quinta-feira, abril 06, 2006

O nunca mais...

É tão comum dizermos que NUNCA MAIS. Será que realmente percebemos o sentido deste falar?
Uma colega de trabalho morreu. Assim, dentro de quinze dias: de uma gripe a uma doença grave. Morte. Não entendo, nunca entenderei, ninguém entenderá. Em menos de quinze dias, ela estava lá: palpável, elogiei a camiseta que usava: Brasil escrito em letras azuis de lantejoulas, em clima de Copa, estava em clima de VIDA.
Que fragilidade esse existir. A que viemos? Será que teremos tempo para responder... A que estamos? Só para estarmos certos de que tudo é como a frase da música: "like a candle in the wind"? E o sopro não só nos extingue por completo. Ele instala o NADA irreversivelmente absoluto. Redundância que nos deixa tontos e frágeis, delicada pétala que o orvalho da manhã vitaliza e o pôr-do-sol sepulta, num eterno ciclo de ressurgir o gérmen de extinção e de esperança que não cabe aos nossos olhos, lentos na arte de desvendar o amor, o privilégio do ver. Dói muito a ausência que não se pode desfazer numa palavra, num pedido, num grito, num gesto, num movimento. Espanta, comove e machuca a ação da eternidade sobre mim.

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