sábado, novembro 27, 2010

Minha casa


Atrás da porta
Guardo os meus sapatos
Na gaveta do armário
Coloco minhas roupas
Na estante da sala
Vejo muitos livros
E a geladeira conserva o sabor das refeições
Minha casa é meu reino
Mas eu preciso de outros sapatos
De outras roupas, outros temperos
Para formar minhas ideias e meus sentimentos
Eu sou a soma de tudo que vejo
E minha casa é um espelho
Onde a noite eu me deito e sonho com as coisas mais loucas
Sem saber porque...(Trecho da letra de Meu Reino - Biquini Cavadão)

Coisas que eu escolho para ficarem naquele canto ou nesse...
Porque lá ou ali talvez, e nem sei porquê, é pedacinho da gente posto do lado de fora...

Coisas que atulham, atravacam, são juntadas para, um dia, quem sabe, serem postas para fora da casa...
E nas paredes? Um detalhe para alguém que chega, perguntar ou se interessar.
A sala...somente uma vaguidão reservada para o que deve ser um dia...
O quarto, o banheiro, a lavanderia e a cozinha já são o que deveriam ser...
Meus olhos passeiam por eles e meu corpo se aconchega satisfeito...
Natal chegando, aff, achei um enfeite simples para eu por na minha porta, alugada, mas minha por enquanto.
E fim de ano? No Reveillon, acho que vou dormir mais cedo para chegar descansando no Novo Ano.
Ah, sei que a TV estará ligada, sem som, para eu ver a queima de fogos de lugares distantes. Puxa! - lembrei agora - pilhas do controle remoto, tive que comprar novas, mas não serviram. Melhor, então, não ligar a TV do 31 para o 1º. Após os segundos finais, queria desligar a TV para ouvir os sons de onde estou, distantes, esparsos, uma ou outra esperança mais interessada em se demonstrar sozinha para além do do coro coletivo do bailado colorido das luzes que estrondam no céu.

Novo Ano...O tempo terá passado e haverá de ser mais leve, então, essa saudade que habita aqui dentro...
E, prometo, terei a sala enfim sala: quero um sofá, uma cadeira antiga, uma estante ou coisa que pareça, uns livros sobre ela, os papéis...papéis - qual é o meu na aventura da vida?
Aahh, pensarei sobre isto no ano que vem ou no próximo minuto ou próximo ano depois do ano que vem...Cansada agora eu me sinto...
Ruas de Outono na voz de Ana Carolina
Custe o que custar



CUSTE O QUE CUSTAR
(Michael Sullivan – Paulo Massadas)
Guarde um pedacinho de você
Pra lembrar de mim a vida inteira
Pede ao coração não esquecer
Nossas emoções e brincadeiras
Sempre que você quiser estou contigo
Pra você desabafar um ombro amigo
Num cantinho, num amor, numa cabana
É possível acreditar quando se ama
Por isso
Tudo pode acontecer
Faço parte de você
Quando o coração decide não tem jeito
Sonho que sonhei pra mim
Fogo de um amor sem fim
Nada poderá mudar o que está feito
Custe o que custar
Nem que leve a vida inteira
Eu quero ter você
Só quem ama não se cansa de esperar
Como eu te amo, te amo...

sexta-feira, novembro 26, 2010

PHOENIX

Para isto os mitos: para mostrarem que é insano buscar soluções novas recorrendo às mesmas ações tomadas antes.
Tal qual a ave mitológica, devemos renascer de nós mesmos, mas sempre buscando nos tornarmos o outro de nós mesmos e melhores, espera-se, embora não se possa descartar que essa possibilidade não é total.

Recuperar-nos de nós mesmos é tarefa cruel, mas nobre. Este processo nos põe em marcha. Não adianta querermos fugir daquilo que somos, mas é profícuo nos rendermos, ao menos uma vez, ao sabor das estradas apontadas pelo destino. Mas para tanto, precisamos de vontade hercúlea, de aceitarmos com humildade o que nos apresentam as correntes da vida, as ondas da existência, as setas da experiência porque crescer dói, maltrata. Mas nos ensina a viver...e quem sabe, ser mais feliz de tal modo que possamos somar com almas outras, em qualquer parte do universo, certa alegria de viver, certo contentamento, certa batalha pelo Bem...
Voilá. "Navegar é preciso"...pois já dizia o poeta: "nada do que foi será do jeito que ja foi um dia"...e a esperança ainda sobressalta esse meu coração em desalinho...






quarta-feira, novembro 24, 2010

bittersweet lessons


1 - "voar" a 100km por hora e não sentir medo...
2 - dormir como se não estivesse acontecendo nada...
3 - abraçar como se o amanhã fosse chegar perfeito.
4 - as leis que regem o universo estão fora da métrica da poesia.
5 - há vida sob o mar, sob o gramado, dentro da gente e a gente não vê...
6 - do lado de fora, teus olhos veem a chuva cair, a onda ir, a pessoa amada
7 - do lado de dentro, outros olhos lhe observam cansados e sem esperança.
8 - quando se ama, o silêncio do lado da pessoa amada é bonito e comovente.
9 - o mar é a alma da gente que ama e ela trai...
10 - faz tanto tempo que eu não sabia que amar pudesse doer tanto...

quarta-feira, novembro 10, 2010

Trapaça...

na ironia fugaz de tuas palavras
desfaço-me estranhamento e intriga...

"águas paradas, correntes profundas..."
afoita e afeita a complexidades humanas
olho pra ti: olhos de mim e não te vejo...
toco tuas mãos, enquanto lembro você de saco cheio

de minhas metáforas, transparências ilógicas
teu nado, em mim peixe
em ti, tubarão que me devora
e me delata poesia inútil...

mas...
insisto

ingenuamente acorrentada ao caminho que tuas mãos percorrem
perfilando meu corpo-prazer, detendo-se atentas a cada gemido
que no avanço do percurso
me revelam  ansiosa à entrega.

e me pergunto: queres mesmo este efeito?



pois que tuas mãos em meu corpo tocam silêncios 
enquanto deslizando sutilezas
escrevem versos cálidos
no estertor do corpo ao gozo rendido 
...
parados...profundos...afoitos?
quem menos poesia...
quem mais metáfora?

me aproximo, então,  de ti
profundamente sonada.


e tuas mãos agora transparecem abandono...
sem ação, a trapaça se desvela ensaiada em pormenores...


E.
enfadado de metáforas minhas??


faz-me sentir as tuas...


riso bobo, bêbado, num último pensamento,


baixinho, sussurro ao teu ouvido mouco:


trapaça!!! as metá foras em mim vêm de ti, safado!







domingo, novembro 07, 2010

De repente, o amor...




esses teus olhos semi-abertos 
à minha inteira presença;
esses teus abraços, buscadores de esperança
...e de que mais?
não sei ainda...
o que faz com que eu, comovida, tenha esperança de saber...


e, paradoxal escolha, sem controle e medida
me surpreendo amando-o,
timida e enternecidamente, 
reconhecendo-o através do meu olhar que, 
fascinado pelas idas-vindas,
alcança  ilhas, ondas, mares, sol e ventos...

mas...

indecisos, teus gestos me tornam menos feliz
e desabam em mim dúvidas
que, sufocantes, me impedem
num só fôlego de morte e vida dizer a ti:
de repente, só para ser cotidiana, amo...

teu jeito amuado
teu corpo mar e céu
no meu, estrelas e fantasias
luar e ondas...

e desejo, desesperamente, ir para nunca mais,
pois que, em mim, brotam rumores primaveris
do amor que nasce 
do amor que se espraia
do amor que, inteiro, quer tomá-lo
cem anos eternamente
numa caminhada mansa 
no itinerário incerto que o destino,
na areia branca, 
soletra
sem metáforas
e que, simples assim, me convida a teu lado

até que a morte nos separe...