qualquer coincidência com a mera realidade é direito de interpretação.
na minha escrita a realidade é re-inventada, apresentada pelo que seria óbvio...
seria...
a escrita é o direito que me dou de expressar a parte que não me cabe
nas relações concretas que estabeleço.
escrever é só divagar, construir quimeras e personas...
o outro eu eu mesma
mas que não me reflete
ilustra talvez algumas imagens senso comum que percebo
algumas impressões tão "mais na cara que nos dentes", tão...
ah, Pessoa: "o poeta é um fingidor..."
e não me rendo pela consciência.
terminando, percebo o triunfante olhar do leitor
quando, me lendo, constata que tudo o que pensava
acabou encontrando revelado nas minhas palavras aqui
todas as suas impressões, tudo que seu olhar e sua mente arguta vislumbraram
desde que pousou seus sentidos em mim
porém, caro leitor, talvez tenha dito tudo isto para poupá-lo da frustração
de perceber que, me revelando, ausento-me de me exibir...
apenas e conscientemente concordo com suas impressões, com seus medos
com seu triunfo...
minha escrita apenas um gesto de humildade
minha escrita apenas um gesto de humildade
solidário...
o que sou? o que pretendo?
nem eu sei...
apenas (sobre)vivo entre céus e terras, entre sim e não
entre ser e não-ser
entre ir e recuar
tranquilamente, então, prossigo.
só lhe peço calma;
os sentidos iludem
e as palavras apenas são o eco do que a verdade é...
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