domingo, fevereiro 05, 2006

É da natureza do amor - como Lucano observou há dois milênios e Francis Bacon repetiu muitos séculos depois - ser refém do destino.

... O amor é afim à transcendência; não é senão outro nome para o impulso criativo e como tal carregado de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo.
Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual a grande incógnita na equação do outro. É isso que faz o amor parecer um capricho do destino - aquele futuro estranho e misterioso, impossível de ser descrito antecipadamente, que deve ser realizado ou protelado, acelerado ou interrompido. Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao regozijo num amálgama irreversível. Abrir-se ao destino significa, em última instância, admitir a liberdade no ser: aquela liberdade que se incorpora no Outro, o companheiro no amor.
in: Amor líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos. Zygmunt Bauman

Um comentário:

Anônimo disse...

Será mesmo possível para homens e mulheres atingir a capacidade de amar?, numa sociedade como a nossa - líquida - como denomina o próprio Bauman.