quarta-feira, dezembro 22, 2010

REFÚGIO


de repente, no meio da festa, uma necessidade
sem quê de origem,
 faz pousarem soberanas sobre mim
saudade e melancolia.

não há um porquê...
embora haja tantos e possíveis.
“você foi a melhor coisa que tive
e o pior também em minha vida”

uma paradoxal sensação de estar
mas não pertencer...
sucesso entre os presentes,
notável e sincera
em sorrisos, afetos e palavras
resta-me eu comigo mesma

a perscrutar na memória
quem esse ser que habitava em mim
abraços, ternura, mel, ilha
confiança, histórias íntimas

fui eu a Penélope moderna,
agora braços vazios?
Fui eu a “sem norte”
a vagar areia, horizontes,
fantasias na velocidade-luz?
mantendo, inteiro, o último mergulho no mar
contentes eu e ele...
o primeiro
gosto de sal...

mãos estendidas, sentindo-se seguras, entre risos e ondas...
súbito, se desprenderam das mãos outras.
Ecoam ainda: “viu?, igual a um peixinho”...

E o mar, infinito Senhor desse constante viver, entre nuvens, sol, chuva, azul e ternura,  alertava:
“vai, filha, sente, ama, desabrocha primavera e desvaneça verão, recolha-se outono e finde inverno”...
nada haverá em troca.


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