Porque queria encurtar a vida para tanto mais poder prolongá-la, entrei em combate e da filosofia restaram reminescências cálidas e um olhar tristemente embevecido diante do que um dia poderá vir e ser...
terça-feira, janeiro 12, 2010
...de quantas formas...
de quantas máscaras utilizei
de quantas dúvidas fui tomada
e de quantas vezes repeti teu nome
adorado nome...
tantas as vezes em que escrevi esperanças
e as guardei no canto de meu olhar
mesmo as lágrimas que correm
não escoam solidão
e saudade sentidas dor-mágoa
e não impediram que as horas- distância,
o revelassem em mim
Você, tão perfeitamente
Em ti...
Enfim, agora dói em mim o não encontro daquele que amei
Estão vazias as palavras
Estão extintas as esperanças aladas
no ritmo cardíaco de tua voz
som e silêncio
que ressoam somente confissões
previsões
tudo era tão possível de mim para ti
tudo se fez imprevisível e cotidiano
de ti para mim
como os passos que empreendi
amor e sonho
na tua direção...
sábado, dezembro 12, 2009
For all my life
será?
sou...
uma em dó
pena, solidão...
os copos todos não me tiraram
a certeza de que acabou...
nada nem ninguém para habitar de novo
aqui onde você tão rapidamente deixou de se aninhar
pernas incertas
e lágrimas
por quê?
ah, amor, sentimento fero, quantas me fizeste passar...
tonta e só
perdida...
tua ida me deixou assim
em altissonante ausência...
que eu fiz? - repete meu cérebro em dissonância de meu coração estúpido
ainda o ama...
e meu corpo... sente maior a angústia - não mais ser/ter você calor e magia...
que eu fiz? - amei-o como quem não esquece de bendizer a sorte de respirar
pela saúde plena de seus pulmões.
que fiz eu? - e as lágrimas dissipam a esperança e reforçam a dor
quando encontro a coragem para admitir a resposta:
"Tu, criatura, amaste, como quem ama a própria e inefável sorte de viver!
sábado, outubro 31, 2009
senhas
não quero mais a palavra fácil
estado dicionarizado
saudade...
quero-a sendo atravessada
sentidos nesses dias de tua ausência
não, não analise os investimentos
não culpes as madrugadas
atribuladas que tens
assuma um certo decair de tua crença sobre o amor
jure fidelidade à paixão assoladora
que o corrompe
e o deixa culpado
e não, não justifique..
não se agarre a mim
como eu me agarro a ti, frágil, pobre
e tão necessitada de tuas mãos
por que debochaste de meu amor assim?
por que escolheste o rosa
e me despetalaste assim sem comoção de tua parte?
por que me pensas animadora de teus dias burocráticos?
com que direito insinuas outro em minha vida
com que direito assolas meus dias com tua atenção agendada?
separemos o joio do trigo...
meu eu não se fez assim a partir tão somente de ti, mas também
não sou estúpida porque lhe sou grata
separemos o joio...
há dois momentos e eles não são interdependentes
não se empenhe em mim como ponto de fuga...
pois não me empenho em ti para me tornar mais feliz
pelo contrário...
terça-feira, outubro 27, 2009
Sem saudade, sem coberta...no tapete atrás da porta
tem dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu...(chico buarque)
sexta-feira, julho 24, 2009
Há um ano...
Refaço
Condenso estripulias
Palavras generosas
Fluidas
Muitas vezes vazias das verdades que contêm...
Pelo amor...
que não se refez, mas que se descobriu Amor
Antes de a consciência que o continha
Tomasse ciência de
Sua inexpugnável existência..
Há um ano? Ou faz um dia?
Ou há segundos, desejo inteira
Inteiro o mundo
Cabendo no meu corpo pelo envolvimento de tuas mãos
Insanidade dual que afoga, arrebata, amedronta
Mata para me ressuscitar!
terça-feira, junho 09, 2009
INVESTIMENTO...
acordar, mais cedo? uma tentativa...
no amanhã, amar, para sempre? uma ilusão
meio-dia
almoço...uma caminhada. um retornar cronometrado
a tarde chega...findar de mais? um dia, ...
em casa, tv ligada e a alma, mais do que o corpo,
dilacerada pela ausência de tudo: amor-próprio
amor-outro, amor-amor...
você não vem?
sim?
então...
cinco minutos de cochilo...de novo, o coração sobressaltado
era um sonho.
as mãos e o sorriso da boca, que se desejava,
se desvanecem,
assim como o sono,
e olhar cético no corpo
eletrizado de tanta despedida...
ninguém poderá dizer que não tentou...
eles riem sempre dela, enquanto balançam a cabeça, sentindo pena...
e ele não vê que era só por amor...
Sutilmente...
Composição: Samuel Rosa / Nando Reis
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
domingo, junho 07, 2009
Sob a luz dessa lua fria
eu sempre nasço mais uma vez
e sempre à espera
um bom dia!
à espreita, pontada esquerda
inexplicável dor e ternura
sacode minha alma essa coisa do milagre da vida
que frágil, resiste e brilha
tão acima de mim, acima de um Nós, egoísta
insano, irresponsável...
não se conta a felicidade nos dedos
ela registra-se aqui, duramente leva
severamente punitiva...
eu sempre morro mais um dia
distante a lua fria...
quinta-feira, maio 14, 2009
Esse teu corpo...
que dramatiza tão perfeitamente o meu
Ah, esse teu corpo que condensa meus apelos
e os faz explodir em mim prazer e dor e felicidade!
Ah, esse teu corpo...
mãos ávidas a me fazerem sentir o infinito
boca esperança que me faz renascer Mulher
Ah, esse teu corpo,
delineando em mim estratégias sedutoras
para que meu fôlego, perdido, suplique tua existência em mim...
Ah!...esses nossos corpos se aprendendo, se entregando, renascendo em petit morts...
Ah, o teu corpo sobre o meu, subvertendo minhas crenças
derrotando-me, tornando vencedor o Amor...
Ah, esse teu corpo presença-ausência fluida, tão real,
tão cabível nas minhas quimeras de romance e campos de girassóis...
Ah, a ilusão do teu corpo meu
do meu corpo teu
para sempre...
segunda-feira, maio 04, 2009
Tempo: esse Deus alado
e feito menino travesso voou depressa quando minhas mãos tocaram teu ser
do you wanna dance?
no ritmo de nossos corações, cheguei antes mais uma vez...
ah, essa ansiedade que explode ternura saudade dor alegria dentro de mim
bombas sabor pitanga e morango
beijos sabor esperança e desejo,
nenhuma arma em nossas mãos
nenhum obstáculo
só o Tempo, Deus alado, alçou a tua proximidade de mim
de início meu Eu, tão prezado por mim, só uma taxa a mais
no fim, teu Eu, singularidade de mãos juntas no canto da cama
me dizendo hora de ir, é sempre preciso ir...
o Tempo, e suas asas rápidas, deixa-me Você sensações e saudade.
enquanto meu Eu, só mais um passageiro na poltrona 1, lugar frequentado apenas por uma esperança louca de cortar as asas do Tempo, esse menino alado, Deus travesso, cruel e sábio...
quarta-feira, abril 15, 2009
PS: I need you
Será tao bom! Imagino...
Eu e você: seres distintos, mas disponíveis ao outro.
Você e eu: seres intercambiáveis, porém sem que haja nulidades.
Minha vida e a sua vida: dois modos de ser/estar no mundo.
Ah, o destino, as escolhas que fazemos. Eu não sabia que me perderia...
No cenário que me foi apresentado, eu tive certeza de que pudesse atuar na segunda fila
No entanto, num coração eu queria o lugar primeiro, porque no meu coração o teu é o lugar primeiro.
Puxa...
Nada do que não foi poderia ter sido.
"A noite caiu na minh'alma. Fiquei triste sem querer..." Drummond
domingo, abril 05, 2009
Mere words about...
It is not easy to me. Instead, it is easy to me say: "Bye!" '
'cause love you hurt me
Love is inside me. Love is me. I can't to say about me.
You're my love, are you? Am I your love, aren't I?
I don't know.
Love, love, love...What is love?
Love is...
Missing
Hurting
Happiness
Gift
Feelings...all feelings
Passion, hate
Sun
Storm
Pleasure
Love is a dictionary description...
In my soul, you exist, you make the difference...
You are perfect, we are the destiny
I will never obey...
I will give to you my best.
You are my real, special life
A way you are
The way I am
Only this is important!
I can't to dream, but I can to have you in my arms
This is unavoidable...
quinta-feira, março 19, 2009
O tato
O tato
O tato é o sentido que marca, no corpo, a divisão entre eros e tânatos. É através do tato que o amor se realiza. É no lugar do tato que a tortura acontece.
Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu abraço
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?
Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido,
Mas tão de leve! [...]
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério
Súbito e etéreo
Que nem soubesses
Que tinha ser.
(Fernando Pessoa)
segunda-feira, março 16, 2009
ONCE UPON A TIME II
Minhas lágrimas e os pingos dessa chuva
Se confundem com o meu pranto
Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada
Sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada
domingo, março 15, 2009
OFERTÓRIO...
quarta-feira, março 11, 2009
Faz Tempo
Faz tempo que eu não sei o que é um sorriso
Livre, espontâneo
Faz tempo, muito tempo que eu preciso
Arrancar esse sorriso
Desse vão subterrâneo de dentro de mim
Faz tempo que eu só sei ficar em casa
Triste, tão sozinho
(...)
Faz tempo e quanto mais eu rememoro
Mais me calo, bebo e choro
E desespero por você
Faz muito tempo...
(MPB4)
Quando chove (Patricia Marx)
domingo, março 01, 2009
À guisa de reflexão
Cristóvão Tezza in: O Filho Eterno, São Paulo: Record, 2007. 3ª ed.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Inconfesso desejo
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo
(Carlos Drummond de Andrade)
AS SEM-RAZÕES DO AMOR
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
(Carlos Drummond de Andrade)
sábado, fevereiro 14, 2009
Amado
Explicaste a mim: condição
Revelação, resignei-me...
Não vi a mim mesma
Amava-o, via-me em ti...
Não menti, não mentiste
De repente
Onda, espuma...riso silencioso e brando...
DEFINIÇÃO
Tê-lo, entre as brumas e luas
Sóis e mentes,
so la mente
anzóis
fisgando
Madrugada nascer pôr do sol
AMOR
deixei de estar
para ser...
e em ti, tornei-me FELIZ,
MULHER, tua!
não me exijas mais!
fizeste minha história a mais bonita
e triste...
sufocam-me as lembranças
mas livremente acorrentada
vou pelos dias
a entoar no ritmo cardíaco, mansamente doloroso,
teu amado NOME
em silêncio!
repetindo a cadência de nossos corpos
plenos de prazer
e dor
e saudade.
HOMENAGEM
de lá voou aos píncaros da sutil, mas desejada desventura...
saiba, pois, que da tua volta fez-se a minha morte
e
dos momentos angustiadamente felizes,
fênix em desatino
RENASCI...
CHEGADA
Os ventos, em uníssono, às árvores anunciaram:
O Amor, O Amor...
Bailando por entre as folhas e as flores
Cantaram-se louvores ao desejo de Paz
Que se inicia no abraço dos amantes
E nas bocas que se unem por ternura
O amor se revela de novo
Como nunca deixara de ser!
E dos seus corpos entrelaçados
Suspiros que alimentam vida nova
Dos seus olhares transborda
A plenitude de serem unos!
Enfim, um nos braços do outro
Por um segundo
A eternidade...
Recompensa de anos de espera...
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Once upon a time
As duas conversavam. Foi tudo bem. Algumas dificuldades. Conchinhas do mar, nascer do sol, ondas te levando. É, a vida assim quase perfeita. Houve um momento. Mesmo? Sim, ele me convidou. Pulamos a onda. Sim. O mar levou. Nossa! Mesmo?! É, achei estranho, não triste. Fazer o quê? Esperamos que as ondas trouxessem, de volta, os óculos; olhamos, pela primeira vez, nas mesmas direções em busca deles. Novinhos, carésimos! Engraçado. O mar levou! E nessa o mar levou só os óculos? Já lhe disse, levou os óculos... Ah, mas estou perguntando: "O mar levou só os óculos?!" Ah...Silêncio de pensar.
domingo, novembro 30, 2008
Sobre nuvens, mar e rios
Sonhos que queremos ter “
Humberto Gessinger
É esse o tempo...
você e eu e
não sei!
A vida, angústias e gente
e eu sempre mais feliz!
E o tempo passa e a gente vê
e não olha tanto para a frente
fica assim, acordo silencioso
paz e um tanto de prazer e segredo
somos aquilo que não queremos tanto
mas podemos
a vida não é assim tão dilacerante
nuvens de mar
e o pôr do sol
eu...rio, você
companhia
para sempre e de repente
a gente se despede.
San
Castro, é novembro, 20 e de tarde...
2008
domingo, agosto 17, 2008
DO NADA DA GENTE
Que o amor não cabe dentro...
Evola-se estrelas, luas, sóis, segundas, terças, domingos.
Tem tempo em que a gente sofre tanto que o sofrimento fica
só
solidão de dentro...
Coração, pensamentos, fígado, lágrimas contidas
Tem tempo em que a gente sonha tanto
O mundo não existe, ninguém habita em nós...
Só a paisagem delineada por um sorriso de ternura,
Na certeza da eternidade!
Tem tempo em que a gente quer facilitar
e o que faz é tornar tudo complicado
Tem tempo em que a vida já não cabe mais na gente,
mas a gente insiste em caber nela
Tem tempo em que não dá mais tempo de dizer que você ama
sua gente, sua história
E tem tempo que falta o tempo
E nas palavras, a gente extingue os dias bonitos
A gente manda embora todos aqueles dias em que fomos mais felizes...
E mesmo que tente...
Não há um retorno possível
Melhor acertar o passo
Ir por aí, olhar o horizonte
Perder o medo, não se perder pelo medo
Mas por se ter a certeza de que o que se fez foi na tentativa de se realizar o melhor...
Mesmo que a alma peça olhar de carinho, palavras de conforto e desejos de dias bem vividos...
Errante, diz o destino: “Siga! Olhe para trás e guarde aquilo que de melhor se pode viver, sentir, compreender.”
"(...) mas meu coração tornou-se menos duro quando compreendi que nem todos são culpados de sua baixeza."(IN: GORKI. A Mãe. São Paulo, Expressão Popular: 2007. p. 29
quinta-feira, maio 22, 2008
Nas voltas que eu dei no mundo
O quê? Não, não me pergunte...
A felicidade é aqui dentro que sinto, e as frustrações também.
E a vida anela-se em mim.
Estou viva, palpita em mim um dia e todos os dias como um.
Pela lei das opções, tenho feito as escolhas certas.
E tenho estado do lado das pessoas certas.
Elas são certas porque são conforto e riso, esperança e renovação.
Ah, tenho sentido saudades daquelas pessoas que um dia comigo estiveram, e que comigo trocaram idéias, sonhos, expectativas. Pessoas que me viram rir e chorar, me viram estar suspensa no ar, amedrontada, e chorosa, infeliz, feliz e realizada.
A elas quero contar: estou bem, e sinto falta de nossos momentos, de nossas histórias, de nossa ausência enquanto ainda éramos presença.
Bem, quando nos reencontrarmos, me prometam que nos abraçaremos com aquela saudade a se evolar e que nós sentiremos a maior alegria por nos sabermos felizes ao nos revermos.
Recordaremos nossos momentos de modo breve, entre perguntas de "Como você está? Filhos?, Mestrados? Doutorados? Emprego? Amores? Lugares? E lembraremos de outros...
Então, outro dia encontrei...Perguntou por você. Nossa! Puxa!
Faz tempo... Sim, faz!
Até um dia! Que bom encontrar...
Seu e-mail. Prometo contato.
Se vier aqui, avise, venha me ver."
E iremos com esse sorriso distraído e esse olhar povoado dessas pequenas lembranças e preciosos momentos..
Outro dia, numa outra hora!
Será mesmo que nos encontraremos?
O que tenho certeza é que dentro de nós, sem dúvida, moram esses que de repente se enlaçam-abraços em nosso cotidiano.
s-a-u-d-a-d-e-s!!!!!!!!!!!!!!!!!
quarta-feira, outubro 10, 2007
Solidão
sábado, julho 14, 2007
Enough
terça-feira, junho 26, 2007
Antes não tivesse...
Engraçado, perdi o controle, enquanto encontrava.
Puxa, saí passos apressados sob o estranhamento interrogativo de todos.
Angústia diluída em desejo de que tudo não passe de devaneios.
Amanhã, amanhã... Passa.
Mas ele repousou em mim, delineou-se em minhas retinas e possuiu-me com tamanha delicadeza. Vôo de borboletas e arroubos beija-flores.
Mais uma vez, como tantas outras, bati asas contra o inevitável.
Quedei-me mortal e vividamente ferida.
Agora, olhar-desvio... Medo de, talvez, me saber entregue.
A vida transborda, dolorosamente transborda em mim.
Tanto o tenho tatuado em minha pele, em meus sonhos, em meus medos...
Angústia de vivê-lo para sempre em meu abraço confundido com o seu...
domingo, março 18, 2007
Canhestro
Destino...
Visão
o mundo
mudo
violência
reverencia
o não
ausência
que repete
o valor de
tantos
tantas
coisas: deus, flor
fila
formiga
gente
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
domingo, dezembro 31, 2006
domingo, novembro 12, 2006
Cupido às avessas
A poltrona do avião. Deixara-se levar por uma tal angústia que, sem um mínimo de auto-crítica, decidiu. Bobagem... Agora ou jamais. Parecia-lhe, de repente, que seus dias estavam para acabar. Não porque estivesse com ânsia de morrer, passasse por algum transtorno que a levasse a vislumbrar um fim permanente. Como se o fim não fosse permanente.
E ele... tão incrível, tão cabível em seus desejos. Só um número de telefone, só o nome da cidade onde morava.
Prometia-se: "Só desta vez!" Ria-se por inteira, mas era um riso para dentro, sua alma pululava de emoção. Não se repetiria jamais aquele não-sei-quê de desejo sem sabor, nem metáfora que pudesse tornar palpável, ainda que apenas poeticamente, a sua expectativa. Sabia-o tão... tão... Faltavam-lhe os adjetivos concretos e, objetiva que era, não se permitia inventar um vocabulário emprestado dos romances água-com-açúcar que lera na adolescência. Esboçou um riso-discreto, deboche de si mesma. Quem saberia dizer o que é um romance água com açúcar? Bobagem!Preferia não se distrair tanto. Só queria vê-lo, torná-lo certa lembrança que causa saudade pelo que tinha sido, não pelo que poderia ser.
A aterrissagem acelerou ainda mais seus nervos, arrepiou-se num misto de medo e ternura.
O táxi... "Para onde?" Nem imaginava. Falou da praça principal da cidade. Ele tinha comentado algo. Esses detalhes surgiam em vaga lembrança. Enquanto percorriam a cidade, não conseguia fixar seu pensamento em nada. Esvaziara-se por completo. Provavelmente o motorista a percebia absorta, em si mesma ou para além de si mesma. O homem aproveitou-se. Rodou, rodou...
Pagou o táxi mecanicamante.
Somente quando pisou a praça, a consciência de estar em lugar nenhum a fez de novo estremecer - um medo real.
O número. Discou-o rapidamente. Foram longos minutos de espera, embora tenha, quase que imediatamente, sido atendida. Pensou em dizer que estava na cidade, na praça. Envergonhou-se, gaguejou. Do outro lado, ouviu um pedido de calma. Foi como bálsamo. Então, de uma só vez, e com uma clareza que a surpreendeu, disse tudo. Silêncio. Pediu desculpas, disse que não era nenhuma louca, que ele não se preocupasse. Iria imediatamente procurar um lugar para dormir. Dia seguinte já estaria voltando para casa. A voz dele, hesitante, perguntou onde ela estava. Explicou. Logo viria, Ela precisava esperar só um minuto. "Vou buscar a ..." Interrompeu-se de súbito. Ela, tomada de um estado pleno que nunca tinha antes vivido, concordou.
Sentou-se num banco da praça. Já ia escurecendo. De novo, veio-lhe a sensação de que seus dias... Afastou a sensação, mais uma idéia incômoda. Falou consigo mesma que era medo.
De repente, seu telefone... A voz dele e ela foi inundada por uma explosão cósmica... mar de estrelas. Então, onde estava ela? Ele já havia chegado. Melhor que se apressasse. Era muito perigoso aquele lugar, estava escuro.
Sentiu-se ferver diante da possibilidade de encontrá-lo, tocá-lo, vê-lo. Doía-lhe o peito, seu sangue parecia jorrar e pareceu-lhe ouvir ensurdecedor estrondo. Sem desligar o telefone, com voz trêmula, explicou a ele. Sob a árvore mais frondosa... Ela e suas malas. "Ah, sim. Já vejo você."
Olhou ao redor, procurando-o. Quando o viu, a noite inundou-lhe a vista. Estava cega. E tonta... Fraquejaram suas pernas. Seu coração batia de manso, tão mansinho que teve a sensação de morrer. Caiu nos braços dele. Abriu os olhos. E exalou seu último suspiro.
Dia seguinte, ele segurava, consternado, a página do jornal. Na manchete: "BALA PERDIDA faz mais uma vítima."
terça-feira, setembro 26, 2006
Happy end
nascemos um para o outro
agora só falta quem nos apresente
Meu futuro amor passeia — literalmente — nos
sábado, setembro 16, 2006
Dando um tempo...
sorriso puro da criança de rua
pétala-parto da luz néon.
Doce inocência
Irônica existência
Tantas e tão uma
Juro que não tive tempo
Antes queria, mas
Cíclico, o relógio contra. Então,
Inspiração motivou solidão...
sexta-feira, setembro 08, 2006
Eu queria ter escrito naquele dia...
sábado, setembro 02, 2006
Princesa - OFF time
sábado, agosto 26, 2006
Instiga-me
a um verso,
a um abismo...
a uma música;
a tua voz.
a uma trilha
seguir
qualquer entrelinha doce
um encontro
simbiose
você
eu
tantos outros
instiga-me a cegá-lo
raptá-lo em noite cálida
sob o peso de meu desejo sem nexo
instiga-me a não querer mais que o dia
e queda em seus braços
tua, morreria
instiga-me a não ver-te
pura transformação que é sempre mesma
e tão outra.
instiga-me a não adivinhá-lo
nos meus sonhos,
instiga-me a não confundi-lo
na multidão
aquele jeito tão seu
eu ainda o trago aqui
instiga-me a não esperança
e ilusões
finda-te dentro de mim,
vai-te e torna-te saudade
instiga-me a não percebê-lo
belo retrato em branco e preto
bela tolice de um sonho de mulher-menina
que nunca fez nada
a não ser suplicar em rimas pobres e românticas
piegas e de mal gosto
instiga-me...
quarta-feira, agosto 23, 2006
Decidir
quarta-feira, agosto 16, 2006
Like a bridge over troubled water...
onde estão eles? onde?
agulhas, alfinetes no palheiro...
impossível vislumbrá-los!
oh, como procuram
a perfeição
critério condizente, naturalmente
com as suas potencialidades superlativas.
seres deste mundo
eles, este mundo
sim, este que é perfeito
o meu mundo é aquele em que não se dobram os joelhos;
vive-se apenas: nenhum lusco-fusco,
nenhum superior universo de criações, originalidades digitais
redentoras.
no fim, todos
frágil condição de
pó.
não que eu desacredite de minha permanência para além...
mas sou fatuidade,
eco
ou
redundância ainda em seu superego ferido,
afrouxado pela não aceitação?
por que? não lhe disseram SIM,
mestre!
reverência...
você realmente é fenômeno
e eu
como diz a música: "descobri que viver cansa, mesmo..."
mas eu o admiro rs
não por masoquismo ou por inclinação sádica.
eu sou "normal", comum, equivocada, correta e radical em minhas escolhas
e acredito que o destino, talvez por compaixão, me presenteie
com a feliz coincidência de vez ou outra encontrar a projeção real do sonho de diálogo
é boba mesmo a palavra
no entanto, chegadas ou partidas não me atingem
o que mais me estranha
solidão e ironia
por escolha.
domingo, agosto 13, 2006
B o m b a
torpe
a palavra
oba, a palavra!
pena, a parva
pena, o corvo
melhor,
urubu,
pena...
uma pomba
paz,
a palavra depois da bomba,
não homens-bomba;
a vida, uma bomba
e a palavra é bombástica!!! buuummmm buuuuuuu!!!!!!!!!
sulfúricos, danosos
impetus
no ístimo-íntimo
bombam ataques
pela paz.
palavras
Pax!
você não quis ouvi-las, lê-las...
você busca redimensioná-las;
fazê-las criação;
quero-as perda, fragmentos, regeneração,
afásicas, nonsense, displiscentes e vãs.
não turvas, garotos, coroas, amantes, sonhos de vaidade de um ego que se pensa não ego.
reconheço-me sem conhecer-me;
paciente terminal me envolvo no dia
de gás carbônico e sonhos materialistas.
não fui eu que fiz tudo isso. não sou eu que mudarei tudo isso, porém sei que faço
e não cobro subserviência nem atalhos.
perdoe-me por trair a mim mesma
e por não alcançar o nirvana na fumaça de seu engenho científico,
movido a exatidão criativa...
em reverência...
EU
nós desatados em vós, neles fio de ariadne...
queria encontrá-lo em Amsterdã. rs
Louis Lui, but
no Brasil, aqui, l u i s...
quinta-feira, agosto 10, 2006
Don't you forget about me?
Too late
Será sempre assim.
E vou chorar,
sorrir também.
E espreitar pela minha cortina essa luz de lua.
Vou sonhar
e acordar,
não vai passar,
não
vão
passar
e vãos se instalarão no espaço
em que não mais cabe um não.
Estrabismo é também coisa de gente, gente... Sim, gente. rs
Acho que tenho isto como certo porque sempre
eu morri mais um dia.
É sempre assim
minha morte:
arte vagabunda, mote à pilhéria, à pena.
Minha morte tão cheia de pretensões
nada convincentes...
no love, no life, no meaning, no sight!
no claque!
rs Eu sempre morri mais um dia.
Sob essa luz de lua fria.
terça-feira, agosto 08, 2006
Saudade - fuga programada...
Eu mesma... Loucamente rs, vocês sabem... entreguei a ele esses deslizes, inventivas desavisadas, e ele os elogiou. Um dia, ingênua ou capciosamente, perguntou-me se eu achava que tudo que se espraia verbalmente em emoção deve, necessariamente, ter a ver com a realidade dos sentimentos e das sensações. Disse-lhe sisudamente que não. No fundo, queria lhe dizer que sim. rs Não, não, não... Estou no passado: nem futuro, nem presente. rs Gosto de remotas lembranças. Sou covarde: a dor há pouco vivida não me é fácil suportar.
Essencial
Meu corpo é um templo
portas abertas, convite
às tuas mãos postas,
olhar em prece.
Meu corpo é um templo,
Fé-esperança
de um desejo-lança
Meu corpo...
Um templo
onde teu corpo
joelhos em súplica
levanta vôo nas asas-liberdade,
algemas da ilusão.
Teu corpo um gesto,
Um gesto de prece.
Evocação-crença
do meu corpo-templo
Sacro...Sacrílego!
Puxa!!!!!!!! Once upon a time: novembro, 2000.
sábado, agosto 05, 2006
Cantada (depois de ter você)
Depois de ter você...
Pra que querer saber
Que horas são
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve uma canção
Como essa...Depois de ter você
Poetas para que
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas
Para que servem as ruas?
Depois de ter você...
Depois de ter você...
Adriana Calcanhoto.
quinta-feira, agosto 03, 2006
quarta-feira, agosto 02, 2006
Consumo
antes do prazer virtual , pianostecla
sexy-murmúrios-transa,
era gozo...
segunda-feira, julho 31, 2006
Justificativa
istigare
do latim
incentivar a fazer
estimular a realizar algo rs
uma homenagem
talvez.
chuva fina, frio
mínima de 10º.
Inverno
sexta-feira, julho 14, 2006
terça-feira, julho 04, 2006
segunda-feira, julho 03, 2006
FROZEN
by Madonna
You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be
You’re frozen when your heart’s not open
You’re so consumed with how much you get
You waste your time with hate and regret
You’re broken when your heart’s not open
CHORUS:
Mmm-mm-mm... If I could melt your heart
Mmm-mm-mm... We’d never be apart
Mmm-mm-mm... Give yourself to me
Mmm-mm-mm... You hold the key
Now there’s no point in placing the blame
And you should know I suffer the same
If I lose you, my heart would be broken
Love is a bird, she needs to fly
Let all the hurt inside of you die
You’re frozen when your heart’s not open
CHORUS
You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be
You’re frozen when your heart’s not open
Eu sei que não voltam... o tempo você
Quem de mim sabe?
P r o v o c a ç ã o
Estou na simples condição de liberdade do olhar. Factual é não deliberar juízos. Que drama-comédia-desconcerto. Nunca foi entre você e eu, nem será. Perca tempo não vomitando angustiadas ironias doutas.
Penso sorrir. Não existimos outro para um.
quarta-feira, junho 28, 2006
A morte
não havia chuva fina, não havia também sua voz, sotaque carioca, já um pouco conquistado pelo "e" fechado de PG; algumas l´grimas me surgiram impossíveis de serem contidas.
Ela se foi. Coisa estranha, triste...
não ia a sua casa, nem chegamos a tomar um café juntas, mas conversávamos na rua em frente a nossas casas, no ônibus.
Ela se foi como vela ao vento. era uma pessoa disposta, não se abatia pelo coração doentio que a consumia em dores.
Adeus!
inexorável destino esse nosso.
só uma certeza: seremos um dia lembrança e saudade a preencher um vazio que deixamos nos espaços que nunca tomamos por inteiro, mas que eram nossos.
Descanse em paz! há um lugar tranqüilo...
sei que há...
sexta-feira, junho 23, 2006
a teoria da evolução
que visitou o olhar e amou seu brilho,
fascinou certa existência solitária e deu-se todo ao sabor aéreo
das correntezas das palavras
nem de ouro nem de prata...
peremptória errata!
dois
navego por aqui
não nego...
perdia!
as mãos:
ambas me comovem,
me fazem delírio
e ternura;
meticulosas tecem, em compaixão,
distâncias fluidas que me reportam
a ti;
e outras, aqui muito perto, estas mãos me contam
gemidos e dor-prazer que pensei viriam de ti.
covardia a minha distar-me enquanto próxima estive;
que coragem de ti, distante e sem voltar, ainda, envolves certos sonhos
que acalentam inexperiências estelares em mim.
não, sim, talvez...
não!
e o teclado incansável acusa-me em definhamento,
pois que tua palavra-ausente reverberou processos-solidão
e há um século de ti,
menina-mulher.
MULHER!
a maior tempestade fustigou a esperança
porém, não retirou a certeza de um dia eu ter sido real e virtualmente mais feliz.
Saudades...
segunda-feira, junho 12, 2006
Bem...
Sim, é preciso...para que a humildade supere essa concepção de humildade e se faça falha, humana e bonita. Sei lá, a vida não bateu nunca duas vezes à minha porta. Então, a quem a imortalidade habita, meus aplausos. Sou pó de estrela e a elas retornarei, um dia...
Navegando...
domingo, junho 11, 2006
PARA AQUÉM DO RITMO, UM POUCO DE VAGAREZA...
Diante da compreensão de que a vida contemporânea somente pode ser plenamente vivida se os seres humanos estiverem num ritmo de aceleração constante, Rubem Alves, em seu artigo “A Pedagogia dos Caracóis”, contrapõe-se à incorporação, pelo sistema de ensino e pelo discurso dos professores, desse ritmo ao processo do ensinar-aprender e vice-versa, que reproduz, no espaço da escola ou da sala de aula, o cotidiano discursivo do “mais produzir”, “mais reagir”, “mais estar”, “mais conquistar”, “mais se localizar à frente” e “sempre em frente”, numa constante repetição de “olhe o tempo”.
O autor reflete, numa postura conscientemente humana, peculiar à sua escrita, sobre o quanto a aceleração, no discurso pedagógico, minimiza ou aniquila o processo de construção de relações de comunicação, por meio das quais professor e aluno, em cumplicidade, “enamoram-se” do saber e sua (re)construção, descobrindo, dessa maneira, o mundo em sua beleza que não pergunta, tampouco responde, todavia recria-se apaixonada, paulatina e humanamente, em sua estrutura própria, sem grandes afetações criadas por uma realidade útil e fruto de nosso trabalho, que não pode ser desconsiderada ingenuamente e que, no entanto, não pode ser determinante do ritmo humano. Não há regras e pressupostos limitadores no enlevo de aprender-ensinar. Há expectativas e desejos a serem valorizados.
Nesse sentido, o mundo da velocidade supersônica é mote, também, às reflexões de Martha Medeiros, em seu artigo “Velocidade Máxima”. O título não é mera coincidência. A referência ao filme leva o leitor a recriar na mente o tempo reafirmado, a todo instante, como o fio condutor das relações de sobrevivência nos dias de hoje. Assim, competente é o indivíduo que dobra suas ações-reflexões, superando os limites de tempo. É preciso arriscar-se e a tomada de decisões vale pela competência do indivíduo em efetivá-las no mínimo de tempo e máximo de acerto.
Para além da apelação ao tempo, que impõe um viver no ritmo acelerado e cada vez mais potente das máquinas, os autores alertam para a percepção de que o ser humano está na UTI das relações interpessoais e consigo mesmo. Afinal, a quem se busca satisfazer? Ao ritmo veloz ditado pelo consciente coletivo do mundo seduzido pela tecnologia ou aos nossos próprios desejos de (re)criar o mundo, visando a uma melhora de nossa qualidade de vida? Não é à toa que dados estatísticos mostram, cada vez mais, um ser humano debilitado física e emocionalmente. No entanto, não há como evitar essa vertigem cronológica.
Então, é preciso, como medida de valoração à criatividade, à vida mesma, a retomada do ritmo ancestral da humanidade, contraponto à artificialidade vertiginosa da vida urbana, pois à proporção que se entende que, mesmo estando, virtualmente, em todos os lugares, a todo instante, SER mais é irrefutavelmente benéfico, pois movimentar o olhar na direção de pequenos fatos, ingênuos até, pode e vivifica muito mais a capacidade criadora de melhor e mais utilmente sobreviver, já que no pôr-do-sol, no ritmo do beija-flor (acelerado, porém belo porque é de sua natureza), no ciclo das quatro estações, entoadas nas notas de Vivaldi, há uma harmonia que não foi imposta nem é comando. Ela se realiza e se reinventa, sem pré-determinismos. Dessa maneira, a desaceleração é a opção que qualitativamente engendrará vivências espirituais e físicas que privilegiem a construção de um sujeito satisfeito em suas realizações pessoais e interpessoais, ou seja, um sujeito envolvido plenamente com seu ser-estar no mundo, motivado pelo ritmo de suas conquistas acontecidas no plano de suas escolhas conscientes ou surgidas como desafio à sua própria condição de não ser o detentor pleno de seu destino. Não se pode entender isso como pólos extremos: comodismo numa ponta e ação, a curto prazo, na outra.
Assim, a forma de viver é aproximação, é comunicação, é aprendizado, é recuo e avanço, é virtude ou vício selecionado entre muitas outras possibilidades de se estar ao lado da humanidade, em primeira e última instância. Afinal, a vida não pode jamais ser submetida ao despertador do lado da cama ou ao comando do toque do celular, que anuncia um novo compromisso a cada instante. Então, lembrando Pessoa, ‘navegar é preciso“, porém não custa nada observar a paisagem que se descortina, sem grandes embates e conflitos cronológicos.
Referências
Alves, R. A Pedagogia dos Caracóis in www.revistaeducacao.com.br
Medeiros, M. Velocidade Máxima. Exame, 15 de dezembro de 1999.
A LINGUAGEM COMO CONSTITUIDORA DO SUJEITO
Além desses dados, é inevitável não se perceber como a linguagem, na Era do Conhecimento, é condição sine qua non para se promover a inserção das sociedades e dos indivíduos num mundo cada vez mais diluído e sem fronteiras políticas, econômicas e culturais marcadamente concretas. O ritmo da vida contemporânea determina uma linguagem que constitui um sujeito cada vez mais envolvido com questões universais.
Nesse sentido, importante é perceber que constituído por meio dessa linguagem, o indivíduo deve também se constituir como detentor de uma identidade, baseada em suas experiências e modificadas pelas suas vivências cotidianas. Ninguém é melhor ou pior por dominar certo estilo, certa forma de linguagem. Porém, as portas do mundo global não acolhe o indivíduo que não se mobiliza nas mais diversas situações de interação por que passa todos os dias. Agir pela linguagem, persuadir, conquistar, seduzir, conhecer, dar-se a conhecer pode não ser um caminho tão complexo, quando se percebe que o mais importante são as relações estabelecidas com o outro, referindo-as a um compromisso humano de atuação na atual conjuntura social, que é dividida em tantos valores éticos, filosóficos, culturais, políticos, morais etc, que seria impossível elencá-los numa só vez. Não é exagero afirmar que em nenhum momento da história da humanidade, a linguagem desempenhou papel tão essencial quanto contemporaneamente, já que a linguagem do poder não é mais a linguagem da submissão pelo conhecimento, cristalizadamente produzido e concentrado nas mãos de poucos. Cada vez mais, os avanços tecnológicos desencadeiam processos de relações sociais imediatas com as informações e com os conhecimentos social, contemporânea e historicamente produzidos, pois é fato indiscutível que a família, as bibliotecas e as escolas e universidades, além de professores, já não são mais as referências exclusivas para obtenção de conhecimentos ou informações, porém são ainda fundamentais por organizar, selecionar e compactar essas informações e conhecimentos como nenhum outro meio ou instituição conseguiu . Nesse sentido, o ser humano pode e tem se perdido quanto aos seus valores, porém outras possibilidades de interação surgem e a demanda por uma necessidade de se dominar uma linguagem global, que comunique a todos os povos agrega-se à necessidade de se valorizar, de se respeitar os espaços geográficos naturais singulares, as culturas, as línguas, as crenças, as pequenas aldeias, as idiossincrasias, o humano enfim, pois a máquina, muito rapidamente, já se inscreveu em praticamente todos os âmbitos do cotidiano das pessoas, de modo inevitável. Porém, o humano guarda em si o gérmen da esperança e este gérmen tem como fonte a linguagem que pode ser a da justiça e a da liberdade, a da luta contra um processo acelerado de incompreensão e diluição dos relacionamentos humanos .
Diante dessas constatações, cabe enfatizar que no domínio da linguagem, a escola é espaço privilegiado de discussões, embates, enfrentamentos, e porque não dizer, exercício de poder de construção e reconstrução de identidades, o que resulta ou deveria resultar na formação de indivíduos capazes de atuar com competência e habilidades para reivindicar e fazer cumprir seus direitos ou conquistá-los, e para que possam compreender a dinâmica de respeito aos seus deveres, ampliando-se assim suas perspectivas de inserção no mundo globalizado, a partir da realidade em que se insere. Tem-se uma tarefa a cumprir, e nada é mais importante do que viabilizar a construção de uma linguagem da educação que privilegie, para além de direitos e deveres, atos de valorização ou (re)construção da identidade dos indivíduos permeados pelas relações estabelecidas por / pela linguagem. Afinal, há o velho ditado que diz: “Quem não comunica, se trumbica”, porque a linguagem pode comportar, e muitas vezes comporta, a mais perene fonte de relação de poder e domínio entre os homens.
quarta-feira, maio 17, 2006
& e &...
a vida emergiu
tolamente à minha boca...
Senti enjôo!
E ninguém viu que lágrimas de sal
entorpeciam a ternura.
Por quê?
Tanta
ida
tanto
sol
tanta
s o l
i d
ã
?