terça-feira, fevereiro 28, 2006

A 08 de março

Poucos textos afins ao Dia Internacional da Mulher lembram da realidade. E este, escrito por um padre da Igreja Católica , traz em si uma nota importante: a mulher latino-americana. E é bom "observa(e)rmos" que o Dia Internacional da Mulher surgiu de um momento trágico, porém determinante da condição do Ser mulher na sociedade contemporânea.
E nós, latino-americanas brasileiras? Que identidade temos? Em que sociedade estamos e o que interessa que saibam sobre nós? Mulatas, loiras, negras, ruivas, brancas, chinesas, japonesas, árabes etc? Amantes, sensuais, loucas, burras, intelectuais, donas de casa, incompreendidas, independentes, mães, amadas, frias, calculistas, bruxas, fadas, sereias (melhor lembrar que as bruxas, as fadas e as sereias são heranças-estereótipos femininos europeus)... Mulheres latino-americanas, que é de seu espelho? E quem as define? Cachorras, popozudas, atoladinhas?... Anjos, demônios? Ou MULHER, e que trabalho este de SER mulher: sempre tenho que responder a um tipo: nunca eu mesma. Sei-me síntese, mas não me encaixo padrão-propaganda-funk-rock-sertanejo-romântico-bossa-gueixa-batom-língua-pernas-bundas-filosofias-literaturas-marias-madalenas-linda-feia-doce-amarga-feliz-tpm-tcc-mestre-doutora. Todas nenhuma todas. Sou latino-americana e brasileira. E tenho um nome, não estou numa passarela para ser analisada como o corte e o brilho dos vestidos, a cor da maquiagem e nem o perfil da modelo-equívoco-exemplo de mulher brasileira. Ou estou? Depende de quem me vê e o que quer de mim, depende de quem eu vejo e o que quero, depende, depende. Mas no fim de tudo, constato que não lutamos para que seja diferente. E aceitamos pagar o preço, mesmo que custemos a nos encaixar ou é melhor que nos desencaixemos?

CANTO DA MULHER LATINO-AMERICANA

Descreve do jeito que bem entender
Descreve seu moço
Porém não te esqueças de acrescentar
Que eu também sei amar
Que eu também sei lutar (sonhar)
Que meu nome é mulher

Descreve meus olhos, meu corpo
Meu porte, me diz que sou forte
Que sou como a flor
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita e feita de amor
Descreve a beleza da pele morena
Me chama de loira, selvagem serena
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita e sou feita de mel

Descreve a tristeza que tenho nos olhos
Comenta a malícia que tenho no andar
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita na hora de amar

Descreve as angústias da fome e do medo
Descreve o segredo
Que eu guardo pra mim
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita, qual puro jasmim

Descreve também a tristeza que sinto
Confesso e não minto que choro de dor
Tristeza de ver humilhado o meu homem
Meus filhos com fome, meu lar sem amor

Descreve, seu moço, a mulher descontente
De ser objeto do macho e senhor
Descreve este sonho que levo na mente
De ser companheira no amor e na dor

Pe. Zezinho

Notícia...

à você, maninha-amor irmã da San
Atravessada, poeta transcendeu
A lâmina, a palavra reverberou
aço, pétala e punhal
aos borbotões
borboletas púrpuras voejavam, e no fim
amanheceu pôr-do-sol.
Seu luxo é saudade do que está por nunca vir.
Double, dubla o próprio estilo
Unequívoca
Livre, são tantas e incertas
Como tão certas dão-se as mãos, cumprimentam-se
E não dizem a que vieram,
mas sabem que o existir é raro convite a criar a si mesma.

Pichação

"Nada é permanente, exceto a mudança."
isso é citação de Heráclito?
Por muito tempo, quando ainda era acadêmica da UEPG, passava pelo muro pichado e me perguntava sobre o pichador. Jovem, menino? Pichou e correu? Riu? Assustou-se? Pensou que poderia ser punido? Por isto a louca necessidade de cometer um "ato criminoso"? E ainda outro dia, passei por lá e lembrei da frase. Já não se encontra mais no muro.Acho que nem o muro existe. O mais estranho é constatar que aquele registro acompanhava-me e não foram momentos fáceis aqueles. O tempo passou. E lógico: nada é permanente, exceto a mudança... No entanto, permaneceu em minha retina aquele registro que para muitos era só um ato criminoso e irresponsável.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Revisando...

As pessoas são irritações que deixam pérolas?

Origem

O que é uma pérola?
A pérola é fruto do sofrimento...
Diz uma lenda árabe que as pérolas representam a luz da lua nas profundezas do oceano.

As pessoas são, em nossas vidas,
irritação que deixam pérolas

maríntimo

no silêncio líquido
ostra cisma
pérolas,
ostra
cismo...

sábado, fevereiro 25, 2006

Ensaio de carnaval...

Se sambo, descambo num passo de luxo pra sulista, paranaense que sou, mas se tento ir além, emenda pior que soneto não tem.
Carnaval é do povo do outro lado, mais sol e mais samba, mais negro e mais fantasia. Que a festa os alegre, que eu por cá vou em longo descanso cair, e o relógio vai desistir por três dias de anunciar: Já é hora, acorda e recomeça.
Falta-me a raiz, que em minha origem pulsa em silêncio sangüíneo. Não me apresentaram essa batucada incandescente nesse afrouxar de sensualidade sorriso e pés movidos a um ritmo inebriante, explosão de graça e equilíbrio. O espetáculo é bonito. E embora tenha sido várias vezes confundida com as mulatas "Rita Baiana"(não sem motivo: afinal pele e quadris são exageradamente referência), não há em mim esse fluir suor melanina, não porque eu não tenha afinidades com o ritmo, o serpenteio, as evoluções, mas faltaram-me vivências. Sempre fui à escola branca, européia e na história o que era origem sempre apresentou-se como escravo e sem utilidade. Agora vejo quanto disparate. Mas sempre haverá tempo de a história desfazer seu engano. Pena que o tempo é regido pelas mãos dos que não querem acertar depois de tantos equívocos. Mas tenhamos esperança. Quem sabe. O amanhã será sempre melhor, acredito nisso sinceramente.

Tecno relationship


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SIMNÃO

A humanidade caminha a passos de verbos no infinitivo impessoal.
"I wanna a moonlight serenade."
Janelas brancas que se abram ao infinito...
e um campo de girassóis rs.

???????????????????

Ih, cadê tudo que estava aqui?
Para quem não anotou, apaguei sem querer... Mas que fique a máxima do grande VAGABUNDO:
"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido verdades que insisto em dizer brincando. Sempre falei como o palhaço, mas nunca duvidei da seriedade da platéia que me sorria."

E, claro, os versos fundamentais de Renato: "sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher, sou minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina
MAS SOU MINHA, SÓ MINHA E NÃO DE QUEM QUISER..."
Além, é claro, de:
"Non, rien de rien
Non, je no regrette rien... na voz de Cássia Eller."

"Quem sabe eu 'inda sou uma garotinha
esperando o ônibus da escola, sozinha
cansada com minhas meias três quartos
rezando baixo pelos cantos
por ser uma menina má
Quem sabe o príncipe virou um chato
...
quem sabe a vida é não sonhar.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Soneto

A Franz Xaver Kappus

Treme sem queixa por meu coração,
sem suspiro uma dor muito sombria.
Só dos sonhos a nívea floração
é a festa de algum mais tranqüilo dia.

Tanta vez a grande interrogação
se me depara! Encolho-me, e com fria
timidez passo, como passaria
por bravo mar, sem aproximação.

Desce então sobre mim, turva amargura
como esses céus cinzentos de verão
onde uma estrela às vezes estremece.

Tateantes, minhas mãos vão à procura
do amor, buscam palavras de oração
que meu lábio deseja e não conhece.

in: Cartas a um jovem poeta. A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke. Rainer M. Rilke. Tradução de Paulo Rónai e Cecília Meireles

Esparsos

Não, não é a síndrome do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Acho que é só a sensação de que todas as respostas eram só as perguntas que nunca deveriam ser feitas. E as páginas que nunca geraram um encantamento mínimo. Eles nos corredores, apenas gritam e empurram-se, e ignoram qualquer batida lenta à sua porta. Não, essa geração não sabe o amor. São de uma rapidez para o fim de defrontar-se com nada. Não vêem a si mesmos. Repetem. Repetem o que lhes é oferecido em altas, e desagradáveis batidas, aos ouvidos. Nunca sonhei um conto de fadas, mas nunca pensei que tão cedo fosse ficar assim "como quem partiu ou morreu"... Eles não sabem das regras, não porque as desconhecem, e sim porque nunca as vivenciam. Apenas as repetem AOS GRITOS. Que será então de nós? Ora, escolhamos outro destino para sobreviver. Está tudo previamente organizado, o sistema e os especialistas resolveram tudo e apresentaram as soluções. Irrefutável. Qualidade falta em nós, que não temos diploma de psicologia, antes ainda,diploma de pais que educam num espaço de tempo máximo de cem minutos e mínimo de cinqüenta, trinta e oito, quarenta ingênuos olhos já corrompidos por certa música que remete à uma movimentação exagerada e deliberadamente provocante para a sua idade. E querem, à força do grito, cantá-las... Não há um valor que possa estipular a cura da letargia da alma. E se houvesse, uma vida seria muito pouco. E assim vamos: embarcações à deriva, e vai-se perdendo certo brilho. Nem a nós mesmos perguntamos se está tudo bem conosco. Qualquer progresso é um reconhecimento da individualidade deles ou do grupo em que se inserem. No vácuo dessa solidão, só planejamos. Só o tempo nos é conselheiro, mas ninguém sabe o tempo que vai levar. Até a rebeldia, programada. Logo acaba... E vazios terão que ser preenchidos. Eu sei que seria ingenuidade se lhes pedisse SILÊNCIO...

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Curiosidade

TOC
TOC
toc
toc
t o c
t o c
toc
toc

terça-feira, fevereiro 21, 2006

In Memorian

As páginas oxigenavam sobrevida, e ela as sorvia, inspirava-as profunda e quase que diariamente. Um dia, soube:o autor estaria numa cidade próxima. Alma em êxtase, viajou para lá. Sua alegria não poderia ser maior. No primeiro olhar, ele todo para si. Até hoje buscam o autor que sumiu. Agora ela expira sobrevida e dia a dia dá à luz páginas e mais páginas. Ninguém estranha. Todo mundo lê.

Lá, lá, lá... sem sintonia

você é algo assim...
...
...mas eu não resisto a nós dois...

... tô com saudade de você debaixo do meu cobertor...

... o cravo brigou com a rosa
...
eu procuro um amor/ que seja bom pra mim...
...
De tudo ao meu amor serei atento...
...
... como é bonito ver seu (? masc. rs) lingerie jogado sobre minha calça jeans...

you're under my skin...

love doesn't here anymore...

no dia em que fui mais feliz...
eu vi um avião se espelhar
no teu olhar
até sumir...
...
amor é fogo que arde sem se ver...
...
amar e malamar
amar e desamar...
...

um rosto lindo como o verão
e um beijo aconteceu...
...
avião sem asa
fogueira sem brasa
sou eu assim sem você
...
é servir ao vencido o vencedor...

E ainda dizem que o amor é underground,
coabita espaços invisíveis a olho nu...
Então essas definições esparsas dentro de mim?
$em sentidos? rsrsrsrs

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Laços e...

abraço, afeto...
real é meu
cansaço...
fatiga a espera,
e aceito
o outro...
elo que retorna
só conforto
e deitar-me...
paz no seu
carinho enlace...
para depois.
que amanheça mais um dia
para me afastar
de tudo que traduz
o enternecer de me deparar
com o que nunca poderia...
a impossibilidade me faz
certeza de que não haverá um fim...
jamais houve um começo.

domingo, fevereiro 19, 2006

Continentes

Nós somos países,
ilhas,
ilhados no fundo do egoísmo
e ligados sem pontes nem cordas.

Pela necessidade juntos,
cada qual pra si
e todos a mim: servos em fileiras,
senhores em liteiras,
poetas sós, pintores insociáveis,
gênios loucos,
guerras externas
e massacres internos.

E nós
sobre o mesmo concreto
sob as mesmas vigas
somos ilhas no continente.

José Roberto Sechi

sábado, fevereiro 18, 2006

CONCAVIDADE

QUANDO
SEUS LÁBIOS
TOCAREM
AS
CURVAS
MAIS
CONEXAS
DO
MEU CORPO
ESTAREI
DE
NOVO
FAZENDO
AMOR
COM
OS
DEUSES
Cláudia A. Garrocini

Um sonho...

no abismo, uma flor...
cacto deserto
estufa uma orquídea
taça cristal vinho tinto
cismam na veia
lençóis de seda, tapetes, meia-luz...
a meio tempo da morte
me quedo em paz... depois,
tuas mãos sinestesia
entre as minhas coxas
deslizam
talento-poesia!
Contribuição anônima.
(18/02/06 - 6:19)

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Ambivalências...

ser...ter o SER...
CHIC
ode ao sorriso
escondido em qualquer canto da retina
acostumada à tortura das ausências
tão evitadas, e tão idealizadas pelo acaso de saber-se em erro
e deixar-se inteiro à margem do outro...
Nunca me estenderam a mão quando estive à beira do caminho
beirando descobertas...
Mas a vida não é jogo, talvez um
antes que você amanheça
e eu adormeça.

Fruição ...high definition

...com licença de eu dizer:
meu olhar de curioso viver
não se emenda...
sou uma senhorita
que também sonha humanos- sentidos.

Epílogo

...ao sentir do tato
as palavras-fiapo são,
solene porvir...
!que vivam os girassóis
e desembruteçam o poetar-recalque
de uma poetaria
fria...
sem dia a dia.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Beabá...recorte...

São bárbaros os que enrolam a verso livre
o canto simples de alguém outrora...
e se comprazem em dizerem-se,
quanto apreço pelo fugidio...
sentidos a trinchar,
uma meta?
senhores, sou discreta...
Sou...para que destoar
no gesto de amadurecer
embates apressados?...
Se tolos os mansos de utopia,
então cientes os de sábia e outorgante filosofia?
Bem sou a tola seqüência de paixão pela vida. Nunca contra bandeiras a favor...

Dentro de mim tem um vazio...

Minha vida era um palco iluminado
E eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou

E hoje, quando do Sol a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade...
...
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão...
Chão de Estrelas (música de Silvio Caldas e letra de Orestes Barbosa)

...está feito...

Pré
aceito
desaceito
o pré
conceito
...foste o eleito!

Etimologia

lucidez: diz-se da luz que tem ácido? Olhos lúcidos contra buscas google rs

Estilo

CHICOte...

...anúncio importado...será que importa?

"Separate men from boys"
falava de um perfume...Se o que há de melhor neles...Isto rs

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Como anunciar na pós-modernidade

Ofereça o colírio
MÁGOA...
vertendo lágrimas since
ramente
1960

Transverso

O exercício de perdoar aos outros é até relativamente fácil, se o comparar ao exercíco de perdoar a mim mesma. Eu sempre tento, mas acho que no fim falta tato. E tato é tudo. Nenhum olhar substitui a simbiose do tocar, do aproximar-se a ver mais de olhos fechados para mim e aberto para o outro a estender-me a mão para que haja um guia.... Nenhum gesto por mais sublime se concretiza, se a partir dele não houver o gesto de tocar, o olhar mesmo... só é olhar se sugerir que, após olhar, haja fim da distância. Hoje cumprimentei alguém pelo seu aniversário e foi um gesto de aproximar-me. Sempre o considerei tão distante, inatingível e seria meio desrespeitoso para mim fazer esse comentário, já que é casado, mas à força da celebração, cumprimentei-o, afetuosamente. Àquela quebra, num segundo, da distância do olhar ocorreu uma aproximação de humanidade e respeito e entendi que o medo era meu. As convicções e dramas eram meus. E logo depois tivemos uma conversa sobre um assunto corriqueiro da profissão e senti que era ouvida, a partir da pessoa da qual eu me permiti, mesmo motivada friamente, a me aproximar.E descobri que talvez tudo seria menos doloroso se enxergasse o outro e não a mim antes...
...eu sou Sandra Andréia, srta senhas ou San apenas e tenho pés no chão e coração no cérebro...

Gênese

...colo de mãe
beijo do amor...

César

Despert
ador
impera
dor.
...end
adeus!

terça-feira, fevereiro 14, 2006

N~o

I l
usa
o

n
~
perda
o

domingo, fevereiro 12, 2006

A mulher de 30

O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz: 'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'. Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'. E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40? Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de 30 bebe. A mulher de 30 é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40. E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha! A mulher de 30 está para se separar. Ou já se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos 40 elas arrumam o segundo e definitivo. A grande maioria tem dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar. Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar. O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia. A mulher de 30 ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou. Quando resolve, vai pra valer. Faz sexo como se fosse a última vez. A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele 20 ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30? Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência. Moram sozinhas e suas casas têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, à hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam. São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam. Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'. Ponto. Pra elas.
Crônica de Mário Prata - Revista Época

Seqüestro...

"Eu quero te roubar pra mim..." Sabe, ficam esses versos a se repetirem e minha alma-emoção, empedernida (nossa! que arcaísmo rs) reaparece com um sorriso-luz. Tanta exibição diz: "Vai lá, rouba!"
"Ele não quer ser roubado"... "Ah, tolinha rsrs, quem disse que ele tem que querer? Rouba-o."
E ficam assim desgovernando meu desejo tão bem disfarçado em metáforas, alimentando meu segredo de olhar-tela: tê-lo pra mim, só pra mim, mesmo que por um segundo, jogar-me no abismo... "A pequena morte".
"Eu quero te roubar pra mim" e transgredir toda ordem, porque o fato é que inesperadamente me peguei pensando em você e perdi o ponto de ônibus e a carona. Imagine a cena: salto 10, finíssimo, e eu caminhando por ruas sem asfalto e poeirentas. rsrsrs Por pensar em você, querer te roubar pra mim... Roubo é muito pouco: quero seqüestrá-lo com minha timidez-atrevida, minha composição mulher de Balzac, gata extraordinária (in)experiência, minha solidão sonhadora do teu abraço e meus dias iluminados de conquistas cotidianas singelas e marcadamente proletárias. Eu, te seqüestrar pra mim! Porque não dá pra encarar o toc-toc de meu coração a acordar minh'alma, evitando outra boca-sentido para adiar o beijo que virá do teu afago-precipício e de tua presença-desejo ... O fim de minha espera?

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

AAAAAhhhhhhhhhhhhhhh... rsrsrs

Bem, elas "leram" o que comentei sobre sua roupa negra, choveram e eu me molhei, que delícia! - mas agora parece que estou numa estufa, ufa! calor... calor... rsrsrsrs mas tudo é tão maravilhoso. Bem, 12:11, daqui a pouco - aulas.

Errata

Felicidade e vício mais morte: início da vida no dicionário de minha emoção. Coisa assim de se viver o novo inesperado, mas sempre perseguido, como a chuva de verão: nuvens anunciam, nossos olhos sentem alívio e dizem ao corpo: acalma, lá vem chuva. Aqui, de ontem para hoje só lindas nuvens bailando de negro no céu, a brisa tranqüilamente, pelo que posso perceber, levou-as a bem mais longe para chover... Quem sabe amanhã um banho frio a menos rsrsrs Que calor! Em PG? Aham rsrsrsrs
PS: Aquelas nuvens estão me provocando! Esse exagero de calor e as digníssimas de negro no céu ou estão de luto? Água a ameaçar cair, possibilidade morte delas vida de outras? E claro, celebração minha. Eu adoro chuva, dessas como sonho bom, ou daquelas como pesadelos. Aliás, não é lindo isso de a natureza interpretar os sonhos? E os girassóis: embalam-se pela luz. Ah, que plenitude! Belo dia, bom dia!

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Primeiro dia ... Aulas

Uma aluna da 6ª série: "Nossa, professora, como a senhora é exigente!"
Minha coordenadora: "Sandra, eles estão muito conversadores. Você é a autoridade!"
Quem tem razão? rsrsrs Não me interessa. A vida é assim e eu prefiro hoje a mediocridade simples e desprovida de grandes feitos filosófico-existenciais de minha vida à relação inerte e fria de pensamentos calculados e assassinos de certa alegria senso comum que insisti por anos em rejeitar por causa dele, o pensamento. Sou medíocre, sou acima da média no quesito inteligência, sou abaixo da média no quesito viver? Sou distante, sou presente? Nunca fui? Pouco se me revela o mundo quando penso demais. Apenas sei que a felicidade não se encontra na próxima esquina, ou na comunidade ou no orkut ou quando eu add alguém no msn (cheguei até, por um segundo, acreditar que fosse assim). Ledo engano. Felicidade é objeto mais denso e fatal. Temível, vício buscado pela ausência de ... Mata aquele que a encontrar.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

A lista

faça uma lista de grandes amigos
...
faça uma lista dos sonhos que tinha
quantos você desistiu de sonhar
quantos amores juarados pra sempre
quantos você conseguiu preservar
onde você ainda se reconhece
na foto passada ou no espelho de agora
...
quantos mistérios que você sondava
quantos você conseguiu entender
quantos segredos que você guardava
hoje são bobos ninguém quer saber
quantas mentiras você condenava
quantas você teve que cometer
quantos defeitos sanados com o tempo
eram o melhor que havia em você
...
quantas pessoas que você amava
hoje acredita que amam você
Oswaldo Montenegro

A lista

domingo, fevereiro 05, 2006

Novidades - velhas lembranças

Há uma dor aqui - talvez perda antecipada. Mas de quê? Ou de quem? Minha consciência não responde, mas a resposta já sabe. Coisa de intervalo, estava na sala, a tv ligada, o som que vinha do quarto. Um pesar me tomou e constatei no gesto de todos certa atenção. Prometi que faria e não o fiz e eles perceberam que sofreria de novo. Retornaram meu ser-menina e suas palavras roubaram de mim a solidão, porém não acalma o torvelhinho de sensações. Dia seguinte o relógio anuncia a cada segundo e quero só aquele tempo de anteontem. Formatura, antes ainda: livraria. Lembro-me - qualquer nova experiência de leitura era um fascínio que me arrebentava, me enlanguescia, me revelava. Tinha um brilho que só alguns entenderam. No entanto, hoje, A Lista. Eram tão poucos e o destino, tão maior, levou-os de mim. Sobrevivi, mas minhas mãos endureceram e os dedos não reagiram mais, e foi-me proibido escrever. Desatenta me empolguei, quase cinco anos depois, e estou aqui, esperança de que os dedos deslizem suaves; eles reaprenderam rápido. Minha alma também se locomoveu direitinho e o corpo acompanhou. Então... que espera de mim o amanhã? Quero umas flores do campo, e um bom vinho, saúde, emprego, minha mãe e irmãos e o AMOR. Querer e poder? Não, querer é viver.

Adolessenciais: 1- Bandeirante / 2 - Elo

calejadas de outras conquistas
tuas mãos... pioneiras na descoberta de meu horizonte particular.

...

no fim de semana cortei os pulsos e
deles gotejaram em amor as letras do teu nome,
a mais vital declaração do meu pecado!

É da natureza do amor - como Lucano observou há dois milênios e Francis Bacon repetiu muitos séculos depois - ser refém do destino.

... O amor é afim à transcendência; não é senão outro nome para o impulso criativo e como tal carregado de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo.
Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual a grande incógnita na equação do outro. É isso que faz o amor parecer um capricho do destino - aquele futuro estranho e misterioso, impossível de ser descrito antecipadamente, que deve ser realizado ou protelado, acelerado ou interrompido. Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao regozijo num amálgama irreversível. Abrir-se ao destino significa, em última instância, admitir a liberdade no ser: aquela liberdade que se incorpora no Outro, o companheiro no amor.
in: Amor líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos. Zygmunt Bauman

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

...

...
Não se deve deixar enganar em sua solidão, por existir algo em si que deseja sair dela. Justamente tal desejo, se dele se servir tranqüila e sossegadamente como de um instrumento, há de ajudá-lo a estender a sua solidão sobre um vasto território. Os homens, com o auxílio das convenções, resolveram tudo facilmente e pelo lado mais fácil da facilidade; mas é claro que nós devemos agarrar-nos ao difícil. Tudo que é vivo se agarra a ele, tudo na natureza cresce e se defende segundo sua maneira de ser; e faz-se coisa própria nascida de si mesmo e procura sê-lo a qualquer preço e contra qualquer resistência. Sabemos pouca coisa, mas que temos que nos agarrar ao difícil é uma certeza que não nos abandonará. É bom estar só, porque a solidão é difícil. O fato de uma coisa ser difícil deve ser um motivo a mais para que seja feita.
Amar também é bom: porque o amor é difícil. O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação.
...
R. M. Rilke