de repente, no meio da festa, uma necessidade
sem quê de origem,
faz pousarem soberanas sobre mim
saudade e melancolia.
não há um porquê...
embora haja tantos e possíveis.
“você foi a melhor coisa que tive
e o pior também em minha vida”
uma paradoxal sensação de estar
mas não pertencer...
sucesso entre os presentes,
notável e sincera
em sorrisos, afetos e palavras
resta-me eu comigo mesma
a perscrutar na memória
quem esse ser que habitava em mim
abraços, ternura, mel, ilha
confiança, histórias íntimas
fui eu a Penélope moderna,
agora braços vazios?
Fui eu a “sem norte”
a vagar areia, horizontes,
fantasias na velocidade-luz?
mantendo, inteiro, o último mergulho no mar
contentes eu e ele...
o primeiro
gosto de sal...
mãos estendidas, sentindo-se seguras, entre risos e ondas...
súbito, se desprenderam das mãos outras.
Ecoam ainda: “viu?, igual a um peixinho”...
E o mar, infinito Senhor desse constante viver, entre nuvens, sol, chuva, azul e ternura, alertava:
“vai, filha, sente, ama, desabrocha primavera e desvaneça verão, recolha-se outono e finde inverno”...
nada haverá em troca.
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