domingo, dezembro 11, 2011

silêncios


qualquer sombra projetada
luzes que atravessam
a janela de meu quarto,
certa percepção
incerteza
expectativa
...
você
?

não... talvez...


desabrochando
em mim um querer
espraia-se buscando
rumores de sua existência

delicados frames
sequências confusas
palavras, suspiros
frases
tantas impressões

atmosfera onírica
 até mim traz sua presença,
traindo minha consciência...

memórias...
o som da sua voz
meu coração
num ritmado bater de acalanto
agradece a proximidade.
sua presença me acalma...


olhos entreabertos, consciência … sombras

através da janela
você...se foi?

foi? sonho... vaidade?
uma esperança ou a factual realidade

“na primeira manhã que te perdi
acordei mais...”

ah, você...você...

sem quê nem porquê
nos meus pensamentos...

rendo-me e sigo para o dia de azul céu...meu dia...

sábado, dezembro 10, 2011

tão somente...

qualquer coincidência com a mera realidade é direito de interpretação.
na minha escrita a realidade é re-inventada, apresentada pelo que seria óbvio...

seria...

a escrita é o direito que me dou de expressar a parte que não me cabe
nas relações concretas que estabeleço.
escrever é só divagar, construir quimeras e personas...

o outro eu eu mesma
mas que não me reflete 
ilustra talvez algumas imagens senso comum que percebo

algumas impressões tão "mais na cara que nos dentes", tão...
ah, Pessoa: "o poeta é um fingidor..."
e não me rendo pela consciência.

terminando, percebo o triunfante olhar do leitor
quando, me lendo, constata que tudo o que pensava
acabou encontrando revelado nas minhas palavras aqui
todas as suas impressões, tudo que seu olhar e sua mente arguta vislumbraram
desde que pousou seus sentidos em mim


porém, caro leitor, talvez tenha dito tudo isto para poupá-lo da frustração
de perceber que, me revelando, ausento-me de me exibir...
apenas e conscientemente concordo com suas impressões, com seus medos
com seu triunfo...
minha escrita apenas um gesto de humildade
solidário...
o que sou? o que pretendo?
nem eu sei...
apenas (sobre)vivo entre céus e terras, entre sim e não
entre ser e não-ser
entre ir e recuar
tranquilamente, então, prossigo.


só lhe peço calma;
os sentidos iludem
e as palavras apenas são o eco do que a verdade é...





quinta-feira, dezembro 08, 2011

clown

um sorriso
e eu...
qualquer gesto encenado
 qualquer verso cantado...
sem perceber...
gargalhada.

e na alma 
uma lágrima 
imperceptível no olhar sério
 ninguém entendeu


"persona"
e pessoa..."valeu a pena?"

pois que ainda o espero
 time after time
nem pierrot
não sou colombina

sou inteira, e tão somente
a esperança de máscaras no chão

mansamente...
tua boca, a minha!
meu corpo, tua posse!