terça-feira, janeiro 12, 2010

Eu tenho ouvido a chuva
Neste janeiro úmido, relembrando tragédias e esperança
E tenho sonhado um não sei-quê
De paz e aconchego
Num abraço amado
Que aguardo
Desde há muito...
Ah, que a vida é tranqüila
E se realiza
Ah, esse meu eu
Tem se desvanecido no olhar cotidiano desse tempo que acaba de chegar
E não mais se desespera
Só ouve, lê e implora
Seguir a vida apenas
Como quem não ofende aos deuses com os seus sonhos
Ah, se pudesses saber
Que me dividi em tantas
Me juntei em uma
E prossegui
Olhar mais limpo
Alma mais alma
E corpo menos meu
Ouvidos e olhos mais seus
Bêbedos de quimera
...
Senhor? – senhor que foste, um dia, meu
Aceite minha presença, só desta vez
Não, não deverá haver preocupação
Estou por fim, e sempre, e de novo
Em palavras de fim...
Adeus
Venho dizer-te
adeus...
Despindo-me das ilusões e fantasias
Do amor e da amargura
Da culpa e da alegria
Pois não sabes
Quantas vezes, em vão, me atirei
Na direção do teu ar
E quantas vezes voei...
Senti enjoo-expectativa
E decepção no olhar que não te encontrava...
Prendi o ar...
E morreram em mim a esperança, o amor, a ternura
Sentidas na vez primeira
Em lugar, certeza e espanto
Sem grandes sonhos
Os dias no calendário
Contam que é hora de caminhar
E trazer sempre dentro
O segredo...
Certa dádiva para se levar ao túmulo.

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