domingo, março 12, 2006

Ilhados...

Pensando me disseste: "adeus, fica com teu pensamento..."
Vivendo pedi: "volta"?
Voltaste como estrangeiro,
jogando-me em território desconhecido;
me debati e descobri mais de mim,
e,no entanto, absorta em mim
desvencilho-me da espera
e vou condensando expectativas em escritas-catarse.
O humano em mim é inconstância porque o "outro" é de mim
tijolo-alicerce, verdades incertas,
caminhos oblíquos, cerne e digestão.
Eu não me sabia o tanto que em ti me conheci,
e na minha pessoa, Pessoa, Leminski atravessam anos antes, e surge agora uma definição-paráfrase:
"não sou, nunca fui, não serei nada... à parte isso, em mim os todos de ninguém
e os meus nadas de todos".

sábado, março 11, 2006

Paixão Antiga

São esses revezes de destino...
Reclinar-me em seu ombro, síntese de minha paz?
Tão, tão esperada...
Esse amor-busca
Que deseja pulsação-elo
Prazer e dor-saudade.
E você distância quebrada
Por meu desejo de realizar
O impossível: encontro
Pele, saliva e o sonho:
Minha ternura, sua ressurreição,
Minha cadência em versos
Seu estremecer em prosa
Final sem termo,
Recomeço sempre.


sábado, março 04, 2006

terça-feira, fevereiro 28, 2006

A 08 de março

Poucos textos afins ao Dia Internacional da Mulher lembram da realidade. E este, escrito por um padre da Igreja Católica , traz em si uma nota importante: a mulher latino-americana. E é bom "observa(e)rmos" que o Dia Internacional da Mulher surgiu de um momento trágico, porém determinante da condição do Ser mulher na sociedade contemporânea.
E nós, latino-americanas brasileiras? Que identidade temos? Em que sociedade estamos e o que interessa que saibam sobre nós? Mulatas, loiras, negras, ruivas, brancas, chinesas, japonesas, árabes etc? Amantes, sensuais, loucas, burras, intelectuais, donas de casa, incompreendidas, independentes, mães, amadas, frias, calculistas, bruxas, fadas, sereias (melhor lembrar que as bruxas, as fadas e as sereias são heranças-estereótipos femininos europeus)... Mulheres latino-americanas, que é de seu espelho? E quem as define? Cachorras, popozudas, atoladinhas?... Anjos, demônios? Ou MULHER, e que trabalho este de SER mulher: sempre tenho que responder a um tipo: nunca eu mesma. Sei-me síntese, mas não me encaixo padrão-propaganda-funk-rock-sertanejo-romântico-bossa-gueixa-batom-língua-pernas-bundas-filosofias-literaturas-marias-madalenas-linda-feia-doce-amarga-feliz-tpm-tcc-mestre-doutora. Todas nenhuma todas. Sou latino-americana e brasileira. E tenho um nome, não estou numa passarela para ser analisada como o corte e o brilho dos vestidos, a cor da maquiagem e nem o perfil da modelo-equívoco-exemplo de mulher brasileira. Ou estou? Depende de quem me vê e o que quer de mim, depende de quem eu vejo e o que quero, depende, depende. Mas no fim de tudo, constato que não lutamos para que seja diferente. E aceitamos pagar o preço, mesmo que custemos a nos encaixar ou é melhor que nos desencaixemos?

CANTO DA MULHER LATINO-AMERICANA

Descreve do jeito que bem entender
Descreve seu moço
Porém não te esqueças de acrescentar
Que eu também sei amar
Que eu também sei lutar (sonhar)
Que meu nome é mulher

Descreve meus olhos, meu corpo
Meu porte, me diz que sou forte
Que sou como a flor
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita e feita de amor
Descreve a beleza da pele morena
Me chama de loira, selvagem serena
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita e sou feita de mel

Descreve a tristeza que tenho nos olhos
Comenta a malícia que tenho no andar
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita na hora de amar

Descreve as angústias da fome e do medo
Descreve o segredo
Que eu guardo pra mim
Nos teus preconceitos de mil frases feitas
Diz que sou perfeita, qual puro jasmim

Descreve também a tristeza que sinto
Confesso e não minto que choro de dor
Tristeza de ver humilhado o meu homem
Meus filhos com fome, meu lar sem amor

Descreve, seu moço, a mulher descontente
De ser objeto do macho e senhor
Descreve este sonho que levo na mente
De ser companheira no amor e na dor

Pe. Zezinho

Notícia...

à você, maninha-amor irmã da San
Atravessada, poeta transcendeu
A lâmina, a palavra reverberou
aço, pétala e punhal
aos borbotões
borboletas púrpuras voejavam, e no fim
amanheceu pôr-do-sol.
Seu luxo é saudade do que está por nunca vir.
Double, dubla o próprio estilo
Unequívoca
Livre, são tantas e incertas
Como tão certas dão-se as mãos, cumprimentam-se
E não dizem a que vieram,
mas sabem que o existir é raro convite a criar a si mesma.

Pichação

"Nada é permanente, exceto a mudança."
isso é citação de Heráclito?
Por muito tempo, quando ainda era acadêmica da UEPG, passava pelo muro pichado e me perguntava sobre o pichador. Jovem, menino? Pichou e correu? Riu? Assustou-se? Pensou que poderia ser punido? Por isto a louca necessidade de cometer um "ato criminoso"? E ainda outro dia, passei por lá e lembrei da frase. Já não se encontra mais no muro.Acho que nem o muro existe. O mais estranho é constatar que aquele registro acompanhava-me e não foram momentos fáceis aqueles. O tempo passou. E lógico: nada é permanente, exceto a mudança... No entanto, permaneceu em minha retina aquele registro que para muitos era só um ato criminoso e irresponsável.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Revisando...

As pessoas são irritações que deixam pérolas?

Origem

O que é uma pérola?
A pérola é fruto do sofrimento...
Diz uma lenda árabe que as pérolas representam a luz da lua nas profundezas do oceano.

As pessoas são, em nossas vidas,
irritação que deixam pérolas

maríntimo

no silêncio líquido
ostra cisma
pérolas,
ostra
cismo...

sábado, fevereiro 25, 2006

Ensaio de carnaval...

Se sambo, descambo num passo de luxo pra sulista, paranaense que sou, mas se tento ir além, emenda pior que soneto não tem.
Carnaval é do povo do outro lado, mais sol e mais samba, mais negro e mais fantasia. Que a festa os alegre, que eu por cá vou em longo descanso cair, e o relógio vai desistir por três dias de anunciar: Já é hora, acorda e recomeça.
Falta-me a raiz, que em minha origem pulsa em silêncio sangüíneo. Não me apresentaram essa batucada incandescente nesse afrouxar de sensualidade sorriso e pés movidos a um ritmo inebriante, explosão de graça e equilíbrio. O espetáculo é bonito. E embora tenha sido várias vezes confundida com as mulatas "Rita Baiana"(não sem motivo: afinal pele e quadris são exageradamente referência), não há em mim esse fluir suor melanina, não porque eu não tenha afinidades com o ritmo, o serpenteio, as evoluções, mas faltaram-me vivências. Sempre fui à escola branca, européia e na história o que era origem sempre apresentou-se como escravo e sem utilidade. Agora vejo quanto disparate. Mas sempre haverá tempo de a história desfazer seu engano. Pena que o tempo é regido pelas mãos dos que não querem acertar depois de tantos equívocos. Mas tenhamos esperança. Quem sabe. O amanhã será sempre melhor, acredito nisso sinceramente.

Tecno relationship


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SIMNÃO

A humanidade caminha a passos de verbos no infinitivo impessoal.
"I wanna a moonlight serenade."
Janelas brancas que se abram ao infinito...
e um campo de girassóis rs.

???????????????????

Ih, cadê tudo que estava aqui?
Para quem não anotou, apaguei sem querer... Mas que fique a máxima do grande VAGABUNDO:
"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido verdades que insisto em dizer brincando. Sempre falei como o palhaço, mas nunca duvidei da seriedade da platéia que me sorria."

E, claro, os versos fundamentais de Renato: "sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher, sou minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina
MAS SOU MINHA, SÓ MINHA E NÃO DE QUEM QUISER..."
Além, é claro, de:
"Non, rien de rien
Non, je no regrette rien... na voz de Cássia Eller."

"Quem sabe eu 'inda sou uma garotinha
esperando o ônibus da escola, sozinha
cansada com minhas meias três quartos
rezando baixo pelos cantos
por ser uma menina má
Quem sabe o príncipe virou um chato
...
quem sabe a vida é não sonhar.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Soneto

A Franz Xaver Kappus

Treme sem queixa por meu coração,
sem suspiro uma dor muito sombria.
Só dos sonhos a nívea floração
é a festa de algum mais tranqüilo dia.

Tanta vez a grande interrogação
se me depara! Encolho-me, e com fria
timidez passo, como passaria
por bravo mar, sem aproximação.

Desce então sobre mim, turva amargura
como esses céus cinzentos de verão
onde uma estrela às vezes estremece.

Tateantes, minhas mãos vão à procura
do amor, buscam palavras de oração
que meu lábio deseja e não conhece.

in: Cartas a um jovem poeta. A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke. Rainer M. Rilke. Tradução de Paulo Rónai e Cecília Meireles

Esparsos

Não, não é a síndrome do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Acho que é só a sensação de que todas as respostas eram só as perguntas que nunca deveriam ser feitas. E as páginas que nunca geraram um encantamento mínimo. Eles nos corredores, apenas gritam e empurram-se, e ignoram qualquer batida lenta à sua porta. Não, essa geração não sabe o amor. São de uma rapidez para o fim de defrontar-se com nada. Não vêem a si mesmos. Repetem. Repetem o que lhes é oferecido em altas, e desagradáveis batidas, aos ouvidos. Nunca sonhei um conto de fadas, mas nunca pensei que tão cedo fosse ficar assim "como quem partiu ou morreu"... Eles não sabem das regras, não porque as desconhecem, e sim porque nunca as vivenciam. Apenas as repetem AOS GRITOS. Que será então de nós? Ora, escolhamos outro destino para sobreviver. Está tudo previamente organizado, o sistema e os especialistas resolveram tudo e apresentaram as soluções. Irrefutável. Qualidade falta em nós, que não temos diploma de psicologia, antes ainda,diploma de pais que educam num espaço de tempo máximo de cem minutos e mínimo de cinqüenta, trinta e oito, quarenta ingênuos olhos já corrompidos por certa música que remete à uma movimentação exagerada e deliberadamente provocante para a sua idade. E querem, à força do grito, cantá-las... Não há um valor que possa estipular a cura da letargia da alma. E se houvesse, uma vida seria muito pouco. E assim vamos: embarcações à deriva, e vai-se perdendo certo brilho. Nem a nós mesmos perguntamos se está tudo bem conosco. Qualquer progresso é um reconhecimento da individualidade deles ou do grupo em que se inserem. No vácuo dessa solidão, só planejamos. Só o tempo nos é conselheiro, mas ninguém sabe o tempo que vai levar. Até a rebeldia, programada. Logo acaba... E vazios terão que ser preenchidos. Eu sei que seria ingenuidade se lhes pedisse SILÊNCIO...

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Curiosidade

TOC
TOC
toc
toc
t o c
t o c
toc
toc

terça-feira, fevereiro 21, 2006

In Memorian

As páginas oxigenavam sobrevida, e ela as sorvia, inspirava-as profunda e quase que diariamente. Um dia, soube:o autor estaria numa cidade próxima. Alma em êxtase, viajou para lá. Sua alegria não poderia ser maior. No primeiro olhar, ele todo para si. Até hoje buscam o autor que sumiu. Agora ela expira sobrevida e dia a dia dá à luz páginas e mais páginas. Ninguém estranha. Todo mundo lê.

Lá, lá, lá... sem sintonia

você é algo assim...
...
...mas eu não resisto a nós dois...

... tô com saudade de você debaixo do meu cobertor...

... o cravo brigou com a rosa
...
eu procuro um amor/ que seja bom pra mim...
...
De tudo ao meu amor serei atento...
...
... como é bonito ver seu (? masc. rs) lingerie jogado sobre minha calça jeans...

you're under my skin...

love doesn't here anymore...

no dia em que fui mais feliz...
eu vi um avião se espelhar
no teu olhar
até sumir...
...
amor é fogo que arde sem se ver...
...
amar e malamar
amar e desamar...
...

um rosto lindo como o verão
e um beijo aconteceu...
...
avião sem asa
fogueira sem brasa
sou eu assim sem você
...
é servir ao vencido o vencedor...

E ainda dizem que o amor é underground,
coabita espaços invisíveis a olho nu...
Então essas definições esparsas dentro de mim?
$em sentidos? rsrsrsrs

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Laços e...

abraço, afeto...
real é meu
cansaço...
fatiga a espera,
e aceito
o outro...
elo que retorna
só conforto
e deitar-me...
paz no seu
carinho enlace...
para depois.
que amanheça mais um dia
para me afastar
de tudo que traduz
o enternecer de me deparar
com o que nunca poderia...
a impossibilidade me faz
certeza de que não haverá um fim...
jamais houve um começo.

domingo, fevereiro 19, 2006

Continentes

Nós somos países,
ilhas,
ilhados no fundo do egoísmo
e ligados sem pontes nem cordas.

Pela necessidade juntos,
cada qual pra si
e todos a mim: servos em fileiras,
senhores em liteiras,
poetas sós, pintores insociáveis,
gênios loucos,
guerras externas
e massacres internos.

E nós
sobre o mesmo concreto
sob as mesmas vigas
somos ilhas no continente.

José Roberto Sechi

sábado, fevereiro 18, 2006

CONCAVIDADE

QUANDO
SEUS LÁBIOS
TOCAREM
AS
CURVAS
MAIS
CONEXAS
DO
MEU CORPO
ESTAREI
DE
NOVO
FAZENDO
AMOR
COM
OS
DEUSES
Cláudia A. Garrocini