sexta-feira, abril 14, 2006

Cinza

Um quarto de hotel, igual a todos.
A hora sem metáfora, a sesta
que nos desagrega e perde. A frescura
da água elemental na garganta.
A névoa tenuamente luminosa
que circunda os cegos, noite e dia.
O endereço de quem acaso morreu.
A dispersão do sonho e dos sonhos.
A nossos pés um vago Reno ou Ródano.
Um mal-estar que já se foi. Essas coisas
demasiado inconspícuas para o verso.
Jorge Luis Borges

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