natureza), no ciclo das quatro estações, entoadas nas notas de Vivaldi, há uma harmonia que não foi imposta nem é comando. Ela se realiza e se reinventa, sem pré-determinismos. Dessa maneira, a desaceleração é a opção que qualitativamente engendrará vivências espirituais e físicas que privilegiem a construção de um sujeito satisfeito em suas realizações pessoais e interpessoais, ou seja, um sujeito envolvido plenamente com seu ser-estar no mundo, motivado pelo ritmo de suas conquistas acontecidas no plano de suas escolhas conscientes ou surgidas como desafio à sua própria condição de não ser o detentor pleno de seu destino. Não se pode entender isso como pólos extremos: comodismo numa ponta e ação, a curto prazo, na outra.
Assim, a forma de viver é aproximação, é comunicação, é aprendizado, é recuo e avanço, é virtude ou vício selecionado entre muitas outras possibilidades de se estar ao lado da humanidade, em primeira e última instância. Afinal, a vida não pode jamais ser submetida ao despertador do lado da cama ou ao comando do toque do celular, que anuncia um novo compromisso a cada instante. Então, lembrando Pessoa, ‘navegar é preciso“, porém não custa nada observar a paisagem que se descortina, sem grandes embates e conflitos cronológicos.
Referências
Alves, R. A Pedagogia dos Caracóis in www.revistaeducacao.com.br
Medeiros, M. Velocidade Máxima. Exame, 15 de dezembro de 1999.
Diante da compreensão de que a vida contemporânea somente pode ser plenamente vivida se os seres humanos estiverem num ritmo de aceleração constante, Rubem Alves, em seu artigo “A Pedagogia dos Caracóis”, contrapõe-se à incorporação, pelo sistema de ensino e pelo discurso dos professores, desse ritmo ao processo do ensinar-aprender e vice-versa, que reproduz, no espaço da escola ou da sala de aula, o cotidiano discursivo do “mais produzir”, “mais reagir”, “mais estar”, “mais conquistar”, “mais se localizar à frente” e “sempre em frente”, numa constante repetição de “olhe o tempo”.
O autor reflete, numa postura conscientemente humana, peculiar à sua escrita, sobre o quanto a aceleração, no discurso pedagógico, minimiza ou aniquila o processo de construção de relações de comunicação, por meio das quais professor e aluno, em cumplicidade, “enamoram-se” do saber e sua (re)construção, descobrindo, dessa maneira, o mundo em sua beleza que não pergunta, tampouco responde, todavia recria-se apaixonada, paulatina e humanamente, em sua estrutura própria, sem grandes afetações criadas por uma realidade útil e fruto de nosso trabalho, que não pode ser desconsiderada ingenuamente e que, no entanto, não pode ser determinante do ritmo humano. Não há regras e pressupostos limitadores no enlevo de aprender-ensinar. Há expectativas e desejos a serem valorizados.
Nesse sentido, o mundo da velocidade supersônica é mote, também, às reflexões de Martha Medeiros, em seu artigo “Velocidade Máxima”. O título não é mera coincidência. A referência ao filme leva o leitor a recriar na mente o tempo reafirmado, a todo instante, como o fio condutor das relações de sobrevivência nos dias de hoje. Assim, competente é o indivíduo que dobra suas ações-reflexões, superando os limites de tempo. É preciso arriscar-se e a tomada de decisões vale pela competência do indivíduo em efetivá-las no mínimo de tempo e máximo de acerto.
Para além da apelação ao tempo, que impõe um viver no ritmo acelerado e cada vez mais potente das máquinas, os autores alertam para a percepção de que o ser humano está na UTI das relações interpessoais e consigo mesmo. Afinal, a quem se busca satisfazer? Ao ritmo veloz ditado pelo consciente coletivo do mundo seduzido pela tecnologia ou aos nossos próprios desejos de (re)criar o mundo, visando a uma melhora de nossa qualidade de vida? Não é à toa que dados estatísticos mostram, cada vez mais, um ser humano debilitado física e emocionalmente. No entanto, não há como evitar essa vertigem cronológica.
Então, é preciso, como medida de valoração à criatividade, à vida mesma, a retomada do ritmo ancestral da humanidade, contraponto à artificialidade vertiginosa da vida urbana, pois à proporção que se entende que, mesmo estando, virtualmente, em todos os lugares, a todo instante, SER mais é irrefutavelmente benéfico, pois movimentar o olhar na direção de pequenos fatos, ingênuos até, pode e vivifica muito mais a capacidade criadora de melhor e mais utilmente sobreviver, já que no pôr-do-sol, no ritmo do beija-flor (acelerado, porém belo porque é de sua natureza), no ciclo das quatro estações, entoadas nas notas de Vivaldi, há uma harmonia que não foi imposta nem é comando. Ela se realiza e se reinventa, sem pré-determinismos. Dessa maneira, a desaceleração é a opção que qualitativamente engendrará vivências espirituais e físicas que privilegiem a construção de um sujeito satisfeito em suas realizações pessoais e interpessoais, ou seja, um sujeito envolvido plenamente com seu ser-estar no mundo, motivado pelo ritmo de suas conquistas acontecidas no plano de suas escolhas conscientes ou surgidas como desafio à sua própria condição de não ser o detentor pleno de seu destino. Não se pode entender isso como pólos extremos: comodismo numa ponta e ação, a curto prazo, na outra.
Assim, a forma de viver é aproximação, é comunicação, é aprendizado, é recuo e avanço, é virtude ou vício selecionado entre muitas outras possibilidades de se estar ao lado da humanidade, em primeira e última instância. Afinal, a vida não pode jamais ser submetida ao despertador do lado da cama ou ao comando do toque do celular, que anuncia um novo compromisso a cada instante. Então, lembrando Pessoa, ‘navegar é preciso“, porém não custa nada observar a paisagem que se descortina, sem grandes embates e conflitos cronológicos.
Referências
Alves, R. A Pedagogia dos Caracóis in www.revistaeducacao.com.br
Medeiros, M. Velocidade Máxima. Exame, 15 de dezembro de 1999.
A LINGUAGEM COMO CONSTITUIDORA DO SUJEITO
A revista Exame, de 03/06/1998, publicou entrevista com Sarah McGinty, àquela época, supervisora de mestrado da escola de Harvard, formada em Lingüística e Literatura. Dedicando-se a pesquisas sobre como as pessoas controlam situações por meio da linguagem, Sarah, segundo a entrevista, chegou à conclusão de que é um mito analisar a linguagem a partir de uma visão sexista, ou seja, a partir de uma diferenciação entre uma forma masculina de se expressar e uma forma feminina. Para a pesquisadora, o que determina o poder de controle de uma situação são as diferenças de linguagem. Se uma pessoa sente-se confortável diante de uma situação que exige controle, ela é objetiva, fala naturalmente com mais ênfase, mais segurança e confiança. No entanto, somente falar como quem detém o poder não é suficiente. A linguagem de quem tem poder pode e deve flexibilizar-se, já que num mundo competitivo e global, as regras do jogo são alteradas o tempo todo. E num mundo em que o necessário não é apenas diferenciar-se, e sim comprovar competência, o mais importante é observar que, na maioria das vezes, líderes obtêm resultados profícuos quando se expressam como se não detivessem poder. Dessa maneira, o estilo de linguagem pode resultar em conquistas bastante eficientes no campo da atuação e promoção profissionais.
Além desses dados, é inevitável não se perceber como a linguagem, na Era do Conhecimento, é condição sine qua non para se promover a inserção das sociedades e dos indivíduos num mundo cada vez mais diluído e sem fronteiras políticas, econômicas e culturais marcadamente concretas. O ritmo da vida contemporânea determina uma linguagem que constitui um sujeito cada vez mais envolvido com questões universais.
Nesse sentido, importante é perceber que constituído por meio dessa linguagem, o indivíduo deve também se constituir como detentor de uma identidade, baseada em suas experiências e modificadas pelas suas vivências cotidianas. Ninguém é melhor ou pior por dominar certo estilo, certa forma de linguagem. Porém, as portas do mundo global não acolhe o indivíduo que não se mobiliza nas mais diversas situações de interação por que passa todos os dias. Agir pela linguagem, persuadir, conquistar, seduzir, conhecer, dar-se a conhecer pode não ser um caminho tão complexo, quando se percebe que o mais importante são as relações estabelecidas com o outro, referindo-as a um compromisso humano de atuação na atual conjuntura social, que é dividida em tantos valores éticos, filosóficos, culturais, políticos, morais etc, que seria impossível elencá-los numa só vez. Não é exagero afirmar que em nenhum momento da história da humanidade, a linguagem desempenhou papel tão essencial quanto contemporaneamente, já que a linguagem do poder não é mais a linguagem da submissão pelo conhecimento, cristalizadamente produzido e concentrado nas mãos de poucos. Cada vez mais, os avanços tecnológicos desencadeiam processos de relações sociais imediatas com as informações e com os conhecimentos social, contemporânea e historicamente produzidos, pois é fato indiscutível que a família, as bibliotecas e as escolas e universidades, além de professores, já não são mais as referências exclusivas para obtenção de conhecimentos ou informações, porém são ainda fundamentais por organizar, selecionar e compactar essas informações e conhecimentos como nenhum outro meio ou instituição conseguiu . Nesse sentido, o ser humano pode e tem se perdido quanto aos seus valores, porém outras possibilidades de interação surgem e a demanda por uma necessidade de se dominar uma linguagem global, que comunique a todos os povos agrega-se à necessidade de se valorizar, de se respeitar os espaços geográficos naturais singulares, as culturas, as línguas, as crenças, as pequenas aldeias, as idiossincrasias, o humano enfim, pois a máquina, muito rapidamente, já se inscreveu em praticamente todos os âmbitos do cotidiano das pessoas, de modo inevitável. Porém, o humano guarda em si o gérmen da esperança e este gérmen tem como fonte a linguagem que pode ser a da justiça e a da liberdade, a da luta contra um processo acelerado de incompreensão e diluição dos relacionamentos humanos .
Diante dessas constatações, cabe enfatizar que no domínio da linguagem, a escola é espaço privilegiado de discussões, embates, enfrentamentos, e porque não dizer, exercício de poder de construção e reconstrução de identidades, o que resulta ou deveria resultar na formação de indivíduos capazes de atuar com competência e habilidades para reivindicar e fazer cumprir seus direitos ou conquistá-los, e para que possam compreender a dinâmica de respeito aos seus deveres, ampliando-se assim suas perspectivas de inserção no mundo globalizado, a partir da realidade em que se insere. Tem-se uma tarefa a cumprir, e nada é mais importante do que viabilizar a construção de uma linguagem da educação que privilegie, para além de direitos e deveres, atos de valorização ou (re)construção da identidade dos indivíduos permeados pelas relações estabelecidas por / pela linguagem. Afinal, há o velho ditado que diz: “Quem não comunica, se trumbica”, porque a linguagem pode comportar, e muitas vezes comporta, a mais perene fonte de relação de poder e domínio entre os homens.
Além desses dados, é inevitável não se perceber como a linguagem, na Era do Conhecimento, é condição sine qua non para se promover a inserção das sociedades e dos indivíduos num mundo cada vez mais diluído e sem fronteiras políticas, econômicas e culturais marcadamente concretas. O ritmo da vida contemporânea determina uma linguagem que constitui um sujeito cada vez mais envolvido com questões universais.
Nesse sentido, importante é perceber que constituído por meio dessa linguagem, o indivíduo deve também se constituir como detentor de uma identidade, baseada em suas experiências e modificadas pelas suas vivências cotidianas. Ninguém é melhor ou pior por dominar certo estilo, certa forma de linguagem. Porém, as portas do mundo global não acolhe o indivíduo que não se mobiliza nas mais diversas situações de interação por que passa todos os dias. Agir pela linguagem, persuadir, conquistar, seduzir, conhecer, dar-se a conhecer pode não ser um caminho tão complexo, quando se percebe que o mais importante são as relações estabelecidas com o outro, referindo-as a um compromisso humano de atuação na atual conjuntura social, que é dividida em tantos valores éticos, filosóficos, culturais, políticos, morais etc, que seria impossível elencá-los numa só vez. Não é exagero afirmar que em nenhum momento da história da humanidade, a linguagem desempenhou papel tão essencial quanto contemporaneamente, já que a linguagem do poder não é mais a linguagem da submissão pelo conhecimento, cristalizadamente produzido e concentrado nas mãos de poucos. Cada vez mais, os avanços tecnológicos desencadeiam processos de relações sociais imediatas com as informações e com os conhecimentos social, contemporânea e historicamente produzidos, pois é fato indiscutível que a família, as bibliotecas e as escolas e universidades, além de professores, já não são mais as referências exclusivas para obtenção de conhecimentos ou informações, porém são ainda fundamentais por organizar, selecionar e compactar essas informações e conhecimentos como nenhum outro meio ou instituição conseguiu . Nesse sentido, o ser humano pode e tem se perdido quanto aos seus valores, porém outras possibilidades de interação surgem e a demanda por uma necessidade de se dominar uma linguagem global, que comunique a todos os povos agrega-se à necessidade de se valorizar, de se respeitar os espaços geográficos naturais singulares, as culturas, as línguas, as crenças, as pequenas aldeias, as idiossincrasias, o humano enfim, pois a máquina, muito rapidamente, já se inscreveu em praticamente todos os âmbitos do cotidiano das pessoas, de modo inevitável. Porém, o humano guarda em si o gérmen da esperança e este gérmen tem como fonte a linguagem que pode ser a da justiça e a da liberdade, a da luta contra um processo acelerado de incompreensão e diluição dos relacionamentos humanos .
Diante dessas constatações, cabe enfatizar que no domínio da linguagem, a escola é espaço privilegiado de discussões, embates, enfrentamentos, e porque não dizer, exercício de poder de construção e reconstrução de identidades, o que resulta ou deveria resultar na formação de indivíduos capazes de atuar com competência e habilidades para reivindicar e fazer cumprir seus direitos ou conquistá-los, e para que possam compreender a dinâmica de respeito aos seus deveres, ampliando-se assim suas perspectivas de inserção no mundo globalizado, a partir da realidade em que se insere. Tem-se uma tarefa a cumprir, e nada é mais importante do que viabilizar a construção de uma linguagem da educação que privilegie, para além de direitos e deveres, atos de valorização ou (re)construção da identidade dos indivíduos permeados pelas relações estabelecidas por / pela linguagem. Afinal, há o velho ditado que diz: “Quem não comunica, se trumbica”, porque a linguagem pode comportar, e muitas vezes comporta, a mais perene fonte de relação de poder e domínio entre os homens.
quarta-feira, maio 17, 2006
& e &...
E quando o punhal me atravessou,
a vida emergiu
tolamente à minha boca...
Senti enjôo!
E ninguém viu que lágrimas de sal
entorpeciam a ternura.
Por quê?
Tanta
ida
tanto
sol
tanta
s o l
i d
ã
?
a vida emergiu
tolamente à minha boca...
Senti enjôo!
E ninguém viu que lágrimas de sal
entorpeciam a ternura.
Por quê?
Tanta
ida
tanto
sol
tanta
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ã
?
quarta-feira, abril 26, 2006
prof
Eles já sabiam que eu faltaria, mas quando voltei, pareceu-me que há muito não me viam. Será que sentiram falta? Não sei. E duvido sinceramente que isto possa ter acontecido.
Eu nunca vou sabê-los. Assim como eles a mim, nos supomos. Bom assim. A profissão desgasta. Porém, apresenta situações surpreendentes, engraçadas, situações de carinho, de troca, de necessidades sendo supridas, e ensina gestos de humildade, pois descobrimos que falimos quando pensamos que vencemos, e, vencemos no exato momento em que nos sentimos cair no abismo.
tem comu pra você?
não...
...fazer uma
hum.
braba vc
mesmo?
filhos:?
não.
imagine se tivesse.
rs
entendeu?
tudo bem?
sim.
Sua expressão: nada, e o risinho e o olhar de canto para o colega não deixam dúvidas...
enquanto fazia malabarismos parafrásticos para explicar a estrutura da língua (desnecessário, no entanto...), ele pensava, lembrava, discorria em sua mente sobre qualquer assunto cósmico.
Eu não estava lá, a não ser
quando me olhou e disse: quando o seu níver?
Fiquei indignada, mas segurei. Respondi.
Signo? Hum...olhar distante: "Profª Sandra, sou apaixonado".
Não entendi.
No entanto, estou certa de que a gracinha não falava da matéria. Não sei, penso que às vezes eles e elas pedem respostas, sei que confiam em mim. Eles querem só falar e ser entendidos, sem grandes teorias. Adolescentes... tsc, tsc...Se às vezes também sou uma, embora tenha aprendido a sair do meu ser eu.
Que fazer?
Allah, me ilumine!
Eu nunca vou sabê-los. Assim como eles a mim, nos supomos. Bom assim. A profissão desgasta. Porém, apresenta situações surpreendentes, engraçadas, situações de carinho, de troca, de necessidades sendo supridas, e ensina gestos de humildade, pois descobrimos que falimos quando pensamos que vencemos, e, vencemos no exato momento em que nos sentimos cair no abismo.
tem comu pra você?
não...
...fazer uma
hum.
braba vc
mesmo?
filhos:?
não.
imagine se tivesse.
rs
entendeu?
tudo bem?
sim.
Sua expressão: nada, e o risinho e o olhar de canto para o colega não deixam dúvidas...
enquanto fazia malabarismos parafrásticos para explicar a estrutura da língua (desnecessário, no entanto...), ele pensava, lembrava, discorria em sua mente sobre qualquer assunto cósmico.
Eu não estava lá, a não ser
quando me olhou e disse: quando o seu níver?
Fiquei indignada, mas segurei. Respondi.
Signo? Hum...olhar distante: "Profª Sandra, sou apaixonado".
Não entendi.
No entanto, estou certa de que a gracinha não falava da matéria. Não sei, penso que às vezes eles e elas pedem respostas, sei que confiam em mim. Eles querem só falar e ser entendidos, sem grandes teorias. Adolescentes... tsc, tsc...Se às vezes também sou uma, embora tenha aprendido a sair do meu ser eu.
Que fazer?
Allah, me ilumine!
domingo, abril 23, 2006
Os elementos básicos definidores do método maquiavélico são:
Utilitarismo – "Escrever coisa útil para quem a entenda;
Empirismo – "Procurar a verdade efetiva das coisas";
Antiutopismo – "Muitos imaginaram repúblicas e principados que jamais foram vistos"; Realismo – "Aquele que abandona aquilo que se faz por aquilo que se deveria fazer, conhece antes a ruína do que a própria preservação".
Utilitarismo – "Escrever coisa útil para quem a entenda;
Empirismo – "Procurar a verdade efetiva das coisas";
Antiutopismo – "Muitos imaginaram repúblicas e principados que jamais foram vistos"; Realismo – "Aquele que abandona aquilo que se faz por aquilo que se deveria fazer, conhece antes a ruína do que a própria preservação".
No need questions
Instigar
Instintivo
Instrumentar a alma,
refresco, aceita?
?
Para nada
E deixar por si
Clareza e opacidades
Instintivo
Instrumentar a alma,
refresco, aceita?
?
Para nada
E deixar por si
Clareza e opacidades
o dia, a noite, madrugadas
mal
bem
ninguém.
Sem dramas
eu gosto do brinquedo
torpedo
post
padre quevedo
tolo da imprensa
eu, tola trietagem
eis a liberdade
liberdade?
mal
bem
ninguém.
Sem dramas
eu gosto do brinquedo
torpedo
post
padre quevedo
tolo da imprensa
eu, tola trietagem
eis a liberdade
liberdade?
posso rir, chorar, refletir
não me cadastrar
sem intromissão,
entreter-me
ler apenas...
Nunca quis parecer
sou desprovida de pré-ajustes.
A cosmovisão servil
é um engano.
Fecho a conta,
mas sempre
e sinceramente
reabro a
página: é só bom gosto.
e sei que meu estilo cômico-depressivo-adolescente-bricolagem
pobre, ausente, normal, hormonal
é norte
que afeta a crítica.
A vida são paradoxos;
contigüidades, rupturas...
e afinal, cada um com sua ID
e eu com minha SR
sintaxe de regência
sinta-se sempre bem-vindo(a).
To you, meu anjo: Jáci
Interblogs
um inventário
vão, valha-me deus!
anonimamente lia, e
tuas metáforas
boquiabortaram de mim
bamba bomba big bang...
explosão
ex-torção
me edifico
luz solar
(in)canto
redescubro
teu ritmo
versos-frank.
vão, valha-me deus!
anonimamente lia, e
tuas metáforas
boquiabortaram de mim
bamba bomba big bang...
explosão
ex-torção
me edifico
luz solar
(in)canto
redescubro
teu ritmo
versos-frank.
sábado, abril 22, 2006
...

FETICHE
os copos
as pedras
gelo vodka
sou natasha
tua
a boca
no copo
na minha
batom
no teu
sorver
desejo
no meu olhar
cortejo
as horas
são mortas
delírio
teu convite
uísque
sem verso
que ânsia
estranha
estranho
silêncio
remanso
releio o manual
pele, trégua
paz
estive mesmo?
não confirmo
tonta, perdida
um copo
sonho
despertador me avisa:
realidade deixa a carne fria,
o cérebro em guarda
e a vida passa
enquanto
não vês que
minha boca...
possui
tua boca no copo
nas tuas pedras...
gelo adormeço...
Imagem: busca google.Pô, Dul, legal essa de brincar de ilustrar. Bem, acho que essa é resposta: no fim, tudo são só umas egobrincadeiras dessa minha forma de ver o mundo de modo sério e reflexivo. Obrigada pela dica.
domingo, abril 16, 2006
Não é caso para ignorar
Quando o tempo em que vivemos demonstra que, por perder seus caminhos com a espritulidade, o homem contemporâneo perde também sua vertente essencial: o exercício do AMAR, independente de qualquer opção: poli, mono, ...deuses, sem deuses, cem deuses.Esses homens só pediam, dentro do contexto humano em que viveram, que não perdêssemos a capacidade de SERMOS humanos, somente.
Alan e eu rs. Oh, brincadeira boa essa a nossa, né? Amor-irmão da San. Amo você.
Catarse
trinam os versos
criam os terços
lábios antigos
agradecimentos seculares
mansos de angústia
perfilam dedos afoitos
leio teu verso
espreito teu (in)verso
trincas o moral
moralizas o imoral
conversas?
desgraça!
que trinca
que trincha
que ri
do falido
reto retina
sina
"separe o joio..."
sorry, Rita
quero Maquiavel meu amigo e
Freddy Krüeger, o do mal que me seduzia,
único filme de terror que assisti por completo.
trilha, três, trio
que brio!
que frio
escárnio, devaneio
perfídia
orquídea rapace
passagem fugaz,
fuga atroz
poema, poesia
maestria no real
perde o toque
de fatal
vadiagem
bebericagem
seleção, segundo o
Houaiss: triagem.
criam os terços
lábios antigos
agradecimentos seculares
mansos de angústia
perfilam dedos afoitos
leio teu verso
espreito teu (in)verso
trincas o moral
moralizas o imoral
conversas?
desgraça!
que trinca
que trincha
que ri
do falido
reto retina
sina
"separe o joio..."
sorry, Rita
quero Maquiavel meu amigo e
Freddy Krüeger, o do mal que me seduzia,
único filme de terror que assisti por completo.
trilha, três, trio
que brio!
que frio
escárnio, devaneio
perfídia
orquídea rapace
passagem fugaz,
fuga atroz
poema, poesia
maestria no real
perde o toque
de fatal
vadiagem
bebericagem
seleção, segundo o
Houaiss: triagem.
sábado, abril 15, 2006
Vou deletar sim. rs
Não adianta. Você diz para eu deixar aqui essas bobagens todas, fictícias, porque você tem gostado de lê-las, mas você não se registra. Está bem que eu não sou assim tão incrível. E sei da sua admiração, pelo menos é o que parece. Bem, pode ser respeito. Afinal, a gente se respeita. rs
Você não vai comentar mesmo. Olha, prometo salvar aqueles textos que mais gosto, porque, como diz você, posso me arrepender depois, se apagá-los todos. Posso sentir uma saudade de lê-los. rs Prometo que farei outro blog um dia. E você sabe que o que me motivou à criação deste já é uma história estranha. Entenda, sim. Não vale mais a pena. rs E daqui, de onde estou, o passar do tempo é um vertiginoso labirinto de novidades. Grandes e serenas novidades. Amo ocê, viu? E sei que me entenderá. Beijoooooooooooooo.
San
Você não vai comentar mesmo. Olha, prometo salvar aqueles textos que mais gosto, porque, como diz você, posso me arrepender depois, se apagá-los todos. Posso sentir uma saudade de lê-los. rs Prometo que farei outro blog um dia. E você sabe que o que me motivou à criação deste já é uma história estranha. Entenda, sim. Não vale mais a pena. rs E daqui, de onde estou, o passar do tempo é um vertiginoso labirinto de novidades. Grandes e serenas novidades. Amo ocê, viu? E sei que me entenderá. Beijoooooooooooooo.
San
Mere words
Hum, bombom é bom
chocolate é bom
gosto de chocolate é bom
cacau é do Brasil
Futebol é do Brasil
português é também do brasil
eu sou do brasil
minha cor lembra chocolate
mas prefiro esse gosto-lágrima
áfrica-portugal-brasil saudade
esse enlevo de escrever qualquer
palavrararalatalatimlategregoinglêstupiceciperimacunaímacula
serpente ser gente
ser niente
um verso estridente
uma alegria de guerra e uma guerrilha pela paz...
chocolate é bom
gosto de chocolate é bom
cacau é do Brasil
Futebol é do Brasil
português é também do brasil
eu sou do brasil
minha cor lembra chocolate
mas prefiro esse gosto-lágrima
áfrica-portugal-brasil saudade
esse enlevo de escrever qualquer
palavrararalatalatimlategregoinglêstupiceciperimacunaímacula
serpente ser gente
ser niente
um verso estridente
uma alegria de guerra e uma guerrilha pela paz...
sexta-feira, abril 14, 2006
Autoria
Que é de minha originalidade?
Sutileza vaidosa
Desfiz-me na luta por ti,
E meu coração sem graça sorriu...
E ao leque perfumado de tuas palavras fez-se bobo
desprotegeu-se, e tua existência de mim se apropriou
como coisa registrada em papel timbrado,
desvelou-se em guardar-me em tua gaveta
e a ação do tempo foi breve;
deixando-me estar, esqueceste de mim.
Firma reconhecida, nada te tirou a garantia
do possuir-me,
porém nunca quiseste exercer o teu direito
e as linhas amorosas apagaram-se...
Senti-me reduzir
e agora cansa-me o pensamento de estar em ti.
Foste tão breve, e tão sempre continuas.
Que busca essa na minha íris perdida no horizonte degradê...
Que indolência essa que me condena a ti...
Que espaço este que não preenches...
Que amores aqueles que me oferecem
e que não te desfazem em mim?
Esse prazer de lençóis e carícias não me contam que partiste,
só me revelam a exaustão do corpo
e a necessidade de sentir solidão.
Teu vagar a qualquer hora não nota que a qualquer segundo
poderia estar do teu lado.
Dois a dois os braços,
dois a dois o silêncio...
Dois a dois o desejo e
dois a dois somos
amor que se perdeu no acaso.
Acaso tens visto o ocaso?
Sutileza vaidosa
Desfiz-me na luta por ti,
E meu coração sem graça sorriu...
E ao leque perfumado de tuas palavras fez-se bobo
desprotegeu-se, e tua existência de mim se apropriou
como coisa registrada em papel timbrado,
desvelou-se em guardar-me em tua gaveta
e a ação do tempo foi breve;
deixando-me estar, esqueceste de mim.
Firma reconhecida, nada te tirou a garantia
do possuir-me,
porém nunca quiseste exercer o teu direito
e as linhas amorosas apagaram-se...
Senti-me reduzir
e agora cansa-me o pensamento de estar em ti.
Foste tão breve, e tão sempre continuas.
Que busca essa na minha íris perdida no horizonte degradê...
Que indolência essa que me condena a ti...
Que espaço este que não preenches...
Que amores aqueles que me oferecem
e que não te desfazem em mim?
Esse prazer de lençóis e carícias não me contam que partiste,
só me revelam a exaustão do corpo
e a necessidade de sentir solidão.
Teu vagar a qualquer hora não nota que a qualquer segundo
poderia estar do teu lado.
Dois a dois os braços,
dois a dois o silêncio...
Dois a dois o desejo e
dois a dois somos
amor que se perdeu no acaso.
Acaso tens visto o ocaso?
Cinza
Um quarto de hotel, igual a todos.
A hora sem metáfora, a sesta
que nos desagrega e perde. A frescura
da água elemental na garganta.
A névoa tenuamente luminosa
que circunda os cegos, noite e dia.
O endereço de quem acaso morreu.
A dispersão do sonho e dos sonhos.
A nossos pés um vago Reno ou Ródano.
Um mal-estar que já se foi. Essas coisas
demasiado inconspícuas para o verso.
Jorge Luis Borges
A hora sem metáfora, a sesta
que nos desagrega e perde. A frescura
da água elemental na garganta.
A névoa tenuamente luminosa
que circunda os cegos, noite e dia.
O endereço de quem acaso morreu.
A dispersão do sonho e dos sonhos.
A nossos pés um vago Reno ou Ródano.
Um mal-estar que já se foi. Essas coisas
demasiado inconspícuas para o verso.
Jorge Luis Borges
quinta-feira, abril 13, 2006
Uma presença...
Não são as aparências que enganam, não são as presenças que se fazem distantes que nos aprisonam num sentimento de não alcance. Não são os meios-termos ou os termos totais. O que nos faz sentir um ecoar de "tudos" é, sem dúvida, a ausência. A ausência caracteriza-se pela produção do silêncio. E é exatamente este silêncio provocado, estampido que mata o "todo" de um eu reduzido a nada de tantos, que nos obriga à reentrada em nós. E estarmos em nós é tentativa evitada sem disfarce, pois estarmos em nós é uma ameaça, é um risco, é uma luta sem nenhuma possibilidade de vitória. Meu Eu é morto, porque jamais foi "uno". Como desatar-nos, como sairmos desses novelos? - dessas "novelas" editadas todos os dias por meio de nossas vivências que nos causam NÓS na garganta, gargalhadas sinceras, espontâneas ou provocadas, tristezas desmotivadas, mas que são respostas, emoções que me identificam, orientam o olhar dos demais sobre mim...? - Como, como... Como desatrelar-nos do "outro", outros de mim que estão em mim? - degenerados, covardemente heróis vivos, que preferiram sobreviver mais a viver menos, este "eus" que sou um nós? Quando eu, um ser dono de minha própria felicidade...? Quem eu, um ter realizado no ser desprovido de coragem diante do silêncio do outro que ecoa em mim, nuvem que se desfaz. Não é o retorno uma cura, e o entorno pode ser a salvação. No entanto, ainda assim há um iluminar breve que relampeja na consciência como crença, não ao início de tudo, mas o início a partir da ausência, quando o pretérito mais-que-perfeito - tu partiras quando cheguei, coração em repouso e objetividade em ação. Não há ninguém, e todos permeiam esse escrever-refletir-ter-ser objeto em construção, talentoso caminho para recriar o nunca-mais como fonte de crescimento. À dor vazia do "não" corresponde o descobrir de que em mim ecoam os relampejos deste que outrora fora, hoje jamais será. Reconstruir-me é um caminho lento, difícil, dói na maioria das vezes. No entanto, sempre me vejo um tantinho melhor, um tantão mais adulta e tão menos em feridas. Recalques expostos, a vida torna-se bem menos pesada. E se não sou aquela que esperavam, sou aquela possível na constituição diária entre deuses e pagãos, plebes e nobreza, entre o conhecimento e sua produção, entre o desejo de tese, um "criar', ilusoriamente advindo de mim. "Todo dizer repousa num já dito". Despertamos então dizendo o que nunca foi dito? Sim, se acreditássemos no contrário, estaríamos perdidos. Somos ilusoriamente origem, ilusoriamente. Afinal, se nossa voz primordialmente processasse a criação, então qual motivo teríamos para nos reportarmos aos grandes da história da evolução da criação e do conhecimneto? Ilusoriamente origem...
A presente reflexão é uma torrente de teorias, impressões da vida, estudos que tenho "gravados" na retina e intelectualmente desenvolvidos. Só estou tentando repensar toda a minha trajetória como analista de discursos. O registro dessas reflexões não é despretensioso. No entanto, é falho, eu sei. Estou em processo de construção de "falas". São visões paradoxais, pois o paradoxo é minha "sina", digamos assim. A visão que quero expressar, porém, não se baseia somente nesse sentido de aproximar contrários. Quero entender o intervalo no qual se produzem esses opostos que se assemelham. E ALLAH permita que da pós ao mestrado, um ano e meio mais, a senhorita aqui transponha mais uma etapa de sua evolução confirmando titulações que são antes e depois de tudo sua maior esperança.
A presente reflexão é uma torrente de teorias, impressões da vida, estudos que tenho "gravados" na retina e intelectualmente desenvolvidos. Só estou tentando repensar toda a minha trajetória como analista de discursos. O registro dessas reflexões não é despretensioso. No entanto, é falho, eu sei. Estou em processo de construção de "falas". São visões paradoxais, pois o paradoxo é minha "sina", digamos assim. A visão que quero expressar, porém, não se baseia somente nesse sentido de aproximar contrários. Quero entender o intervalo no qual se produzem esses opostos que se assemelham. E ALLAH permita que da pós ao mestrado, um ano e meio mais, a senhorita aqui transponha mais uma etapa de sua evolução confirmando titulações que são antes e depois de tudo sua maior esperança.
domingo, abril 09, 2006
A duas mãos, virtuais...
filosóficos nós
disfarçamos bem a solidão
será a chuva?
será o vento?
será o tempo..?
será um alento?
será um tormento
um gesto desatento?
Uma forma solitária de esquecimento?
será minha falta de talento?
será minha necessidade de entendimento?
será um desalento?
será o olhar desatento?
início de um novo movimento?
se vc quiser...eu tento..
tenta...aceito o teu invento
desde que não seja sangrento...
voltei....com vc..no pensamento...
mostre-me alento
sempre...estático ou em movimento..
sempre verdadeiro, sumarento
e sem nenhum lamento...
Nenhum, talvez um desejo louco, um terno envolvimento
um beijo depois....ou quem sabe...um adiantamento...
uma garantia de espaço, um cardíaco ensalamento
nunca um sofrimento...
nunca um impedimento
talvez aconchego
ou um chamego..
posto que agora à estrada do amor chego, não seria um convite malfazejo
a vc...meu apego...
a você, meu desejo...
Cesar e eu... rs
disfarçamos bem a solidão
será a chuva?
será o vento?
será o tempo..?
será um alento?
será um tormento
um gesto desatento?
Uma forma solitária de esquecimento?
será minha falta de talento?
será minha necessidade de entendimento?
será um desalento?
será o olhar desatento?
início de um novo movimento?
se vc quiser...eu tento..
tenta...aceito o teu invento
desde que não seja sangrento...
voltei....com vc..no pensamento...
mostre-me alento
sempre...estático ou em movimento..
sempre verdadeiro, sumarento
e sem nenhum lamento...
Nenhum, talvez um desejo louco, um terno envolvimento
um beijo depois....ou quem sabe...um adiantamento...
uma garantia de espaço, um cardíaco ensalamento
nunca um sofrimento...
nunca um impedimento
talvez aconchego
ou um chamego..
posto que agora à estrada do amor chego, não seria um convite malfazejo
a vc...meu apego...
a você, meu desejo...
Cesar e eu... rs
REVERÊNCIA AO DESTINO
Falar é completamente fácil, quando se têm palavras em mente que expressem sua opinião.Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá. Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz. Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação. Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer. Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado. Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais. Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar. Difícil é mentir para o nosso coração. Fácil é ver o que queremos enxergar.Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil. Fácil é dizer ´oi´ ou ´como vai?´. Difícil é dizer ´adeus´. Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas... Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa. Fácil é querer ser amado.Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama. Fácil é ouvir a música que toca. Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas. Fácil é ditar regras. Difícil é segui-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros. Fácil é perguntar o que se deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta. Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade. Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria. Fácil é dar um beijo.Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro. Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro. Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica. Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado. Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho. Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se eterniza, e nenhuma força jamais o resgata. Carlos Drummond de Andrade
Nubes (1)
No habrá una sola cosa que no sea
una nube. Lo son las catedrales
de vasta piedra y bíblicos cristales
que el tiempo allanará. Lo es la Odisea,
que cambia como el mar. Algo hay distinto
cada vez que la abrimos.
El reflejo de tu cara ya es otro en el espejo
y el día es un dudoso laberinto.
Somos los que se van. La numerosa
nube que se deshace en el poniente
es nuestra imagem. Incesantemente
la rosa se convierte en outra rosa.
Eres nube, eres mar, eres olvido.
Eres también aquello que has perdido.
Jorge Luis Borges
Nuvens (1)
Não haverá uma só coisa que não dê idéia
de uma nuvem. O são as catedrais
de vasta pedra e bíblicos cristais
que o tempo renderá. O é a Odisséia, que muda como o mar. Algo há de diferente
cada vez que a abrimos. O reflexo
de teu rosto já é outro no espelho
e o dia é um duvidoso labirinto.
Somos os que se vão. A numerosa nuvem que se desfaz no poente
é nossa imagem. Incessantemente
a rosa se converte em outra rosa.
És nuvem, és mar, és o esquecido.
És também aquilo que está perdido.
Jorge Luis Borges
sexta-feira, abril 07, 2006
Campainha
Se tocasse, como eu desejei, traria o mensageiro, que em mãos absolutas de oferecimento diria: "Entendo, mas tenho o direito de não aceitar".
Como fruta madura, no entanto, o desejo despenca e a realidade converte o simples num refluir de "ires" e "vires". Águas do rio de minha infância. Ah, a linguagem: constituo o teu eu e tu constitui o meu , e o recorte de nos compreendermos origem é uma necessidade ilusória de sobrevivência. Ninguém é uma comunidade, todos fazem parte dela. Afinal, de que valeria o número do CPF e do RG, se não dissesse o tempo todo: "EU"? rs
Bem, acho que caí na poeteoria; perdoem-me os doutos, d'outros teoremas. Vou refazer-me agora e quem sabe escreva algo útil da próxima vez.
Como fruta madura, no entanto, o desejo despenca e a realidade converte o simples num refluir de "ires" e "vires". Águas do rio de minha infância. Ah, a linguagem: constituo o teu eu e tu constitui o meu , e o recorte de nos compreendermos origem é uma necessidade ilusória de sobrevivência. Ninguém é uma comunidade, todos fazem parte dela. Afinal, de que valeria o número do CPF e do RG, se não dissesse o tempo todo: "EU"? rs
Bem, acho que caí na poeteoria; perdoem-me os doutos, d'outros teoremas. Vou refazer-me agora e quem sabe escreva algo útil da próxima vez.
quinta-feira, abril 06, 2006
O nunca mais...
É tão comum dizermos que NUNCA MAIS. Será que realmente percebemos o sentido deste falar?
Uma colega de trabalho morreu. Assim, dentro de quinze dias: de uma gripe a uma doença grave. Morte. Não entendo, nunca entenderei, ninguém entenderá. Em menos de quinze dias, ela estava lá: palpável, elogiei a camiseta que usava: Brasil escrito em letras azuis de lantejoulas, em clima de Copa, estava em clima de VIDA.
Que fragilidade esse existir. A que viemos? Será que teremos tempo para responder... A que estamos? Só para estarmos certos de que tudo é como a frase da música: "like a candle in the wind"? E o sopro não só nos extingue por completo. Ele instala o NADA irreversivelmente absoluto. Redundância que nos deixa tontos e frágeis, delicada pétala que o orvalho da manhã vitaliza e o pôr-do-sol sepulta, num eterno ciclo de ressurgir o gérmen de extinção e de esperança que não cabe aos nossos olhos, lentos na arte de desvendar o amor, o privilégio do ver. Dói muito a ausência que não se pode desfazer numa palavra, num pedido, num grito, num gesto, num movimento. Espanta, comove e machuca a ação da eternidade sobre mim.
Uma colega de trabalho morreu. Assim, dentro de quinze dias: de uma gripe a uma doença grave. Morte. Não entendo, nunca entenderei, ninguém entenderá. Em menos de quinze dias, ela estava lá: palpável, elogiei a camiseta que usava: Brasil escrito em letras azuis de lantejoulas, em clima de Copa, estava em clima de VIDA.
Que fragilidade esse existir. A que viemos? Será que teremos tempo para responder... A que estamos? Só para estarmos certos de que tudo é como a frase da música: "like a candle in the wind"? E o sopro não só nos extingue por completo. Ele instala o NADA irreversivelmente absoluto. Redundância que nos deixa tontos e frágeis, delicada pétala que o orvalho da manhã vitaliza e o pôr-do-sol sepulta, num eterno ciclo de ressurgir o gérmen de extinção e de esperança que não cabe aos nossos olhos, lentos na arte de desvendar o amor, o privilégio do ver. Dói muito a ausência que não se pode desfazer numa palavra, num pedido, num grito, num gesto, num movimento. Espanta, comove e machuca a ação da eternidade sobre mim.
segunda-feira, abril 03, 2006
domingo, março 12, 2006
Ilhados...
Pensando me disseste: "adeus, fica com teu pensamento..."
Vivendo pedi: "volta"?
Voltaste como estrangeiro,
jogando-me em território desconhecido;
me debati e descobri mais de mim,
e,no entanto, absorta em mim
desvencilho-me da espera
e vou condensando expectativas em escritas-catarse.
O humano em mim é inconstância porque o "outro" é de mim
tijolo-alicerce, verdades incertas,
caminhos oblíquos, cerne e digestão.
Eu não me sabia o tanto que em ti me conheci,
e na minha pessoa, Pessoa, Leminski atravessam anos antes, e surge agora uma definição-paráfrase:
"não sou, nunca fui, não serei nada... à parte isso, em mim os todos de ninguém
e os meus nadas de todos".
Vivendo pedi: "volta"?
Voltaste como estrangeiro,
jogando-me em território desconhecido;
me debati e descobri mais de mim,
e,no entanto, absorta em mim
desvencilho-me da espera
e vou condensando expectativas em escritas-catarse.
O humano em mim é inconstância porque o "outro" é de mim
tijolo-alicerce, verdades incertas,
caminhos oblíquos, cerne e digestão.
Eu não me sabia o tanto que em ti me conheci,
e na minha pessoa, Pessoa, Leminski atravessam anos antes, e surge agora uma definição-paráfrase:
"não sou, nunca fui, não serei nada... à parte isso, em mim os todos de ninguém
e os meus nadas de todos".
sábado, março 11, 2006
Paixão Antiga
São esses revezes de destino...
Reclinar-me em seu ombro, síntese de minha paz?
Tão, tão esperada...
Esse amor-busca
Que deseja pulsação-elo
Prazer e dor-saudade.
E você distância quebrada
Por meu desejo de realizar
O impossível: encontro
Pele, saliva e o sonho:
Minha ternura, sua ressurreição,
Minha cadência em versos
Seu estremecer em prosa
Final sem termo,
Recomeço sempre.
sábado, março 04, 2006
terça-feira, fevereiro 28, 2006
A 08 de março
Poucos textos afins ao Dia Internacional da Mulher lembram da realidade. E este, escrito por um padre da Igreja Católica , traz em si uma nota importante: a mulher latino-americana. E é bom "observa(e)rmos" que o Dia Internacional da Mulher surgiu de um momento trágico, porém determinante da condição do Ser mulher na sociedade contemporânea.
E nós, latino-americanas brasileiras? Que identidade temos? Em que sociedade estamos e o que interessa que saibam sobre nós? Mulatas, loiras, negras, ruivas, brancas, chinesas, japonesas, árabes etc? Amantes, sensuais, loucas, burras, intelectuais, donas de casa, incompreendidas, independentes, mães, amadas, frias, calculistas, bruxas, fadas, sereias (melhor lembrar que as bruxas, as fadas e as sereias são heranças-estereótipos femininos europeus)... Mulheres latino-americanas, que é de seu espelho? E quem as define? Cachorras, popozudas, atoladinhas?... Anjos, demônios? Ou MULHER, e que trabalho este de SER mulher: sempre tenho que responder a um tipo: nunca eu mesma. Sei-me síntese, mas não me encaixo padrão-propaganda-funk-rock-sertanejo-romântico-bossa-gueixa-batom-língua-pernas-bundas-filosofias-literaturas-marias-madalenas-linda-feia-doce-amarga-feliz-tpm-tcc-mestre-doutora. Todas nenhuma todas. Sou latino-americana e brasileira. E tenho um nome, não estou numa passarela para ser analisada como o corte e o brilho dos vestidos, a cor da maquiagem e nem o perfil da modelo-equívoco-exemplo de mulher brasileira. Ou estou? Depende de quem me vê e o que quer de mim, depende de quem eu vejo e o que quero, depende, depende. Mas no fim de tudo, constato que não lutamos para que seja diferente. E aceitamos pagar o preço, mesmo que custemos a nos encaixar ou é melhor que nos desencaixemos?
CANTO DA MULHER LATINO-AMERICANA
Descreve do jeito que bem entender
Descreve seu moço
Porém não te esqueças de acrescentar
Que eu também sei amar
Que eu também sei lutar (sonhar)
Que meu nome é mulher
Descreve meus olhos, meu corpo
Meu porte, me diz que sou forte
Que sou como a flor
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita e feita de amor
Descreve a beleza da pele morena
Me chama de loira, selvagem serena
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita e sou feita de mel
Descreve a tristeza que tenho nos olhos
Comenta a malícia que tenho no andar
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita na hora de amar
Descreve as angústias da fome e do medo
Descreve o segredo
Que eu guardo pra mim
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita, qual puro jasmim
Descreve também a tristeza que sinto
Confesso e não minto que choro de dor
Tristeza de ver humilhado o meu homem
Meus filhos com fome, meu lar sem amor
Descreve, seu moço, a mulher descontente
De ser objeto do macho e senhor
Descreve este sonho que levo na mente
De ser companheira no amor e na dor
Pe. Zezinho
CANTO DA MULHER LATINO-AMERICANA
Descreve do jeito que bem entender
Descreve seu moço
Porém não te esqueças de acrescentar
Que eu também sei amar
Que eu também sei lutar (sonhar)
Que meu nome é mulher
Descreve meus olhos, meu corpo
Meu porte, me diz que sou forte
Que sou como a flor
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita e feita de amor
Descreve a beleza da pele morena
Me chama de loira, selvagem serena
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita e sou feita de mel
Descreve a tristeza que tenho nos olhos
Comenta a malícia que tenho no andar
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita na hora de amar
Descreve as angústias da fome e do medo
Descreve o segredo
Que eu guardo pra mim
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita, qual puro jasmim
Descreve também a tristeza que sinto
Confesso e não minto que choro de dor
Tristeza de ver humilhado o meu homem
Meus filhos com fome, meu lar sem amor
Descreve, seu moço, a mulher descontente
De ser objeto do macho e senhor
Descreve este sonho que levo na mente
De ser companheira no amor e na dor
Pe. Zezinho
Notícia...
à você, maninha-amor irmã da San
Atravessada, poeta transcendeu
A lâmina, a palavra reverberou
aço, pétala e punhal
aos borbotões
borboletas púrpuras voejavam, e no fim
amanheceu pôr-do-sol.
Seu luxo é saudade do que está por nunca vir.
Double, dubla o próprio estilo
Unequívoca
Livre, são tantas e incertas
Como tão certas dão-se as mãos, cumprimentam-se
E não dizem a que vieram,
mas sabem que o existir é raro convite a criar a si mesma.
Pichação
"Nada é permanente, exceto a mudança."
isso é citação de Heráclito?
Por muito tempo, quando ainda era acadêmica da UEPG, passava pelo muro pichado e me perguntava sobre o pichador. Jovem, menino? Pichou e correu? Riu? Assustou-se? Pensou que poderia ser punido? Por isto a louca necessidade de cometer um "ato criminoso"? E ainda outro dia, passei por lá e lembrei da frase. Já não se encontra mais no muro.Acho que nem o muro existe. O mais estranho é constatar que aquele registro acompanhava-me e não foram momentos fáceis aqueles. O tempo passou. E lógico: nada é permanente, exceto a mudança... No entanto, permaneceu em minha retina aquele registro que para muitos era só um ato criminoso e irresponsável.
isso é citação de Heráclito?
Por muito tempo, quando ainda era acadêmica da UEPG, passava pelo muro pichado e me perguntava sobre o pichador. Jovem, menino? Pichou e correu? Riu? Assustou-se? Pensou que poderia ser punido? Por isto a louca necessidade de cometer um "ato criminoso"? E ainda outro dia, passei por lá e lembrei da frase. Já não se encontra mais no muro.Acho que nem o muro existe. O mais estranho é constatar que aquele registro acompanhava-me e não foram momentos fáceis aqueles. O tempo passou. E lógico: nada é permanente, exceto a mudança... No entanto, permaneceu em minha retina aquele registro que para muitos era só um ato criminoso e irresponsável.
segunda-feira, fevereiro 27, 2006
Origem
O que é uma pérola?
A pérola é fruto do sofrimento...
Diz uma lenda árabe que as pérolas representam a luz da lua nas profundezas do oceano.
A pérola é fruto do sofrimento...
Diz uma lenda árabe que as pérolas representam a luz da lua nas profundezas do oceano.
As pessoas são, em nossas vidas,
irritação que deixam pérolas
sábado, fevereiro 25, 2006
Ensaio de carnaval...
Se sambo, descambo num passo de luxo pra sulista, paranaense que sou, mas se tento ir além, emenda pior que soneto não tem.
Carnaval é do povo do outro lado, mais sol e mais samba, mais negro e mais fantasia. Que a festa os alegre, que eu por cá vou em longo descanso cair, e o relógio vai desistir por três dias de anunciar: Já é hora, acorda e recomeça.
Falta-me a raiz, que em minha origem pulsa em silêncio sangüíneo. Não me apresentaram essa batucada incandescente nesse afrouxar de sensualidade sorriso e pés movidos a um ritmo inebriante, explosão de graça e equilíbrio. O espetáculo é bonito. E embora tenha sido várias vezes confundida com as mulatas "Rita Baiana"(não sem motivo: afinal pele e quadris são exageradamente referência), não há em mim esse fluir suor melanina, não porque eu não tenha afinidades com o ritmo, o serpenteio, as evoluções, mas faltaram-me vivências. Sempre fui à escola branca, européia e na história o que era origem sempre apresentou-se como escravo e sem utilidade. Agora vejo quanto disparate. Mas sempre haverá tempo de a história desfazer seu engano. Pena que o tempo é regido pelas mãos dos que não querem acertar depois de tantos equívocos. Mas tenhamos esperança. Quem sabe. O amanhã será sempre melhor, acredito nisso sinceramente.
Carnaval é do povo do outro lado, mais sol e mais samba, mais negro e mais fantasia. Que a festa os alegre, que eu por cá vou em longo descanso cair, e o relógio vai desistir por três dias de anunciar: Já é hora, acorda e recomeça.
Falta-me a raiz, que em minha origem pulsa em silêncio sangüíneo. Não me apresentaram essa batucada incandescente nesse afrouxar de sensualidade sorriso e pés movidos a um ritmo inebriante, explosão de graça e equilíbrio. O espetáculo é bonito. E embora tenha sido várias vezes confundida com as mulatas "Rita Baiana"(não sem motivo: afinal pele e quadris são exageradamente referência), não há em mim esse fluir suor melanina, não porque eu não tenha afinidades com o ritmo, o serpenteio, as evoluções, mas faltaram-me vivências. Sempre fui à escola branca, européia e na história o que era origem sempre apresentou-se como escravo e sem utilidade. Agora vejo quanto disparate. Mas sempre haverá tempo de a história desfazer seu engano. Pena que o tempo é regido pelas mãos dos que não querem acertar depois de tantos equívocos. Mas tenhamos esperança. Quem sabe. O amanhã será sempre melhor, acredito nisso sinceramente.
Tecno relationship
???????????????????
Ih, cadê tudo que estava aqui?
Para quem não anotou, apaguei sem querer... Mas que fique a máxima do grande VAGABUNDO:
"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido verdades que insisto em dizer brincando. Sempre falei como o palhaço, mas nunca duvidei da seriedade da platéia que me sorria."
E, claro, os versos fundamentais de Renato: "sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher, sou minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina
MAS SOU MINHA, SÓ MINHA E NÃO DE QUEM QUISER..."
Além, é claro, de:
"Non, rien de rien
Non, je no regrette rien... na voz de Cássia Eller."
"Quem sabe eu 'inda sou uma garotinha
esperando o ônibus da escola, sozinha
cansada com minhas meias três quartos
rezando baixo pelos cantos
por ser uma menina má
Quem sabe o príncipe virou um chato
...
quem sabe a vida é não sonhar.
Para quem não anotou, apaguei sem querer... Mas que fique a máxima do grande VAGABUNDO:
"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido verdades que insisto em dizer brincando. Sempre falei como o palhaço, mas nunca duvidei da seriedade da platéia que me sorria."
E, claro, os versos fundamentais de Renato: "sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher, sou minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina
MAS SOU MINHA, SÓ MINHA E NÃO DE QUEM QUISER..."
Além, é claro, de:
"Non, rien de rien
Non, je no regrette rien... na voz de Cássia Eller."
"Quem sabe eu 'inda sou uma garotinha
esperando o ônibus da escola, sozinha
cansada com minhas meias três quartos
rezando baixo pelos cantos
por ser uma menina má
Quem sabe o príncipe virou um chato
...
quem sabe a vida é não sonhar.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
Soneto
A Franz Xaver Kappus
Treme sem queixa por meu coração,
sem suspiro uma dor muito sombria.
Só dos sonhos a nívea floração
é a festa de algum mais tranqüilo dia.
Tanta vez a grande interrogação
se me depara! Encolho-me, e com fria
timidez passo, como passaria
por bravo mar, sem aproximação.
Desce então sobre mim, turva amargura
como esses céus cinzentos de verão
onde uma estrela às vezes estremece.
Tateantes, minhas mãos vão à procura
do amor, buscam palavras de oração
que meu lábio deseja e não conhece.
in: Cartas a um jovem poeta. A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke. Rainer M. Rilke. Tradução de Paulo Rónai e Cecília Meireles
Treme sem queixa por meu coração,
sem suspiro uma dor muito sombria.
Só dos sonhos a nívea floração
é a festa de algum mais tranqüilo dia.
Tanta vez a grande interrogação
se me depara! Encolho-me, e com fria
timidez passo, como passaria
por bravo mar, sem aproximação.
Desce então sobre mim, turva amargura
como esses céus cinzentos de verão
onde uma estrela às vezes estremece.
Tateantes, minhas mãos vão à procura
do amor, buscam palavras de oração
que meu lábio deseja e não conhece.
in: Cartas a um jovem poeta. A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke. Rainer M. Rilke. Tradução de Paulo Rónai e Cecília Meireles
Esparsos
Não, não é a síndrome do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Acho que é só a sensação de que todas as respostas eram só as perguntas que nunca deveriam ser feitas. E as páginas que nunca geraram um encantamento mínimo. Eles nos corredores, apenas gritam e empurram-se, e ignoram qualquer batida lenta à sua porta. Não, essa geração não sabe o amor. São de uma rapidez para o fim de defrontar-se com nada. Não vêem a si mesmos. Repetem. Repetem o que lhes é oferecido em altas, e desagradáveis batidas, aos ouvidos. Nunca sonhei um conto de fadas, mas nunca pensei que tão cedo fosse ficar assim "como quem partiu ou morreu"... Eles não sabem das regras, não porque as desconhecem, e sim porque nunca as vivenciam. Apenas as repetem AOS GRITOS. Que será então de nós? Ora, escolhamos outro destino para sobreviver. Está tudo previamente organizado, o sistema e os especialistas resolveram tudo e apresentaram as soluções. Irrefutável. Qualidade falta em nós, que não temos diploma de psicologia, antes ainda,diploma de pais que educam num espaço de tempo máximo de cem minutos e mínimo de cinqüenta, trinta e oito, quarenta ingênuos olhos já corrompidos por certa música que remete à uma movimentação exagerada e deliberadamente provocante para a sua idade. E querem, à força do grito, cantá-las... Não há um valor que possa estipular a cura da letargia da alma. E se houvesse, uma vida seria muito pouco. E assim vamos: embarcações à deriva, e vai-se perdendo certo brilho. Nem a nós mesmos perguntamos se está tudo bem conosco. Qualquer progresso é um reconhecimento da individualidade deles ou do grupo em que se inserem. No vácuo dessa solidão, só planejamos. Só o tempo nos é conselheiro, mas ninguém sabe o tempo que vai levar. Até a rebeldia, programada. Logo acaba... E vazios terão que ser preenchidos. Eu sei que seria ingenuidade se lhes pedisse SILÊNCIO...
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