sábado, dezembro 12, 2009

For all my life

eu...
será?
sou...
uma em dó
pena, solidão...
os copos todos não me tiraram
a certeza de que acabou...

nada nem ninguém para habitar de novo
aqui onde você tão rapidamente deixou de se aninhar

pernas incertas
e lágrimas

por quê?

ah, amor, sentimento fero, quantas me fizeste passar...

tonta e só

perdida...

tua ida me deixou assim

em altissonante ausência...

que eu fiz? - repete meu cérebro em dissonância de meu coração estúpido
ainda o ama...

e meu corpo... sente maior a angústia  - não mais ser/ter você calor e magia...

que eu fiz? - amei-o como quem não esquece de bendizer a sorte de respirar
pela saúde plena de seus pulmões.

que fiz eu? - e as lágrimas dissipam a esperança e reforçam a dor
quando encontro a coragem para admitir  a resposta:
"Tu, criatura, amaste, como quem ama a própria e inefável sorte de viver!

sábado, outubro 31, 2009

senhas

não
não quero mais a palavra fácil
estado dicionarizado

saudade...

quero-a sendo atravessada
sentidos nesses dias de tua ausência
não, não analise os investimentos
não culpes as madrugadas
atribuladas que tens
assuma um certo decair de tua crença sobre o amor
jure fidelidade à paixão assoladora
que o corrompe
e o deixa culpado
e não, não justifique..
não se agarre a mim
como eu me agarro a ti, frágil, pobre
e tão necessitada de tuas mãos

por que debochaste de meu amor assim?
por que escolheste o rosa
e me despetalaste assim sem comoção de tua parte?
por que me pensas animadora de teus dias burocráticos?
com que direito insinuas outro em minha vida
com que direito assolas meus dias com tua atenção agendada?

separemos o joio do trigo...

meu eu não se fez assim a partir tão somente de ti, mas também
não sou estúpida porque lhe sou grata

separemos o joio...

há dois momentos e eles não são interdependentes
não se empenhe em mim como ponto de fuga...

pois não me empenho em ti para me tornar mais feliz
pelo contrário...

terça-feira, outubro 27, 2009

Sem saudade, sem coberta...no tapete atrás da porta





tem dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu...(chico buarque)

sexta-feira, julho 24, 2009

Há um ano...

Há um ano, surto, me desfaço
Refaço
Condenso estripulias
Palavras generosas
Fluidas
Muitas vezes vazias das verdades que contêm...
Pelo amor...
que não se refez, mas que se descobriu Amor

Antes de a consciência que o continha
Tomasse ciência de
Sua inexpugnável existência..
Há um ano? Ou faz um dia?
Ou há segundos, desejo inteira
Inteiro o mundo
Cabendo no meu corpo pelo envolvimento de tuas mãos
Insanidade dual que afoga, arrebata, amedronta
Mata para me ressuscitar!

terça-feira, junho 09, 2009

INVESTIMENTO...

manhã
acordar, mais cedo? uma tentativa...
no amanhã, amar, para sempre? uma ilusão

meio-dia
almoço...uma caminhada. um retornar cronometrado

a tarde chega...findar de mais? um dia, ...
em casa, tv ligada e a alma, mais do que o corpo,
dilacerada pela ausência de tudo: amor-próprio
amor-outro, amor-amor...
você não vem?
sim?
então...
cinco minutos de cochilo...de novo, o coração sobressaltado
era um sonho.
as mãos e o sorriso da boca, que se desejava,
se desvanecem,
assim como o sono,
e olhar cético no corpo

eletrizado de tanta despedida...
ninguém poderá dizer que não tentou...
eles riem sempre dela, enquanto balançam a cabeça, sentindo pena...
e ele não vê que era só por amor...

Sutilmente...

SUTILMENTE
Composição: Samuel Rosa / Nando Reis

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce

Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

domingo, junho 07, 2009

Sob a luz dessa lua fria

eu sempre morro mais um dia
eu sempre nasço mais uma vez
e sempre à espera
um bom dia!
à espreita, pontada esquerda
inexplicável dor e ternura
sacode minha alma essa coisa do milagre da vida
que frágil, resiste e brilha
tão acima de mim, acima de um Nós, egoísta
insano, irresponsável...
não se conta a felicidade nos dedos
ela registra-se aqui, duramente leva
severamente punitiva...
eu sempre morro mais um dia
distante a lua fria...

quinta-feira, maio 14, 2009

Esse teu corpo...

Ah, esse teu corpo...
que dramatiza tão perfeitamente o meu
Ah, esse teu corpo que condensa meus apelos
e os faz explodir em mim prazer e dor e felicidade!

Ah, esse teu corpo...
inteireza
olhos leitores de meus desejos
mãos ávidas a me fazerem sentir o infinito
boca esperança que me faz renascer Mulher

Ah, esse teu corpo,
delineando em mim estratégias sedutoras
para que meu fôlego, perdido, suplique tua existência em mim...

Ah!...esses nossos corpos se aprendendo, se entregando, renascendo em petit morts...

Ah, o teu corpo sobre o meu, subvertendo minhas crenças
derrotando-me, tornando vencedor o Amor...

Ah, esse teu corpo presença-ausência fluida, tão real,
tão cabível nas minhas quimeras de romance e campos de girassóis...

Ah, a ilusão do teu corpo meu
do meu corpo teu
para sempre...

segunda-feira, maio 04, 2009

Tempo: esse Deus alado

o Tempo, passando, o trouxe a mim...
e feito menino travesso voou depressa quando minhas mãos tocaram teu ser
do you wanna dance?
no ritmo de nossos corações, cheguei antes mais uma vez...
ah, essa ansiedade que explode ternura saudade dor alegria dentro de mim
bombas sabor pitanga e morango
beijos sabor esperança e desejo,
nenhuma arma em nossas mãos
nenhum obstáculo
só o Tempo, Deus alado, alçou a tua proximidade de mim
de início meu Eu, tão prezado por mim, só uma taxa a mais
no fim, teu Eu, singularidade de mãos juntas no canto da cama
me dizendo hora de ir, é sempre preciso ir...
o Tempo, e suas asas rápidas, deixa-me Você sensações e saudade.
enquanto meu Eu, só mais um passageiro na poltrona 1, lugar frequentado apenas por uma esperança louca de cortar as asas do Tempo, esse menino alado, Deus travesso, cruel e sábio...

quarta-feira, abril 15, 2009

PS: I need you

Haverá um tempo, espero, em que vamos nos entender...
Será tao bom! Imagino...
Eu e você: seres distintos, mas disponíveis ao outro.
Você e eu: seres intercambiáveis, porém sem que haja nulidades.
Minha vida e a sua vida: dois modos de ser/estar no mundo.
Ah, o destino, as escolhas que fazemos. Eu não sabia que me perderia...
No cenário que me foi apresentado, eu tive certeza de que pudesse atuar na segunda fila
No entanto, num coração eu queria o lugar primeiro, porque no meu coração o teu é o lugar primeiro.

Puxa...

Nada do que não foi poderia ter sido.

"A noite caiu na minh'alma. Fiquei triste sem querer..." Drummond

domingo, abril 05, 2009

Mere words about...

I will never say: "I love you"...
It is not easy to me. Instead, it is easy to me say: "Bye!" '
'cause love you hurt me
Love is inside me. Love is me. I can't to say about me.
You're my love, are you? Am I your love, aren't I?
I don't know.
Love, love, love...What is love?

Love is...
Missing
Hurting
Happiness
Gift
Feelings...all feelings
Passion, hate
Sun
Storm
Pleasure
Love is a dictionary description...
In my soul, you exist, you make the difference...
You are perfect, we are the destiny
I will never obey...
I will give to you my best.

You are my real, special life
A way you are
The way I am
Only this is important!

I can't to dream, but I can to have you in my arms
This is unavoidable...

quinta-feira, março 19, 2009

O tato

O tato

O tato é o sentido que marca, no corpo, a divisão entre eros e tânatos. É através do tato que o amor se realiza. É no lugar do tato que a tortura acontece.


Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu abraço
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?


Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido,
Mas tão de leve! [...]


Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério
Súbito e etéreo
Que nem soubesses
Que tinha ser.

(Fernando Pessoa)

segunda-feira, março 16, 2009

ONCE UPON A TIME II

Oi! Ooii, olá! Então...Que há de novo? Nada! Tudo assim, assim. Hum...Muito trabalho, domingo a domingo...Você gosta? De quê? Disso – trabalho de domingo a... Não! Claro que não! E por quê você...Ei, pergunta difícil, não. As duas riram. Pois é. Você... Que foi? Um olhar...É? Sim, mais sério que o de costume. A vida? Tudo bem. Ele? O olhar se desvia não somente do olhar-outro, mas dela mesma. Uma festa e um sonho! Então, perfeito! Meio sorriso a concordar. Certo? Certo! Ai, você...E os óculos? pergunta entre um riso-olhar de canto. Tenho novos. Que ótimo? Quer ver? O quê? Ora! O quê...os óculos. Ah, sim! Lindos! Sim, de repente os comprei – pura catarse. Um riso largo na expressão de olhar sério. E... estremeço. Mesmo? Como nunca..."Mares nunca d'antes navegados”. Amor, é o A M O R! - minha amiga. Agora, dois risos de acordo. Você o ama? Mais que isso! Silêncio reticente. Tatuagem, volúpia, saudade, calafrios, rimas fáceis – riso tímido no olhar de brilho-luz do amanhecer. Um suspiro. O que fazer? - pergunta escondendo as lágrimas que se ensaiam no canto-olhar de desalento. Sentir, ora! Ah, a sua forma de ver as coisas. Simples assim. É, perdoe-me. Não sou você. Há diferença. Não, não se preocupe. “O Tempo: senhor da razão.” Isto, melhor não evitar. Mas...o quê? Tanta ilusão ou realidade demais? Você, só você, minha amiga, pode definir. Posso!? Riso agora claro. Rosto afogueado. Então, eu gritarei “Te amo!”. Ei, mulher, está louca?! Sorry, my friend! Eu acho que...um minuto, essa música! Sim? No silêncio que se seguiu, a cadência dos passos das duas seguiu rumos diferentes. Ela, no entanto, coração denso, explodindo no peito, absorveu os versos:

Vem a chuva, molha o meu rosto e então eu choro tanto
Minhas lágrimas e os pingos dessa chuva
Se confundem com o meu pranto
Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada
Sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada

domingo, março 15, 2009

OFERTÓRIO...

Um coração para ocupares inteiro...
Um amor para desfrutares quando assim desejares...
Um beijo para soprar, em tua boca, segredos indizíveis...
Um abraço para que te deixes enlaçar nos dias de cansaço...
Um sorriso para cortejar a esperança no teu semblante...
Mãos que se estendem a te oferecer paz e alento
comovidas a te receberem em festa...
Um olhar para alcançares, no brilho que dele se emana, a profundidade do horizonte...
Um corpo para preencheres o teu de alegria, prazer...
E para que o teu preencha-o com desejo e eternidade...
O mar para que, no equilíbrio céu-terra, sejas arrastado por ondas infindas...
a fim de que te sejas possível valorizar tua permanência em terra firme
na companhia de um outro ser distinto de ti, mas
mesmo assim, afeito a ti...
Enfim, aqui se encontra uma humana existência falha e perfeita, arrogante e sublime
A te esperar
no minuto seguinte, nos dias que se passam chuvosos, certos ou dúbios
fitando o nascer-pôr-do-sol
condensando da mente palavras
e do destino promessas de que um dia voltes...
A ti, Sunflower Grower
S & F

quarta-feira, março 11, 2009

Faz Tempo

Faz tempo que eu não sei o que é um sorriso
Livre, espontâneo
Faz tempo, muito tempo que eu preciso
Arrancar esse sorriso
Desse vão subterrâneo de dentro de mim
Faz tempo que eu só sei ficar em casa
Triste, tão sozinho
(...)
Faz tempo e quanto mais eu rememoro
Mais me calo, bebo e choro
E desespero por você
Faz muito tempo...

(MPB4)

Quando chove (Patricia Marx)



Quando olho nos teus olhos

Não vejo a luz do amor

Só as sombras do passado

Só um fogo que se apagou

A vida é assim

Nosso espelho se quebrou

É hora de se guardar

Um segredo no coração

Se chove lá fora

Queimo aqui dentro

De vontade de te abraçar, Amor

Quando chove

Fica mais triste esperar

Por alguém

Que não vai chegar

Quando ouço teu silêncio

Escuto meu coração

Bater apressado e urgente

Te querendo sem querer

Cansado de sofrer

Mas agora já é hora

Dessa chuva ir embora

domingo, março 01, 2009

À guisa de reflexão

"Às vezes as coisas coincidem com a idéia que fazemos delas; às vezes não. Quase sempre não, mas aí o tempo já passou, e então nos ocupamos de coisas novas,que se encaixam em outras famílias de coisas novas, que se encaixam em outras famílias de idéias..."

Cristóvão Tezza in: O Filho Eterno, São Paulo: Record, 2007. 3ª ed.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Inconfesso desejo

Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo
(Carlos Drummond de Andrade)

AS SEM-RAZÕES DO AMOR

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, fevereiro 14, 2009

Amado

Falei a ti das flores, angústias, amores vãos, ardores...
Explicaste a mim: condição
Revelação, resignei-me...
Não vi a mim mesma
Amava-o, via-me em ti...
Não menti, não mentiste
De repente
Onda, espuma...riso silencioso e brando...

DEFINIÇÃO

Felicidade:
Tê-lo, entre as brumas e luas
Sóis e mentes,
so la mente
anzóis
fisgando
Madrugada nascer pôr do sol

AMOR

na tua boca, esperança e sal
deixei de estar
para ser...
e em ti, tornei-me FELIZ,
MULHER, tua!
não me exijas mais!
fizeste minha história a mais bonita
e triste...
sufocam-me as lembranças
mas livremente acorrentada
vou pelos dias
a entoar no ritmo cardíaco, mansamente doloroso,
teu amado NOME
em silêncio!
repetindo a cadência de nossos corpos
plenos de prazer
e dor
e saudade.

HOMENAGEM

minha alma adentrou o abismo da entrega
de lá voou aos píncaros da sutil, mas desejada desventura...
saiba, pois, que da tua volta fez-se a minha morte
e
dos momentos angustiadamente felizes,
fênix em desatino
RENASCI...

CHEGADA

Quando se fez a certeza de que chegaria
Os ventos, em uníssono, às árvores anunciaram:
O Amor, O Amor...

Bailando por entre as folhas e as flores
Cantaram-se louvores ao desejo de Paz
Que se inicia no abraço dos amantes

E nas bocas que se unem por ternura
O amor se revela de novo
Como nunca deixara de ser!

E dos seus corpos entrelaçados
Suspiros que alimentam vida nova
Dos seus olhares transborda
A plenitude de serem unos!


Enfim, um nos braços do outro
Por um segundo
A eternidade...
Recompensa de anos de espera...

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

(E)vidência

Anoitecendo em ti, amanheci em mim.


Somos dois agora...

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Once upon a time

Once upon a time

As duas conversavam. Foi tudo bem. Algumas dificuldades. Conchinhas do mar, nascer do sol, ondas te levando. É, a vida assim quase perfeita. Houve um momento. Mesmo? Sim, ele me convidou. Pulamos a onda. Sim. O mar levou. Nossa! Mesmo?! É, achei estranho, não triste. Fazer o quê? Esperamos que as ondas trouxessem, de volta, os óculos; olhamos, pela primeira vez, nas mesmas direções em busca deles. Novinhos, carésimos! Engraçado. O mar levou! E nessa o mar levou só os óculos? Já lhe disse, levou os óculos... Ah, mas estou perguntando: "O mar levou só os óculos?!" Ah...Silêncio de pensar.