hoje, para mim, ela não foi poesia e me comove...
não havia chuva fina, não havia também sua voz, sotaque carioca, já um pouco conquistado pelo "e" fechado de PG; algumas l´grimas me surgiram impossíveis de serem contidas.
Ela se foi. Coisa estranha, triste...
não ia a sua casa, nem chegamos a tomar um café juntas, mas conversávamos na rua em frente a nossas casas, no ônibus.
Ela se foi como vela ao vento. era uma pessoa disposta, não se abatia pelo coração doentio que a consumia em dores.
Adeus!
inexorável destino esse nosso.
só uma certeza: seremos um dia lembrança e saudade a preencher um vazio que deixamos nos espaços que nunca tomamos por inteiro, mas que eram nossos.
Descanse em paz! há um lugar tranqüilo...
sei que há...
Porque queria encurtar a vida para tanto mais poder prolongá-la, entrei em combate e da filosofia restaram reminescências cálidas e um olhar tristemente embevecido diante do que um dia poderá vir e ser...
quarta-feira, junho 28, 2006
sexta-feira, junho 23, 2006
a teoria da evolução
morrer é ter certeza de que a felicidade é pássaro-livre
que visitou o olhar e amou seu brilho,
fascinou certa existência solitária e deu-se todo ao sabor aéreo
das correntezas das palavras
nem de ouro nem de prata...
peremptória errata!
que visitou o olhar e amou seu brilho,
fascinou certa existência solitária e deu-se todo ao sabor aéreo
das correntezas das palavras
nem de ouro nem de prata...
peremptória errata!
dois
...
navego por aqui
não nego...
perdia!
as mãos:
ambas me comovem,
me fazem delírio
e ternura;
meticulosas tecem, em compaixão,
distâncias fluidas que me reportam
a ti;
e outras, aqui muito perto, estas mãos me contam
gemidos e dor-prazer que pensei viriam de ti.
covardia a minha distar-me enquanto próxima estive;
que coragem de ti, distante e sem voltar, ainda, envolves certos sonhos
que acalentam inexperiências estelares em mim.
não, sim, talvez...
não!
e o teclado incansável acusa-me em definhamento,
pois que tua palavra-ausente reverberou processos-solidão
e há um século de ti,
menina-mulher.
MULHER!
a maior tempestade fustigou a esperança
porém, não retirou a certeza de um dia eu ter sido real e virtualmente mais feliz.
Saudades...
navego por aqui
não nego...
perdia!
as mãos:
ambas me comovem,
me fazem delírio
e ternura;
meticulosas tecem, em compaixão,
distâncias fluidas que me reportam
a ti;
e outras, aqui muito perto, estas mãos me contam
gemidos e dor-prazer que pensei viriam de ti.
covardia a minha distar-me enquanto próxima estive;
que coragem de ti, distante e sem voltar, ainda, envolves certos sonhos
que acalentam inexperiências estelares em mim.
não, sim, talvez...
não!
e o teclado incansável acusa-me em definhamento,
pois que tua palavra-ausente reverberou processos-solidão
e há um século de ti,
menina-mulher.
MULHER!
a maior tempestade fustigou a esperança
porém, não retirou a certeza de um dia eu ter sido real e virtualmente mais feliz.
Saudades...
segunda-feira, junho 12, 2006
Bem...
O cara lá navegou e pode dizer que a Terra era redonda. Aí perdemos o medo daquela coisa de tartaruga que nos carregava. O sal dos mares de Portugal? Lágrimas à hora da despedida. "Quem quiser passar pela dor..." A coisa foi tal que deu arte-poesia-maestria na palavra eterna e revisitada, mesmo por irônica provocação meditativa, distante...
Sim, é preciso...para que a humildade supere essa concepção de humildade e se faça falha, humana e bonita. Sei lá, a vida não bateu nunca duas vezes à minha porta. Então, a quem a imortalidade habita, meus aplausos. Sou pó de estrela e a elas retornarei, um dia...
Navegando...
Sim, é preciso...para que a humildade supere essa concepção de humildade e se faça falha, humana e bonita. Sei lá, a vida não bateu nunca duas vezes à minha porta. Então, a quem a imortalidade habita, meus aplausos. Sou pó de estrela e a elas retornarei, um dia...
Navegando...
domingo, junho 11, 2006
PARA AQUÉM DO RITMO, UM POUCO DE VAGAREZA...
A presente resenha é fruto da leitura comparativa entre os textos “Pedagogia dos Caracóis”, de Rubem Alves e ”Velocidade Máxima”, de Martha Medeiros.
Diante da compreensão de que a vida contemporânea somente pode ser plenamente vivida se os seres humanos estiverem num ritmo de aceleração constante, Rubem Alves, em seu artigo “A Pedagogia dos Caracóis”, contrapõe-se à incorporação, pelo sistema de ensino e pelo discurso dos professores, desse ritmo ao processo do ensinar-aprender e vice-versa, que reproduz, no espaço da escola ou da sala de aula, o cotidiano discursivo do “mais produzir”, “mais reagir”, “mais estar”, “mais conquistar”, “mais se localizar à frente” e “sempre em frente”, numa constante repetição de “olhe o tempo”.
O autor reflete, numa postura conscientemente humana, peculiar à sua escrita, sobre o quanto a aceleração, no discurso pedagógico, minimiza ou aniquila o processo de construção de relações de comunicação, por meio das quais professor e aluno, em cumplicidade, “enamoram-se” do saber e sua (re)construção, descobrindo, dessa maneira, o mundo em sua beleza que não pergunta, tampouco responde, todavia recria-se apaixonada, paulatina e humanamente, em sua estrutura própria, sem grandes afetações criadas por uma realidade útil e fruto de nosso trabalho, que não pode ser desconsiderada ingenuamente e que, no entanto, não pode ser determinante do ritmo humano. Não há regras e pressupostos limitadores no enlevo de aprender-ensinar. Há expectativas e desejos a serem valorizados.
Nesse sentido, o mundo da velocidade supersônica é mote, também, às reflexões de Martha Medeiros, em seu artigo “Velocidade Máxima”. O título não é mera coincidência. A referência ao filme leva o leitor a recriar na mente o tempo reafirmado, a todo instante, como o fio condutor das relações de sobrevivência nos dias de hoje. Assim, competente é o indivíduo que dobra suas ações-reflexões, superando os limites de tempo. É preciso arriscar-se e a tomada de decisões vale pela competência do indivíduo em efetivá-las no mínimo de tempo e máximo de acerto.
Para além da apelação ao tempo, que impõe um viver no ritmo acelerado e cada vez mais potente das máquinas, os autores alertam para a percepção de que o ser humano está na UTI das relações interpessoais e consigo mesmo. Afinal, a quem se busca satisfazer? Ao ritmo veloz ditado pelo consciente coletivo do mundo seduzido pela tecnologia ou aos nossos próprios desejos de (re)criar o mundo, visando a uma melhora de nossa qualidade de vida? Não é à toa que dados estatísticos mostram, cada vez mais, um ser humano debilitado física e emocionalmente. No entanto, não há como evitar essa vertigem cronológica.
Então, é preciso, como medida de valoração à criatividade, à vida mesma, a retomada do ritmo ancestral da humanidade, contraponto à artificialidade vertiginosa da vida urbana, pois à proporção que se entende que, mesmo estando, virtualmente, em todos os lugares, a todo instante, SER mais é irrefutavelmente benéfico, pois movimentar o olhar na direção de pequenos fatos, ingênuos até, pode e vivifica muito mais a capacidade criadora de melhor e mais utilmente sobreviver, já que no pôr-do-sol, no ritmo do beija-flor (acelerado, porém belo porque é de sua natureza), no ciclo das quatro estações, entoadas nas notas de Vivaldi, há uma harmonia que não foi imposta nem é comando. Ela se realiza e se reinventa, sem pré-determinismos. Dessa maneira, a desaceleração é a opção que qualitativamente engendrará vivências espirituais e físicas que privilegiem a construção de um sujeito satisfeito em suas realizações pessoais e interpessoais, ou seja, um sujeito envolvido plenamente com seu ser-estar no mundo, motivado pelo ritmo de suas conquistas acontecidas no plano de suas escolhas conscientes ou surgidas como desafio à sua própria condição de não ser o detentor pleno de seu destino. Não se pode entender isso como pólos extremos: comodismo numa ponta e ação, a curto prazo, na outra.
Assim, a forma de viver é aproximação, é comunicação, é aprendizado, é recuo e avanço, é virtude ou vício selecionado entre muitas outras possibilidades de se estar ao lado da humanidade, em primeira e última instância. Afinal, a vida não pode jamais ser submetida ao despertador do lado da cama ou ao comando do toque do celular, que anuncia um novo compromisso a cada instante. Então, lembrando Pessoa, ‘navegar é preciso“, porém não custa nada observar a paisagem que se descortina, sem grandes embates e conflitos cronológicos.
Referências
Alves, R. A Pedagogia dos Caracóis in www.revistaeducacao.com.br
Medeiros, M. Velocidade Máxima. Exame, 15 de dezembro de 1999.
Diante da compreensão de que a vida contemporânea somente pode ser plenamente vivida se os seres humanos estiverem num ritmo de aceleração constante, Rubem Alves, em seu artigo “A Pedagogia dos Caracóis”, contrapõe-se à incorporação, pelo sistema de ensino e pelo discurso dos professores, desse ritmo ao processo do ensinar-aprender e vice-versa, que reproduz, no espaço da escola ou da sala de aula, o cotidiano discursivo do “mais produzir”, “mais reagir”, “mais estar”, “mais conquistar”, “mais se localizar à frente” e “sempre em frente”, numa constante repetição de “olhe o tempo”.
O autor reflete, numa postura conscientemente humana, peculiar à sua escrita, sobre o quanto a aceleração, no discurso pedagógico, minimiza ou aniquila o processo de construção de relações de comunicação, por meio das quais professor e aluno, em cumplicidade, “enamoram-se” do saber e sua (re)construção, descobrindo, dessa maneira, o mundo em sua beleza que não pergunta, tampouco responde, todavia recria-se apaixonada, paulatina e humanamente, em sua estrutura própria, sem grandes afetações criadas por uma realidade útil e fruto de nosso trabalho, que não pode ser desconsiderada ingenuamente e que, no entanto, não pode ser determinante do ritmo humano. Não há regras e pressupostos limitadores no enlevo de aprender-ensinar. Há expectativas e desejos a serem valorizados.
Nesse sentido, o mundo da velocidade supersônica é mote, também, às reflexões de Martha Medeiros, em seu artigo “Velocidade Máxima”. O título não é mera coincidência. A referência ao filme leva o leitor a recriar na mente o tempo reafirmado, a todo instante, como o fio condutor das relações de sobrevivência nos dias de hoje. Assim, competente é o indivíduo que dobra suas ações-reflexões, superando os limites de tempo. É preciso arriscar-se e a tomada de decisões vale pela competência do indivíduo em efetivá-las no mínimo de tempo e máximo de acerto.
Para além da apelação ao tempo, que impõe um viver no ritmo acelerado e cada vez mais potente das máquinas, os autores alertam para a percepção de que o ser humano está na UTI das relações interpessoais e consigo mesmo. Afinal, a quem se busca satisfazer? Ao ritmo veloz ditado pelo consciente coletivo do mundo seduzido pela tecnologia ou aos nossos próprios desejos de (re)criar o mundo, visando a uma melhora de nossa qualidade de vida? Não é à toa que dados estatísticos mostram, cada vez mais, um ser humano debilitado física e emocionalmente. No entanto, não há como evitar essa vertigem cronológica.
Então, é preciso, como medida de valoração à criatividade, à vida mesma, a retomada do ritmo ancestral da humanidade, contraponto à artificialidade vertiginosa da vida urbana, pois à proporção que se entende que, mesmo estando, virtualmente, em todos os lugares, a todo instante, SER mais é irrefutavelmente benéfico, pois movimentar o olhar na direção de pequenos fatos, ingênuos até, pode e vivifica muito mais a capacidade criadora de melhor e mais utilmente sobreviver, já que no pôr-do-sol, no ritmo do beija-flor (acelerado, porém belo porque é de sua natureza), no ciclo das quatro estações, entoadas nas notas de Vivaldi, há uma harmonia que não foi imposta nem é comando. Ela se realiza e se reinventa, sem pré-determinismos. Dessa maneira, a desaceleração é a opção que qualitativamente engendrará vivências espirituais e físicas que privilegiem a construção de um sujeito satisfeito em suas realizações pessoais e interpessoais, ou seja, um sujeito envolvido plenamente com seu ser-estar no mundo, motivado pelo ritmo de suas conquistas acontecidas no plano de suas escolhas conscientes ou surgidas como desafio à sua própria condição de não ser o detentor pleno de seu destino. Não se pode entender isso como pólos extremos: comodismo numa ponta e ação, a curto prazo, na outra.
Assim, a forma de viver é aproximação, é comunicação, é aprendizado, é recuo e avanço, é virtude ou vício selecionado entre muitas outras possibilidades de se estar ao lado da humanidade, em primeira e última instância. Afinal, a vida não pode jamais ser submetida ao despertador do lado da cama ou ao comando do toque do celular, que anuncia um novo compromisso a cada instante. Então, lembrando Pessoa, ‘navegar é preciso“, porém não custa nada observar a paisagem que se descortina, sem grandes embates e conflitos cronológicos.
Referências
Alves, R. A Pedagogia dos Caracóis in www.revistaeducacao.com.br
Medeiros, M. Velocidade Máxima. Exame, 15 de dezembro de 1999.
A LINGUAGEM COMO CONSTITUIDORA DO SUJEITO
A revista Exame, de 03/06/1998, publicou entrevista com Sarah McGinty, àquela época, supervisora de mestrado da escola de Harvard, formada em Lingüística e Literatura. Dedicando-se a pesquisas sobre como as pessoas controlam situações por meio da linguagem, Sarah, segundo a entrevista, chegou à conclusão de que é um mito analisar a linguagem a partir de uma visão sexista, ou seja, a partir de uma diferenciação entre uma forma masculina de se expressar e uma forma feminina. Para a pesquisadora, o que determina o poder de controle de uma situação são as diferenças de linguagem. Se uma pessoa sente-se confortável diante de uma situação que exige controle, ela é objetiva, fala naturalmente com mais ênfase, mais segurança e confiança. No entanto, somente falar como quem detém o poder não é suficiente. A linguagem de quem tem poder pode e deve flexibilizar-se, já que num mundo competitivo e global, as regras do jogo são alteradas o tempo todo. E num mundo em que o necessário não é apenas diferenciar-se, e sim comprovar competência, o mais importante é observar que, na maioria das vezes, líderes obtêm resultados profícuos quando se expressam como se não detivessem poder. Dessa maneira, o estilo de linguagem pode resultar em conquistas bastante eficientes no campo da atuação e promoção profissionais.
Além desses dados, é inevitável não se perceber como a linguagem, na Era do Conhecimento, é condição sine qua non para se promover a inserção das sociedades e dos indivíduos num mundo cada vez mais diluído e sem fronteiras políticas, econômicas e culturais marcadamente concretas. O ritmo da vida contemporânea determina uma linguagem que constitui um sujeito cada vez mais envolvido com questões universais.
Nesse sentido, importante é perceber que constituído por meio dessa linguagem, o indivíduo deve também se constituir como detentor de uma identidade, baseada em suas experiências e modificadas pelas suas vivências cotidianas. Ninguém é melhor ou pior por dominar certo estilo, certa forma de linguagem. Porém, as portas do mundo global não acolhe o indivíduo que não se mobiliza nas mais diversas situações de interação por que passa todos os dias. Agir pela linguagem, persuadir, conquistar, seduzir, conhecer, dar-se a conhecer pode não ser um caminho tão complexo, quando se percebe que o mais importante são as relações estabelecidas com o outro, referindo-as a um compromisso humano de atuação na atual conjuntura social, que é dividida em tantos valores éticos, filosóficos, culturais, políticos, morais etc, que seria impossível elencá-los numa só vez. Não é exagero afirmar que em nenhum momento da história da humanidade, a linguagem desempenhou papel tão essencial quanto contemporaneamente, já que a linguagem do poder não é mais a linguagem da submissão pelo conhecimento, cristalizadamente produzido e concentrado nas mãos de poucos. Cada vez mais, os avanços tecnológicos desencadeiam processos de relações sociais imediatas com as informações e com os conhecimentos social, contemporânea e historicamente produzidos, pois é fato indiscutível que a família, as bibliotecas e as escolas e universidades, além de professores, já não são mais as referências exclusivas para obtenção de conhecimentos ou informações, porém são ainda fundamentais por organizar, selecionar e compactar essas informações e conhecimentos como nenhum outro meio ou instituição conseguiu . Nesse sentido, o ser humano pode e tem se perdido quanto aos seus valores, porém outras possibilidades de interação surgem e a demanda por uma necessidade de se dominar uma linguagem global, que comunique a todos os povos agrega-se à necessidade de se valorizar, de se respeitar os espaços geográficos naturais singulares, as culturas, as línguas, as crenças, as pequenas aldeias, as idiossincrasias, o humano enfim, pois a máquina, muito rapidamente, já se inscreveu em praticamente todos os âmbitos do cotidiano das pessoas, de modo inevitável. Porém, o humano guarda em si o gérmen da esperança e este gérmen tem como fonte a linguagem que pode ser a da justiça e a da liberdade, a da luta contra um processo acelerado de incompreensão e diluição dos relacionamentos humanos .
Diante dessas constatações, cabe enfatizar que no domínio da linguagem, a escola é espaço privilegiado de discussões, embates, enfrentamentos, e porque não dizer, exercício de poder de construção e reconstrução de identidades, o que resulta ou deveria resultar na formação de indivíduos capazes de atuar com competência e habilidades para reivindicar e fazer cumprir seus direitos ou conquistá-los, e para que possam compreender a dinâmica de respeito aos seus deveres, ampliando-se assim suas perspectivas de inserção no mundo globalizado, a partir da realidade em que se insere. Tem-se uma tarefa a cumprir, e nada é mais importante do que viabilizar a construção de uma linguagem da educação que privilegie, para além de direitos e deveres, atos de valorização ou (re)construção da identidade dos indivíduos permeados pelas relações estabelecidas por / pela linguagem. Afinal, há o velho ditado que diz: “Quem não comunica, se trumbica”, porque a linguagem pode comportar, e muitas vezes comporta, a mais perene fonte de relação de poder e domínio entre os homens.
Além desses dados, é inevitável não se perceber como a linguagem, na Era do Conhecimento, é condição sine qua non para se promover a inserção das sociedades e dos indivíduos num mundo cada vez mais diluído e sem fronteiras políticas, econômicas e culturais marcadamente concretas. O ritmo da vida contemporânea determina uma linguagem que constitui um sujeito cada vez mais envolvido com questões universais.
Nesse sentido, importante é perceber que constituído por meio dessa linguagem, o indivíduo deve também se constituir como detentor de uma identidade, baseada em suas experiências e modificadas pelas suas vivências cotidianas. Ninguém é melhor ou pior por dominar certo estilo, certa forma de linguagem. Porém, as portas do mundo global não acolhe o indivíduo que não se mobiliza nas mais diversas situações de interação por que passa todos os dias. Agir pela linguagem, persuadir, conquistar, seduzir, conhecer, dar-se a conhecer pode não ser um caminho tão complexo, quando se percebe que o mais importante são as relações estabelecidas com o outro, referindo-as a um compromisso humano de atuação na atual conjuntura social, que é dividida em tantos valores éticos, filosóficos, culturais, políticos, morais etc, que seria impossível elencá-los numa só vez. Não é exagero afirmar que em nenhum momento da história da humanidade, a linguagem desempenhou papel tão essencial quanto contemporaneamente, já que a linguagem do poder não é mais a linguagem da submissão pelo conhecimento, cristalizadamente produzido e concentrado nas mãos de poucos. Cada vez mais, os avanços tecnológicos desencadeiam processos de relações sociais imediatas com as informações e com os conhecimentos social, contemporânea e historicamente produzidos, pois é fato indiscutível que a família, as bibliotecas e as escolas e universidades, além de professores, já não são mais as referências exclusivas para obtenção de conhecimentos ou informações, porém são ainda fundamentais por organizar, selecionar e compactar essas informações e conhecimentos como nenhum outro meio ou instituição conseguiu . Nesse sentido, o ser humano pode e tem se perdido quanto aos seus valores, porém outras possibilidades de interação surgem e a demanda por uma necessidade de se dominar uma linguagem global, que comunique a todos os povos agrega-se à necessidade de se valorizar, de se respeitar os espaços geográficos naturais singulares, as culturas, as línguas, as crenças, as pequenas aldeias, as idiossincrasias, o humano enfim, pois a máquina, muito rapidamente, já se inscreveu em praticamente todos os âmbitos do cotidiano das pessoas, de modo inevitável. Porém, o humano guarda em si o gérmen da esperança e este gérmen tem como fonte a linguagem que pode ser a da justiça e a da liberdade, a da luta contra um processo acelerado de incompreensão e diluição dos relacionamentos humanos .
Diante dessas constatações, cabe enfatizar que no domínio da linguagem, a escola é espaço privilegiado de discussões, embates, enfrentamentos, e porque não dizer, exercício de poder de construção e reconstrução de identidades, o que resulta ou deveria resultar na formação de indivíduos capazes de atuar com competência e habilidades para reivindicar e fazer cumprir seus direitos ou conquistá-los, e para que possam compreender a dinâmica de respeito aos seus deveres, ampliando-se assim suas perspectivas de inserção no mundo globalizado, a partir da realidade em que se insere. Tem-se uma tarefa a cumprir, e nada é mais importante do que viabilizar a construção de uma linguagem da educação que privilegie, para além de direitos e deveres, atos de valorização ou (re)construção da identidade dos indivíduos permeados pelas relações estabelecidas por / pela linguagem. Afinal, há o velho ditado que diz: “Quem não comunica, se trumbica”, porque a linguagem pode comportar, e muitas vezes comporta, a mais perene fonte de relação de poder e domínio entre os homens.
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