quarta-feira, novembro 10, 2010

Trapaça...

na ironia fugaz de tuas palavras
desfaço-me estranhamento e intriga...

"águas paradas, correntes profundas..."
afoita e afeita a complexidades humanas
olho pra ti: olhos de mim e não te vejo...
toco tuas mãos, enquanto lembro você de saco cheio

de minhas metáforas, transparências ilógicas
teu nado, em mim peixe
em ti, tubarão que me devora
e me delata poesia inútil...

mas...
insisto

ingenuamente acorrentada ao caminho que tuas mãos percorrem
perfilando meu corpo-prazer, detendo-se atentas a cada gemido
que no avanço do percurso
me revelam  ansiosa à entrega.

e me pergunto: queres mesmo este efeito?



pois que tuas mãos em meu corpo tocam silêncios 
enquanto deslizando sutilezas
escrevem versos cálidos
no estertor do corpo ao gozo rendido 
...
parados...profundos...afoitos?
quem menos poesia...
quem mais metáfora?

me aproximo, então,  de ti
profundamente sonada.


e tuas mãos agora transparecem abandono...
sem ação, a trapaça se desvela ensaiada em pormenores...


E.
enfadado de metáforas minhas??


faz-me sentir as tuas...


riso bobo, bêbado, num último pensamento,


baixinho, sussurro ao teu ouvido mouco:


trapaça!!! as metá foras em mim vêm de ti, safado!







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