sábado, julho 14, 2007

Enough

Quando palavras estampido-dor ressoam, para que existirem?
Por que delas revelar trocadilhos fatais?
Dá-as a mim sorriso bonança,
gozo esperança.
De Sua alma-porta poesia transfigure-as por um momento...
Dá-as a mim mergulho em terras distantes,
Faça-as estalar,
reverberar canção
onda-mar-rios infância
faça-as fáceis
altamente bioagradáveis...
Por tantas vezes já as deste a mim
espasmo e horror...
Quero-as acalanto,
Névoas e sono
transcendência.
Tanta consciência e realidade fazem-no
solidão e morte.
Vives?
Duvido.
És sombra, pó
e não voltarás.
Avança e descansa.
Tua luta faz-se vã.
Embala-me, entrega-te
ao meu apelo,
sou olhar-procura de tua essência.
Ressoa-te, pois, em minha alma.
E descansa...

terça-feira, junho 26, 2007

Antes não tivesse...

Faz tempo que procuro...
Engraçado, perdi o controle, enquanto encontrava.
Puxa, saí passos apressados sob o estranhamento interrogativo de todos.
Angústia diluída em desejo de que tudo não passe de devaneios.
Amanhã, amanhã... Passa.
Mas ele repousou em mim, delineou-se em minhas retinas e possuiu-me com tamanha delicadeza. Vôo de borboletas e arroubos beija-flores.
Mais uma vez, como tantas outras, bati asas contra o inevitável.
Quedei-me mortal e vividamente ferida.
Agora, olhar-desvio... Medo de, talvez, me saber entregue.
A vida transborda, dolorosamente transborda em
mim.
Tanto o tenho tatuado em minha pele, em meus sonhos, em meus medos...

Angústia de vivê-lo para sempre em meu abraço confundido com o seu...

domingo, março 18, 2007

Canhestro

?
Destino...
Visão
o mundo
mudo
violência
reverencia
o não
ausência
que repete
o valor de
tantos
tantas
coisas: deus, flor
fila
formiga
gente

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

domingo, novembro 12, 2006

Cupido às avessas

Sempre fora certa mistura de correção e fantasia. Via-se lá, em outro lugar, entregando-se... O pudor não lhe permitia continuar aqueles tais pensamentos.
A poltrona do avião. Deixara-se levar por uma tal angústia que, sem um mínimo de auto-crítica, decidiu. Bobagem... Agora ou jamais. Parecia-lhe, de repente, que seus dias estavam para acabar. Não porque estivesse com ânsia de morrer, passasse por algum transtorno que a levasse a vislumbrar um fim permanente. Como se o fim não fosse permanente.
E ele... tão incrível, tão cabível em seus desejos. Só um número de telefone, só o nome da cidade onde morava.
Prometia-se: "Só desta vez!" Ria-se por inteira, mas era um riso para dentro, sua alma pululava de emoção. Não se repetiria jamais aquele não-sei-quê de desejo sem sabor, nem metáfora que pudesse tornar palpável, ainda que apenas poeticamente, a sua expectativa. Sabia-o tão... tão... Faltavam-lhe os adjetivos concretos e, objetiva que era, não se permitia inventar um vocabulário emprestado dos romances água-com-açúcar que lera na adolescência. Esboçou um riso-discreto, deboche de si mesma. Quem saberia dizer o que é um romance água com açúcar? Bobagem!Preferia não se distrair tanto. Só queria vê-lo, torná-lo certa lembrança que causa saudade pelo que tinha sido, não pelo que poderia ser.
A aterrissagem acelerou ainda mais seus nervos, arrepiou-se num misto de medo e ternura.
O táxi... "Para onde?" Nem imaginava. Falou da praça principal da cidade. Ele tinha comentado algo. Esses detalhes surgiam em vaga lembrança. Enquanto percorriam a cidade, não conseguia fixar seu pensamento em nada. Esvaziara-se por completo. Provavelmente o motorista a percebia absorta, em si mesma ou para além de si mesma. O homem aproveitou-se. Rodou, rodou...
Pagou o táxi mecanicamante.
Somente quando pisou a praça, a consciência de estar em lugar nenhum a fez de novo estremecer - um medo real.
O número. Discou-o rapidamente. Foram longos minutos de espera, embora tenha, quase que imediatamente, sido atendida. Pensou em dizer que estava na cidade, na praça. Envergonhou-se, gaguejou. Do outro lado, ouviu um pedido de calma. Foi como bálsamo. Então, de uma só vez, e com uma clareza que a surpreendeu, disse tudo. Silêncio. Pediu desculpas, disse que não era nenhuma louca, que ele não se preocupasse. Iria imediatamente procurar um lugar para dormir. Dia seguinte já estaria voltando para casa. A voz dele, hesitante, perguntou onde ela estava. Explicou. Logo viria, Ela precisava esperar só um minuto. "Vou buscar a ..." Interrompeu-se de súbito. Ela, tomada de um estado pleno que nunca tinha antes vivido, concordou.
Sentou-se num banco da praça. Já ia escurecendo. De novo, veio-lhe a sensação de que seus dias... Afastou a sensação, mais uma idéia incômoda. Falou consigo mesma que era medo.
De repente, seu telefone... A voz dele e ela foi inundada por uma explosão cósmica... mar de estrelas. Então, onde estava ela? Ele já havia chegado. Melhor que se apressasse. Era muito perigoso aquele lugar, estava escuro.
Sentiu-se ferver diante da possibilidade de encontrá-lo, tocá-lo, vê-lo. Doía-lhe o peito, seu sangue parecia jorrar e pareceu-lhe ouvir ensurdecedor estrondo. Sem desligar o telefone, com voz trêmula, explicou a ele. Sob a árvore mais frondosa... Ela e suas malas. "Ah, sim. Já vejo você."
Olhou ao redor, procurando-o. Quando o viu, a noite inundou-lhe a vista. Estava cega. E tonta... Fraquejaram suas pernas. Seu coração batia de manso, tão mansinho que teve a sensação de morrer. Caiu nos braços dele. Abriu os olhos. E exalou seu último suspiro.
Dia seguinte, ele segurava, consternado, a página do jornal. Na manchete: "BALA PERDIDA faz mais uma vítima."

terça-feira, setembro 26, 2006

Happy end

O meu amor e eu
nascemos um para o outro

agora só falta quem nos apresente
Cacaso
Estilos trocados


Meu futuro amor passeia — literalmente — nos
píncaros daquela nuvem.
Mas na hora de levar o tombo adivinha quem cai.
Cacaso
Acho que se ele chegasse neste exato e inadiável momento, queria ouvir e perguntaria: "Do you wanna dance?"
rs

sábado, setembro 16, 2006

Dando um tempo...

Flor-parto da Lua,
sorriso puro da criança de rua
pétala-parto da luz néon.


Doce inocência
Irônica existência
Tantas e tão uma



Juro que não tive tempo
Antes queria, mas
Cíclico, o relógio contra. Então,
Inspiração motivou solidão...
e uns versos para ti.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Eu queria ter escrito naquele dia...

o tempo e sua inexorabilidade...
três dias... três anos...
o amor não se rende a ele,
redefine-o mediante sua doce e imortal melodia.
sobre o "Clã das Adagas Voadoras"

sábado, setembro 02, 2006

Princesa - OFF time

...
apresso
o passo
pasto
teu campo
de verdes
belas
idéias
camélias...
de velhas e novas
bromélias.
eu, pétala daninha,
sonho que em mim tuas raízes,
em noites de tempestades,
tornam-me flor.

sábado, agosto 26, 2006

Instiga-me

a um salto,
a um verso,
a um abismo...
a uma música;
a tua voz.
a uma trilha
seguir
qualquer entrelinha doce
um encontro
simbiose
você
eu
tantos outros
instiga-me a cegá-lo
raptá-lo em noite cálida
sob o peso de meu desejo sem nexo
instiga-me a não querer mais que o dia
e queda em seus braços
tua, morreria
instiga-me a não ver-te
pura transformação que é sempre mesma
e tão outra.
instiga-me a não adivinhá-lo
nos meus sonhos,
instiga-me a não confundi-lo
na multidão
aquele jeito tão seu
eu ainda o trago aqui
instiga-me a não esperança
e ilusões
finda-te dentro de mim,
vai-te e torna-te saudade
instiga-me a não percebê-lo
belo retrato em branco e preto
bela tolice de um sonho de mulher-menina
que nunca fez nada
a não ser suplicar em rimas pobres e românticas
piegas e de mal gosto
instiga-me...

quarta-feira, agosto 23, 2006

Decidir

Sempre me disseram que estava nas minhas mãos. No entanto, eu adiei mais um pouco, por medo ou covardia, por insegurança ou por querer que desse certo? Não sei. Eu fico quieta no meu canto, eu às vezes rio, muitas vezes choro. Queria uma casa... na cidade, onde há uma montanha. Queria não ter que sair, assim, como quem vai com uma grande mágoa no coração. Também queria que aquelas palavras não tivessem sido ditas. Deixar um emprego não é uma coisa fácil. Já tenho outro. Parece tudo tão tranqüilo para mim, apesar de as estatísticas mostrarem números horrendos, eu pude dizer, e sem medo de errar: "Chega! Não!" Isto tudo mais me dói do que conforta, mais me usa do que me chama a participar, mais me quer convencer do que me aceitar. Estou entristecida, porém não magoada. Eu queria só ter conseguido me fazer ouvir. Mas penso que eu não deva me preocupar. Foi um ano... Puxa, fiz amigos, aprendi o brilho e o fracasso de ser prof.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Like a bridge over troubled water...

a paixão pelas idéias é uma condição típica dos seres superiores
onde estão eles? onde?
agulhas, alfinetes no palheiro...
impossível vislumbrá-los!
oh, como procuram
a perfeição
critério condizente, naturalmente
com as suas potencialidades superlativas.
seres deste mundo
eles, este mundo
sim, este que é perfeito
o meu mundo é aquele em que não se dobram os joelhos;
vive-se apenas: nenhum lusco-fusco,
nenhum superior universo de criações, originalidades digitais
redentoras.
no fim, todos
frágil condição de
pó.
não que eu desacredite de minha permanência para além...
mas sou fatuidade,
eco
ou
redundância ainda em seu superego ferido,
afrouxado pela não aceitação?
por que? não lhe disseram SIM,
mestre!
reverência...
você realmente é fenômeno
e eu
como diz a música: "descobri que viver cansa, mesmo..."
mas eu o admiro rs
não por masoquismo ou por inclinação sádica.
eu sou "normal", comum, equivocada, correta e radical em minhas escolhas
e acredito que o destino, talvez por compaixão, me presenteie
com a feliz coincidência de vez ou outra encontrar a projeção real do sonho de diálogo
é boba mesmo a palavra
no entanto, chegadas ou partidas não me atingem
o que mais me estranha
solidão e ironia
por escolha.

domingo, agosto 13, 2006

B o m b a

boba a palavra
torpe
a palavra
oba, a palavra!
pena, a parva
pena, o corvo
melhor,
urubu,
pena...
uma pomba
paz,
a palavra depois da bomba,
não homens-bomba;
a vida, uma bomba
e a palavra é bombástica!!! buuummmm buuuuuuu!!!!!!!!!
sulfúricos, danosos
impetus
no ístimo-íntimo
bombam ataques
pela paz.
palavras
Pax!
você não quis ouvi-las, lê-las...
você busca redimensioná-las;
fazê-las criação;
quero-as perda, fragmentos, regeneração,
afásicas, nonsense, displiscentes e vãs.
não turvas, garotos, coroas, amantes, sonhos de vaidade de um ego que se pensa não ego.
reconheço-me sem conhecer-me;
paciente terminal me envolvo no dia
de gás carbônico e sonhos materialistas.
não fui eu que fiz tudo isso. não sou eu que mudarei tudo isso, porém sei que faço
e não cobro subserviência nem atalhos.
perdoe-me por trair a mim mesma
e por não alcançar o nirvana na fumaça de seu engenho científico,
movido a exatidão criativa...
em reverência...
EU
nós desatados em vós, neles fio de ariadne...
queria encontrá-lo em Amsterdã. rs
Louis Lui, but
no Brasil, aqui, l u i s...

quinta-feira, agosto 10, 2006

Don't you forget about me?

Diplomático é aquele que usa bomba em lugar de palavras. Só assim chega aos grandes líderes e neles desperta o furor, a reação em nome da paz. Reação por meio do cerceamento da liberdade e contra os que usam bombas, a favor da paz, da ordem, a favor da paz e da ordem... a favor dos interesses do mundo, que são a paz e a ordem. Quem vende armas? Não Eua rs. Eles lutam contra o horror e a favor da... Triste sina a dos heróis das palavras. Subverterão condutas depois, muito tempo depois e serão ícones para figurarem entre...
Entre. Seja bem-vindo. Bem, diplomatas são os que lançam bombas.

Too late

Eu sei que é só uma história insossa, vã mesmo. Eu sei, gritar não adianta. Também calada não me vejo. Eu sei...

Será sempre assim.
E vou chorar,
sorrir também.
E espreitar pela minha cortina essa luz de lua.
Vou sonhar
e acordar,
não vai passar,
não
vão
passar
e vãos se instalarão no espaço
em que não mais cabe um não.
Estrabismo é também coisa de gente, gente... Sim, gente. rs
Acho que tenho isto como certo porque sempre
eu morri mais um dia.
É sempre assim
minha morte:
arte vagabunda, mote à pilhéria, à pena.
Minha morte tão cheia de pretensões
nada convincentes...
no love, no life, no meaning, no sight!
no claque!
rs Eu sempre morri mais um dia.
Sob essa luz de lua fria.



terça-feira, agosto 08, 2006

Saudade - fuga programada...

Todos ou todas, algum dia, escreveram, assim, como que para ninguém ler, mas no íntimo gostariam de que alguém lesse. Talvez rogassem a leitura daquelas escritas chorosas, aquelas pieguices, aqueles arroubos a la "românticos da segunda geração" por parte exatamente daqueles ou daquelas que as motivaram.
Eu mesma... Loucamente rs, vocês sabem... entreguei a ele esses deslizes, inventivas desavisadas, e ele os elogiou. Um dia, ingênua ou capciosamente, perguntou-me se eu achava que tudo que se espraia verbalmente em emoção deve, necessariamente, ter a ver com a realidade dos sentimentos e das sensações. Disse-lhe sisudamente que não. No fundo, queria lhe dizer que sim. rs Não, não, não... Estou no passado: nem futuro, nem presente. rs Gosto de remotas lembranças. Sou covarde: a dor há pouco vivida não me é fácil suportar.

Essencial

Meu corpo é um templo
portas abertas, convite
às tuas mãos postas,
olhar em prece.

Meu corpo é um templo,
Fé-esperança
de um desejo-lança
Meu corpo...

Um templo
onde teu corpo
joelhos em súplica
levanta vôo nas asas-liberdade,
algemas da ilusão.

Teu corpo um gesto,
Um gesto de prece.
Evocação-crença
do meu corpo-templo
Sacro...Sacrílego!

Puxa!!!!!!!! Once upon a time: novembro, 2000.

sábado, agosto 05, 2006

Cantada (depois de ter você)

Tem umas coisas que nem precisam ser vividas para se tornarem significativas. É, talvez seja por isto que as músicas, independente de que corrente venham, a que rótulos pertençam, fazem parte de nosso dia-a-dia. Sei lá, tenho ouvido pouco, e a forma que acho mais incrível é quando ligo o rádio e aquela música...Nossa! Um século de vida lá atrás, e de repente tudo volta, mesmo que jamais tenha sido vivido, o frame, paisagem amalgamada, faz acelerar o coração, fechar os olhos ou parar, sentar, olhar... distante.
A letra a seguir é um desses momentos. Eu julgava sentir assim, como se não houvesse outros motivos, somente aquele ter. Porém, a vida se desfaz, se refaz, muda mesmo! E a gente fica com essas lembranças, essas saudades, gotas de esperança cristalizadas pelo tempo, e continua a acordar toda manhã, em busca de... Tantas coisas. E esquecemos, como uma forma de economizar, para que, quando a alma precisar, haja estoque para alimentá-la nessas sutiliezas de se ouvir de repente...
aquela música... Sim, aquela...

Depois de ter você...
Pra que querer saber
Que horas são
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve uma canção
Como essa...Depois de ter você
Poetas para que
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas
Para que servem as ruas?
Depois de ter você...
Depois de ter você...
Adriana Calcanhoto.

quinta-feira, agosto 03, 2006

O mais bonito que escrevi

maríntimo

no silêncio líquido
ostra cisma
pérolas,
ostra
cismo...
por você. rs

quarta-feira, agosto 02, 2006

L

fate?
fato?
date?