sexta-feira, abril 14, 2006

Autoria

Que é de minha originalidade?
Sutileza vaidosa
Desfiz-me na luta por ti,
E meu coração sem graça sorriu...
E ao leque perfumado de tuas palavras fez-se bobo
desprotegeu-se, e tua existência de mim se apropriou
como coisa registrada em papel timbrado,
desvelou-se em guardar-me em tua gaveta
e a ação do tempo foi breve;
deixando-me estar, esqueceste de mim.
Firma reconhecida, nada te tirou a garantia
do possuir-me,
porém nunca quiseste exercer o teu direito
e as linhas amorosas apagaram-se...
Senti-me reduzir
e agora cansa-me o pensamento de estar em ti.
Foste tão breve, e tão sempre continuas.
Que busca essa na minha íris perdida no horizonte degradê...
Que indolência essa que me condena a ti...
Que espaço este que não preenches...
Que amores aqueles que me oferecem
e que não te desfazem em mim?
Esse prazer de lençóis e carícias não me contam que partiste,
só me revelam a exaustão do corpo
e a necessidade de sentir solidão.
Teu vagar a qualquer hora não nota que a qualquer segundo
poderia estar do teu lado.
Dois a dois os braços,
dois a dois o silêncio...
Dois a dois o desejo e
dois a dois somos
amor que se perdeu no acaso.
Acaso tens visto o ocaso?

Nenhum comentário: